terça-feira, 31 de março de 2020

CONHEÇA A HISTÓRIA DE SILVINO-O HOMEM QUE BRIGAVA COM O TREM

Maria Fumaça nos bons tempos do trem
Volte papaizinho!
<><>A fumaça da velha locomotiva entrava na nossa casa, pois, as  residências de nossos pais e parentes, sempre foram construídas nas proximidades da linha férrea.  Ali pelos anos 60, quando era já  um garoto que amava Beatles, Rolling Stones e Luiz Gonzaga, ao ouvirmos o barulho das máquinas à vapor, papai que sempre foi muito divertido,imitava o seu barulho e correndo atrás de mim, fazia assim "Vou te capar! Vou te capar!"  Mas de tudo, o que mais gostava era do apito que parecia querer dizer alguma coisa como: "Teu pessoal em Fortaleza tá muito bem"; "Tô com fome, quero comer mais lenha!" Quando estamos nos jovens anos de nossas vidas, a pureza ainda se faz presente e eu na estrada, acompanhando sua passagem gritava bem alto:  "Bom dia dona Maria Fumaça!" Tinha vontade de estar sentado naquele monte de lenha empilhada. É máquina a vapor, meu filho, lembrava papai. Tinha ciúme dos meninos da minha rua que ficavam a olhar para ela com muita admiração. Passava boa parte do dia fazendo riscos no chão, esperando a hora de minha amiga passar. Foi aí que um dia me deparei com um fato que nunca esqueci: Um homem com apenas um braço ficou na frente da Maria Fumaça atirando pedras e falando: "Vou matar você e vai me pagar por ter cortado o meu braço!" E ele ficava na frente da máquina e algumas vezes, os bondosos maquinistas paravam o trem. E ele esmurrava as laterais, cuspia, mandava o pau de jucá nas grandes rodas. Exaltado, berrava: "Rapariga de soldado, tu me paga!". Só quando papai, seu Raimundinho e Chico Caetano chegavam, ele se acalmava e com o tempo, fez amizade com todos da nossa casa. Ele dizia chamar-se Silvino e não sabia de onde vinha nem para onde ia e como o tratávamos bem, ele nos confiou que sofreu um acidente quando trabalhava numa linha férrea e diz não ter visto a aproximação da Maria Fumaça. Com momentos de lucidez, falou que depois deste triste fato ficou desorientado e nem mais lembrou de família e nem sabia onde morava. Contou que prometeu se vingar e que um amigo lhe deu o número da Maria Fumaça que lhe causou o acidente. Falou que chamou-a para brigar, mas ela era covarde e parava com medo dele. Ficou frequentando nossa casa por muitos anos e chegava até de madrugada, pois naqueles anos 60, podíamos deixar a casa aberta que não acontecia nada. Só gostava de conversar com ele, quando estávamos a sós e ele confiava tanto em mim que nasceu uma grande amizade. Com jeitinho, fui falando para ele que a dona Maria Fumaça percorria os caminhos de ferro e não era como gente e o que aconteceu com ele foi um acidente. Demorou bom tempo, mas ele começou a entender e atendendo o nosso pedido, nunca mais foi brigar com o trem. Teve início aqui em nossa casa uma luta para encontrar a família de Silvino mas, era quase impossível já que naqueles anos não tínhamos a tecnologia que temos nos dias de hoje. De repente, apareceu uma luz e papai teve a ideia de colocar um anúncio no programa "Alô Sertão" apresentado pelo radialista Oliveira Ramos, aquele do "Segura o bode!". Papai, ainda na madrugada, correu para a agência da empresa "Redenção", pagou a passagem ao amigo Zezinho e partiu cheio de esperança. O programa era no período da tarde e ele aproveitou para fazer compras para a sua bodega no mercado público. No nosso amado Quixadá, ouvimos a divulgação do anuncio. Papai só chegou em casa, à noite, e fomos dormir com muita esperança.  Silvino estava bem mais feliz, calmo e gostava muito de comer bolachas que comprávamos na Padaria Estrela, acompanhadas de um gostoso Aluá preparado pela nossa tia Maria. Passaram-se algumas semanas e nada e ,então, começamos a perder as esperanças de aparecer alguém da família de Silvino. Ele pediu para visitar uns amigos que tinha muita saudade e que moravam aqui mesmo em Quixadá. Num domingo ,à noite, nosso cachorro Apolo latia anunciando a chegada de alguém. Ao abrirmos a porta, uma senhora e um linda jovem, educadamente, nos cumprimentam e anunciam que eram a esposa de Silvino e a filha de 30 anos. Matilde, a esposa, Anunciada, a filha. Foi o dia mais feliz de nossa casa, nunca teve outro. Anunciada falou que  Silvino saiu de casa fazia 20 anos para trabalhar e não avisou o local e não voltou mais para casa. Esta minha filha quase morre de saudade e nunca mais teve alegria, chorando sempre, todo esse tempo. Ela só tinha 10 anos e sua vida foi sempre muito difícil. Mamãe e todos da casa com muito carinho, garantia que dentro de pouco tempo elas veriam o querido familiar. Eu e meu pai, ficamos encarregados de trazer trazê-lo para casa e o procuramos por todo o dia. Estávamos confiantes em encontrá-lo e loucos para apresentá-lo a sua família. Mas, uma notícia que nos foi dada pelo nosso amigo carpinteiro, Silva, foi um aço frio de um punhal. Ele falou que Silvino foi colhido por uma locomotiva na velha ponte ferroviária, tendo morte imediata. Ao entramos em casa, todos perceberam que algo deu errado e papai quase sem conseguir falar deu a triste notícia. Todos, chorando, abraçados, como se fosse uma só família. Nunca esqueci daquela imagem da filha de Silvino, ajoelhada, chorando muito e pedindo: Volte papaizinho, volte!
<>Todas as imagens foram retiradas da Internet
A Maria Fumaça desapareceu junto com os trilhos

