terça-feira, 27 de maio de 2014

JOSÉ MARIANO: A VOZ E A VIOLA QUE ENCANTOU OS QUIXADAENSES

Zé Mariano - Mito da poesia popular
 <><>Os grandes desafios da cantoria de viola foram, durante algum tempo, a maior diversão das cidades do interior do Nordeste. A cantoria de viola improvisada atraía muitas pessoas que se alegravam com aquelas estrofes ritmadas e metrificadas por autênticos gênios do repente. Quixadá foi uma cidade privilegiada, pois conheceu destacados representantes da arte do improviso, como Cego Aderaldo, Alberto Porfírio, dentre muitos outros. Merece também figurar no céu estrelado da poesia popular, o repentista Zé Mariano. Na Quixadá dos anos 50, 60, 70 do século passado, a performance oral do talentoso astro atraía muitos admiradores até o bar do Queiroz(hoje depósito da loja"O Chefe") e também ao ponto comercial de Dona Francelina, exatamente naquele espaço do Posto Quinzinho. Mas também, era possível vê-lo se apresentar  no Mercado da cidade e várias localidades da zona rural. Se apresentava alguma vezes, apenas tendo a viola como companheira, mas era no desafio, na chamada "peleja" que se sentia realizado. Gostava mesmo que o provocassem para o desafio. Mas bom destacar que, como possuidor de bom caráter, se considerava amigo de todos os colegas do rfepente. Chegou a cantar com Alberto Porfírio, Zé Limeira, Zé Grande, Adalberto Monteiro, Zé Sinval, Edmundo Rodrigues, Chico Miguel, Pedro Nicolau e outros.
Agamenon cuida de preservar a memória do pai
           Segundo o pesquisador da cultura popular e também poeta, Erasmo Barreira, a sua marca maior e que revelava todo seu talento e genialidade, foi cantar fazendo uso da sextilha dobrada. Ele sabia, como poucos, se utilizar da fórmula exata deste recurso da poesia. José Mariano de Lima nasceu em 3.11.1909, no sítio São José, município de Assaré. Conterrâneo e contemporâneo de Patativa do Assaré, se apresentou com o poeta em diversas oportunidades, aprendendo diversas lições deste astro, hoje conhecido e estudado em diversos países. Sempre afirmava que Cego Aderaldo era o "Deus dos poetas cantadores". Zé Mariano percorreu muitas cidades do Nordeste, mas escolheu Quixadá para estabelecer morada, depois de ser abraçado pelas pedras que tão bem acolhem os que nos procuram. Morou na chamada rua das pedras(Benjamin Barroso) até ser chamado para outras missões em 3.3.1988, aos 79 anos. Foi pai amoroso de Plínio(falecido), Plício, Agamenon, Marlucia, Dulce, Gilberto, Chaguinhas, Mizael, Daniel. Aquela que podia ser considerada como um anjo da guarda foi Maria Nobre de Sousa que sempre esteve ao seu lado, nas horas alegres e de dificuldades, inerentes a todo ser humano. Ao completar 65 anos, perdeu a visão, passando a ser chamado pelos incontáveis admiradores de "Cego Mariano". Neste momento de sua vida, os seus olhos passaram a ser seus filhos que o guiavam para os mais diversos locais. Se tornou uma cena presente em Quixadá, Agamenon e outros filhos, o conduzindo com muito amor e presteza. Zé Mariano tinha muitos admiradores e amigos, entre os quais, o médico Everardo Silveira, Gilberto Pereira, Eurípedes Pinheiro, Valter Ferreira, Amadeu do velho mercado e muitos outros. Foi um extraordinário poeta popular e, com certeza, sua memória deve ser lembrada e também divulgada, para que as novas gerações possam seguir os seus passos e assim, valorizar e não deixar desaparecer a bela poesia nordestina. O querido cantador deixou uma canção intitulada "Acorda Maria" que ainda hoje, é apresentada pelos seus seguidores: "Acorda Maria, vem ver como o dia começa a raiar/ E os passarinhos vem deixando os ninhos e vem romper no ar/ Neste momento, todos elementos me obedecerão/ Vem mostrar-me o afeto de um amor completo em meu coração/ Acorda Maria! Meu anjo arcanjo tem pena de mim/ Seu amor me mata numa serenata que não tem mais fim/ Eu me vou partindo, já estou saindo e vou por ti chorando/ Tu, meu anjo lindo ficará dormindo, comigo sonhando./ Miguel Peixoto, grande admirador de Zé Mariano, estava preparando a biografia do poeta e iria publicar um livro, mas tal projeto foi interrompido, devido a sua morte. Ainda bem, Cego Mariano está presente no imaginário dos amantes da cantoria. Ele deixou seu nome inscrito na galeria dos grandes mitos do repente.

Miguel Peixoto estava escrevendo a biografia de Zé Mariano
Para Erasmo, Mariano foi um dos maiores divulgadores da cultura popular