Aquela densa nuvem de vapor era a grande marca da Maria Fumaça

Velha ponte ferroviária

sexta-feira, 27 de março de 2020

MEMÓRIA DO QUIXADÁ FUTEBOL CLUBE(1)- CÉSAR GAGO E OS '9 X 1"

<>Imagem do canarinho do ano de 1978. Pela ordem: Zé Antônio, Carlão, Helano, Tomé, Zé de Barros, CÉSAR GAGO, Manuelsinho, Vicente, Massangana,  Nenen Mossoró e Doca.
 <><><>Numa quarta feira, à noite, o eficiente lateral esquerdo Cesar Gago(Augusto Cesar Bezerra) foi o grande herói do Quixadá no primeiro tempo do jogo que aconteceu lá em Sobral contra a equipe do Guarany. Numa jogada de contra ataque, Cesar abriu o placar para o time da terra os monólitos. O irmão Ary Dinamite que ouvia o jogo pelo rádio, final dos anos 70, todo orgulhoso, saiu avisando para todos da rua: "É gol do meu irmão!" Terminou o primeiro tempo com vitória do Canarinho. Mal começou o segundo tempo, o Guarany empatou! E veio o segundo gol, veio o terceiro, o quarto, o quinto! Chegou nos "5 X 1", Ary jogou o rádio no chão e era pilha para todo lado. E foi dormir com raiva. Ao acordar, soube que o jogo foi "9 X 1". Os gozadores da rua, falaram: Cadê o Canarinho, Ary? Ary, sem muito jeito respondeu: "Perdeu, mas meu irmão fez gol!!! São histórias do nosso Quixadá Futebol Clube.
<>Imagem: cortesia do craque Helano
César Gago foi um eficiente lateral
<>Imagens: Cortesia de Ary Dinamite
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<>MAMÃE ITAMAR FOI A RAINHA DA PESCARIA

Minha mãe era maestrina na arte de utilizar a rede de pescar



<>Minha santa(eleita por mim e pela minhas irmãs Corrinha e Conceição) foi rainha do lar e muitas outras coisas mais, mas numa atividade ela era imbatível: Pescaria com tarrafa. O arremesso realizado por mamãe, deixava todo mundo de queixo caído. Ela arremessava de um jeito que a rede ficava toda aberta antes de cair na água. Naqueles anos 60, 70, eram frequentes as grandes enchentes que até assustavam e no rio Sitiá as águas pareciam caminhar sorrindo. A água quase batia na velha ponte que fica pertinho de nossas casas. Muita gente vinha da rua para realizar saltos na água. O cacimbão que ainda existe, ficava quase encostando na casa de Baviera. Ali era como um teatro para o show de minha mãe. Existiam poucas casas e praticamente todos os moradores iam até o local da pesca para ver a exibição de Basinha(apelido daquela que me deu a vida). Lá vinha ela parecendo uma artista sertaneja, bonita que só ela, simpática. Chegava na beira do cacimbão e sob o olhar atento da platéia(eu, Papai Amadeu, minhas irmãs, minhas tias Robéria, Elba, Maura,Maria, Baviera) meus primos Toinho, Zé Maria, Aparecida, Mazé, Angélica, Raimundo e gente que morava por perto, como por exemplo, Fransquinha(mãe da Elzeni), Cristovão, Laura, Lica, Maria Paula e outros. Ali, na beira do cacimbão, um verdadeiro Ritual. Fez uma oração para Jesus Sertanejo. Expectativa de todos! Jonas Sousa, meu primo, com a lata de sardinha narrou o primeiro lance: "Itamar jogou a tarrafa, torcida!" Amigos, juro por tudo que é de mais sagrado que, durante algum tempo, a tarrafa, toda aberta, parecia mais uma imagem do balé"Lagos dos Cisnes". Depois, "Tibungo", caiu na água. Alguns minutos e mamãe arrastava a rede que estava cheia de peixe. "Bravíssimo Itamar! Todos aplaudiam! Mamãe, mulher nordestina com ares de felicidade, agradecia a todos. Os cachorros lá de casa que eram de pobre, mas não tinham nome de peixe correram e se agarraram com a rainha da pesca. "Obrigado Capeto, Vencedor e Quarentinha!" O resultado da façanha de mamãe naquela tarde de domingo foram 3 sacos cheios de peixe. Mas, acreditem, a sua maior alegria era distribuir aquilo tudo com todos os vizinhos. Naqueles anos era assim. Tudo que se fazia nas casas, dividia com os vizinhos. Sinceramente, nunca mais vi isso. Confesso que ficava com pena dos bichinhos, mas depois de comer com farinha, adorava e esquecia por completo aquela compaixão que sentia na hora da pescaria. Lembrei do poeta Rivaldo Serrano de Andrade: "Todo mundo lamenta a desgraça que a gente passa num dia de azar, mas, se disso tira proveito, sorri satisfeito, fingindo chorar.
<>As imagens foram retiradas da Internet

<>A IMAGEM E O FATO<> O PORTA VOZ DO SERTÃO E O CRAQUE DA QUÍMICA


--O professor Gilberto Telmo é uma referência na Química, sua área de atuação. Dava "olé" ao transmitir seus ensinamentos para os jovens que sempre o admiraram. E Patativa, o poeta do povo nordestino que cantou em verso e prosa o lado bonito e triste do trabalhador simples. Esta imagem é de 1990. Naquele ano, tivemos a MAPUQ(Mostra de Artes Plásticas da UECE Quixadá) que foi criada pelo Professor Artur Pinheiro, coordenada pelo Prof. João Álcimo e que teve todo o apoio do Prof. Gilberto Telmo ,então, diretor da FECLESC. Na ocasião, o Poeta foi homenageado e recebeu grande carinho dos quixadaenses. Segundo relato do Prof. Telmo, a vinda até nossa cidade de Patativa, deu-se graças a colaboração de Benjamin Oliveira(então prefeito de Assaré) e de seu irmão Francisco Eugênio Oliveira Costa que foi aluno da FECLESC.
<>Imagem:cortesia do Professor Gilberto Telmo.
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<>O DIA EM QUE A PROFESSORA BAVIERA SAIU DE CASA PARA BRIGAR COM O PADRE.