sábado, 17 de maio de 2014

FLÁVIO: SAUDADES DO CRAQUE E DO AMIGO

 <>Zagueiro é uma posição no futebol que ,historicamente, privilegia o chamado "futebol força", mas alguns destoaram dessas características e praticaram um futebol de alto nível técnico que enchia os olhos da torcida. Os quixadaenses tiveram o privilégio de ver em ação,  um craque que era possuidor de um estilo leve e solto de jogar, sempre protegendo a sua área, uma capacidade incrível de roubar a bola do adversário mas sem nunca apelar para a violencia. Além de craque de reconhecido talento, FLÁVIO foi uma pessoa que gozava do carinho de seus incontáveis amigos, pois extremamente bom e generoso. Seu grande momento no futebol foi defendendo as equipes do Bangu, Avante, 13 de Maio e a seleção quixadaense que participou do torneiro Intermunicipal. Mas também brilhou no futebol da bola pesada, sendo um dos preferidos do técnico Manoel  Bananeira que afirmava ser Flávio, um dos melhores do futebol cearense na sua posição. Jogou ao lado de outras feras do gostoso futebol quixadaense dos anos 60, 70, 80 como Adão, Zé Leônidas, Paulo Cotó, zé Bodega, Chiquinho Galo Duro, Oliveira Ceará, Djalma, Argeu,Vilmar, dentre outros. Flávio teve como seus principais treinadores, Freitinhas, Edinho e joão Eudes Costa. Este último, certa vez afirmou que FLÁVIO tinha condições de jogar em qualquer equipe do futebol cearense. O seu companheiro de equipe e amigo Argeu sempre enalteceu  suas qualidades de  como atleta e amigo.  Exerceu o ofício de bancário, durante muitos anos, começando por Brasília mas em seguida, na sua querida Quixadá, Redenção, Baturité, Barbalha. Passou ainda pelo estado de Goiás e por último, Juazeiro do Norte. Funcionário exemplar sempre mostrando excelência no atendimento aos clientes, respeitando os companheiros de trabalho e sempre focado nas tarefas a serem cumpridas.  Francisco Flávio Bezerra nasceu na terra dos monólitos em 1948, filho de Jose Edilson Bezerra e Maria Cleide Bezerra. Era irmao do Cesar Gaguinho e Ary Dinamite(tambem craques). Foi casado com Fatima Cavalcanti e desta união nasceram os filhos Alessandra, Flavia, Paloma, Trícia e Giordano. FLÁVIO foi chamado por Deus para outras missoes no ano de 2001, sob o carinho da esposa, a dedicada Fátima, filhos e dos muitos amigos que soube cultivar na sua curta existência. Para os filhos ele foi aquele pai amoroso, um herói, cheio de garra para oferecer uma boa educação. Quanto mais o tempo passa, aumenta a admiração dos filhos por aquele homem que fez de sua família a razão maior de sua existência. As mais belas jogadas de FLÁVIO ainda estão na lembrança dos torcedores quixadaenses. Um craque de mão cheia, como bem definiu o jornalista Jonas Sousa em matéria no jornal " Tribuna do Ceara".
Flávio brilhou também no salonismo
Com os amigos Zé Wilson, Zenóbio e Zé Bodega

Numa formação dos anos 70: Flávio, Lucivaldo, helano, Sinca, Célio Doval, Raul e Manguleira

Também se destacou no futebol de campo- Flávio é o sexto(da esquerda para a direita, em pé)



domingo, 11 de maio de 2014

ADAUTO LINO DO NASCIMENTO<>O VEREADOR QUE AMAVA O SERTÃO

Adauto lutou por melhorias na ciade e no sertão
 <><> Nos anos 40, uma criança olhava com muita atenção e admirava seu pai, o agricultor Francisco Lino do nascimento trabalhando à terra, feliz, no abençoado chão da região de Jatobá. Como todo nordestino, seu Francisco olhava para o céu, esperando sinal de chuva para uma boa colheita. Esta criança era Adauto que não demorou muito e passou a ajudar seu pai no cultivo da terra. A família pedia chuva com abundância e as orações sempre aconteciam, toda tardinha, naquela casa sertaneja. Dona Glicéria achava muito interessante o interesse daquela criança em ajudar seu pai mas queria(como toda mãe quer) que o menino frequentasse os bancos da escola. Com o passar dos anos, Adauto, mesmo amando com intensidade o sertão, tomou a iniciativa de vir morar na cidade.Com lágrimas, deixou seu coração no  amado Jatobá mas precisava trabalhar para ajudar os pais e os irmãos. Sempre dizia que o sertão é bonito no inverno e até mesmo no verão.  Naquele momento, a terra dos monólitos crescia a passos largos. Precisava encontrar trabalho e isso não demorou a acontecer, pois cruzou em seu caminho, aquele que se tornaria um dos seus maiores amigos, o comerciante Zeque Roque. Trazendo do sertão a honestidade, a vontade de trabalhar e o respeito com as pessoas, logo destacou-se como vendedor.                              
                                                         Além de se tornar um vendedor muito querido, era desportista e torcia fervorosamente pelo Quixadá futebol Clube. Foi dirigente e torcedor do Jatobá Esporte Clube que representava seu amado povoado. Bastante popular, foi convidado para integrar partidos políticos e com apoio da família, dos amigos e claro, do querido comerciante Zeque Roque, foi eleito vereador. Esteve na Câmara Municipal de Quixadá por cinco períodos legislativos, de 1966 a 1968. Ganhou a confiança dos administradores da terra dos monólitos, ocupando diversas secretarias nas administração de diversos prefeitos. Com sangue verdadeiramente nordestino, sempre voltava a seu Jatobá para matar a saudade de sua gente querida. Vale destacar que sua grande luta foi sempre a busca de melhoras na vida das comunidades  sertanejas. Depois de muitos anos de dedicação a sua querida Quixadá. Adauto partiu para outras missões em 31.03.1988 deixando triste os amigos e seus filhos josé Veimar(vereador), Wanderley, Meyre Socorro e Marília. Recebeu muitas homenagens em vida dos quixadaenses que o reconheciam como um grande filho. Todas as vezes que era homenageado, fazia questão de afirmar: "Sou um cidadão sertanejo!" -
Adauto(e) e seu amigo Aziz(d)

Adauto(e), Adolfo(c) e Maria Guedes(d) na cãmara-anos 80

Wanderley: Meu pai amava Quixadá

Wanderley segue os passos do pai