Professora Baviera

<> A minha inesquecível tia Baviera que foi uma querida e destacada professora do Jardim da Infância era daquelas católicas praticante. Era católica, apostólica, romana quixadaense. Tivesse missa pela manhã, tarde, noite e nunca duvidei que até de madrugada ela iria. Rezar, rezar e rezar! E além das missas participava de novenas em vários espaços da cidade e sem esquecer o fato de que durante o mês de maio comandava a novena de Nossa Senhora na sua residência. Menino, ainda, ajudava nos cânticos e algumas vezes conduzia as leituras das orações. Parece que ainda escuto: " A treze de maio, na cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria". Muitas vezes, pulava as orações porque estava interessado que a novena terminasse logo, pois queria assistir na tv o programa"A Grande Parada". A tia Baviera gostava muito das missas celebradas pelos padres Luís Braga Rocha, Padre Clineu, Padre Hélio e dos demais. Baviera, pessoa da igreja, doce criatura, mas sincera até demais. Falava o que sentia na frente de quem quer que seja. Foi por ali, já pertinho da década de 70(século passado) que os católicos da terra dos monólitos se revoltaram com o fato do vigário da paróquia, Padre Dourado, ter mandado demolir os belos altares da Catedral. Minha tia quando soube deste fato ficou em estado de choque e lembrou logo do seu amigo Padre Luís, falando que a saúde dele não iria suportar aquilo. Lembro demais que ela mudou de cor e falava alto para quem quiser ouvir que tinha participado de rifas, leilões, quermesses e outras campanhas para a construção dos altares. Ela me encontrou no quintal de casa cuidando do carneiro Belém e com a moral que sempre estava lá em cima, ordenou: Vamos ali no salão paroquial, pois quero tomar umas satisfações com o Padre Dourado! Pensei. lá vem problema meu Deus! Ela notou que não concordava com ela e me calou, falando: "Não gosto de cabra frouxo, honre o nome do seu pai, vamos!" Baviera era uma espécie de mãe, tia, professora, conselheira, e nós a obedecíamos. Naquele anos, não tínhamos vergonha de ser feliz e para ganhar tempo, ela e eu, fomos na carroça do Cristovão que morava aqui perto. A carroça do amigo Cristovão parecia um "Puma", pois corria demais e não demorou a chegar na morada do Padre. Meu coração dava pinote dentro do peito. Para mim, parecia que seria o começo da terceira guerra, pois minha tia não tinha medo de ninguém. Decidida, se aproximou do portão. Nos meus olhos juvenis, pensei estar diante da heroína Maria Quitéria! Cabeça erguida, bate palmas com tanta força que pareciam os tambores de São Luis do Maranhão. Cadê o padre, quero falar com ele? De dentro da casa, saiu uma mulher mais parecida com uma santa por nome de Estelita e informa: Baviera, o Padre Dourado teve que viajar para visitar uma pessoa da família. Ufa! Que alívio! Juntei minhas mãos ainda inocentes e agradeci a Nossa Senhora. Fizemos o caminho da volta para casa, mas ela me pediu que a acompanhasse até a Catedral e ao ver aquelas imagens destruídas, chorou copiosamente. Me abraçou e chorei junto com ela. Chegando em casa, a nos esperar estava a mãe Sinhá que com a razão sempre acima do coração, falou: "Minha amada Baviera, Jesus e Nossa Senhora estão dentro de nossos corações e aqui eles nunca serão destruídos!"
O Pe. Dourado é o primeiro pela ordem

Padre Luis Braga Rocha

Painel da igeja de Nossa Senhora do Perpétuo Socoro

<>"QUERO VIVER" - CRÔNICA ESCRITA POR JOÃO EUDES COSTA.

 <> Apesar da violência e de toda espécie da maldade que envolve o mundo, gerando um ambiente de insegurança e medo, quero viver por muito tempo, porque encontro o abrigo, a defesa e o incentivo no amor que ainda existe no coração das pessoas que nos cercam./ Quero viver para sentir a beleza da natureza e a carícia suave do vento. Apreciar o romper da aurora, o nascer de nova luz, mostrando outros caminhos, renascendo esperanças para prosseguir na luta. Não devo morrer ao sentir o sopro do vento morno do desengano, trazendo a fúria dos que agridem, assaltam e matam, tingindo o mundo com o negrume da crueldade. /Quero viver para sentir a grandeza das almas humildes, dos que renunciam em benefício da felicidade dos outros, dos que acreditam na força da doação. Não devo morrer porque a prepotência supera o direito, a falsidade impera, fomentando a guerra fratricida. /Quero viver para beber a água cristalina, descida do céu, que corre pelos riachos e se enroscam, como cobras, pelas veredas do sertão. Não devo morrer porque as águas são poluídas pelo progresso, tirando-nos o ar, a tranquilidade e a própria vida. /Quero viver para abraçar os que me amam, beijar os que me querem e me apoiar no ombro amigo dos que me acolhem em seus corações. Não devo morrer porque encontro o ódio, o desdém e me negam um bastão amigo, onde possa apoiar a minha fraqueza./Quero viver para experimentar o calor da sincera amizade, a energia do abraço afetuoso, o sorriso e o apoio dos que se alegram com as minhas vitórias. Não devo morrer porque os delatores nos traem quando nos beijam e os facínoras nos apunhalam quando nos abraçam. /Quero viver pela fantasia das noites claras, vendo o galopar das nuvens e o namoro das estrelas. Não devo morrer porque a escuridão acoberta, com o seu manto negro, o fantasma da violência e do crime. /Quero viver para acariciar a criança feliz, brincar com a sua inocência e aprender a gostar das coisas simples. Construir castelos de areia e acreditar que tudo é verdade. Não devo morrer porque vejo crianças infelizes, mergulhadas na podridão das drogas e do crime, sem lar, sem rumo e sem destino. /Quero viver para dormir o sono tranquilo, pastorado pela paz das boas ações, sem temer a violência, na serenidade da proteção de Deus. Não devo morrer quando não consigo conciliar o sono porque o remorso cobra alto preço pelo bem que deixei de fazer. /Quero viver para repassar a infância, procurar minhas pegadas por antigos caminhos e não deixar desaparecer aquele menino de alma pura, que mora no âmago de meu coração. Não devo morrer porque não sou mais o menino ingênuo, despreocupado e feliz. Quero viver para penetrar no sertão, repousar à sombra da oiticica, ser acolhido pela simplicidade da casa de taipa e me sentar à mesa farta de amor do bravo homem do campo. Não devo morrer porque mutilaram o sertão, expulsaram seus moradores, enganaram a sua boa fé e os amarraram, a fim de chicoteá-los até a morte. /Quero viver para apreciar o entusiasmo, a alegria e a esperança da juventude que sonha e merece um mundo de paz, tranquilidade e amor. Juventude que deve ter liberdade, consciência de seu valor e fé no futuro risonho que a espera. Não devo morrer, mesmo sabendo que minha juventude já é passada e a velhice é um futuro de quem não conseguimos fugir. /Quero viver, e viver muito, porque tenho muita fé no amor que possuo. Ele me faz forte, sempre alegre e jovem. No dia em que esta carcaça envelhecer e tropeçar em insignificantes obstáculos, dentro de mim, haverá um jovem robusto e sorridente que acolherá o velhinho com afeto, deitando-o no berço macio do amor, mostrando que viver, afinal, vale a pena.
(Escreveu João Eudes Costa)
-Imagens retirada da Internet





terça-feira, 24 de março de 2020

<>ESCRITORAS NASCIDAS EM QUIXADÁ- - ANGÉLICA SAMPAIO-APROVADA PELO PÚBLICO E PELA CRÍTICA

<>Angélica Cecília Freire Sampaio de Almeida (Angélica Sampaio) - nasceu em 19 de agosto de 1976, em Quixadá-CE, filha de Luiz Sampaio Filho e Maria Necy Freire Sampaio. Oriunda de uma família de oito filhos, é a sexta filha do casal.  
Desde a infância a autora mostrou-se dedicada aos estudos, principalmente em relação a leitura. Iniciou seus estudos quando tinha 4 anos na escola Pedro Alexandre Valentim em Nova Vida, distrito do atual município de Ibaretama-Ce. Aos cinco anos sua família mudou-se para Quixadá-Ce e lá deu continuidade aos seus estudos até o 8º ano do Ensino Fundamental II. Por volta dos oito anos já se notava claramente a tendência da menina à escrita de poemas e pequenas histórias. Tudo era motivo para que ela pudesse colocar nas linhas do papel seus sentimentos infantojuvenis. Nesse percurso,estudou nas escolas religiosas - Ginásio Valdemar Alcântara (1º ao 6º ano) e na Escola Imaculada Conceição (7º e 8º ano) ainda em Quixadá. Em 1990, quando seus pais se separaram, a jovem mudou-se, aos doze anos, para Fortaleza em companhia da mãe, de dois irmãos mais novos e de uma irmã mais velha.O pai permaneceu em Quixadá com os outros filhos do casal.

O primeiro bairro que a autora morou em Fortaleza foi Messejana (ficou de janeiro a maio de 1990) e estudou no Colégio Presidente Médici. Em junho, a família, após comprar a casa definitiva, foi para o Conjunto José Walter, local em que a mãe reside até hoje. Lá, a adolescente passou a cursar o 9º ano no Instituto Pedagógico Monteiro Lobato. O Ensino Médio foi cursado na rede pública de ensino (1º ano - Colégio Filgueiras Lima, no Montese e 2º ao 3º ano - Colégio Otávio de Farias - José Walter). Ao terminar o Ensino Médio profissionalizante em Administração de Empresas em 1993, a jovem resolveu ingressar num curso de Auxiliar de Enfermagem e, após concluí-lo em 1995, passou a trabalhar nos hospitais Menino Jesus (Parangaba) e Antônio Prudente (Aguanambi). A responsabilidade chegou muito cedo para a garota de então, dezessete anos. Todavia, aflorava mais uma vez a vocação de sua infância e que se desenvolveu mais precisamente aos treze anos, embora como já fora mencionado antes, aos oito anos já rabiscasse suas primeiras historinhas, poesias sobre temas diversos. Entretanto, quase sempre, não ousava mostrar suas criações a ninguém, pois era muito tímida e reservada.
Ao perceber que sua vocação não era cuidar da saúde física, mas sim falar dos sentimentos humanos, abandonou a profissão de auxiliar de enfermagem e passou a alimentar as páginas de seu primeiro livro que já escrevia nos horários de folga do trabalho: Êxtase. Ingressou num cursinho pré-vestibular no antigo Colégio Evolutivo e incentivada pelo professor Tenório Neto (tem sempre um professor que nos faz acordar para a realização de nossos sonhos), passou a valorizar seus escritos poéticos e a jovem de vinte anos finalizou seu primeiro livro e veio a publicá-lo em 1998 através da Gráfica Evolutivo com seus próprios recursos financeiros. O lançamento deu-se no Centro Cultural Estoril - Praia de Iracema. Seu livro foi bem aceito e adotado pelo Colégio Evolutivo, assim como passou a divulgá-lo no interior do estado e em suas terras natais: Ibaretama e Quixadá. 
Contudo, o fato mais marcante ainda não havia ocorrido: o encontro com Rachel de Queiroz. Em 29.09.1998, a jovem literata esteve na "Fazenda Não me Deixes" em Quixadá e lá conheceu a ilustre Rachel que elogiou seu trabalho e escreveu em folha timbrada da Academia Brasileira de Letras sua opinião sobre a obra e esta foi transcrita para a 2ª edição do livro "Êxtase", que teve seu lançamento no Centro Cultural Dragão do Mar" na Livraria Livro Técnico, editado pela Editora Evolutivo. Rachel de Queiroz recebeu Angélica Sampaio muitas outras vezes no Sítio Não me Deixes em Quixadá, assim como se encontravam em eventos ligados à cultura e à literatura tais como: a pré-estreia do filme "Tangerine Girl", baseado na obra de Rachel e, na época, participou da abertura da Febralivro (Feira Brasileira do Livro) no Centro de Convenções ao lado da autora que a incentivou desde os primórdios de sua infância. Indiretamente, Rachel incentivou Angélica Sampaio, pois sua mãe, Maria Necy, sempre incentivava a garota a ouvir e ler entrevistas sobre Rachel porque sua avó adotiva, Maria Angélica de Queiroz, era prima da então autora e seria impossível não ouvir sua avó falar sobre ela. Somente, por episódio do lançamento da 2ª edição de seu primeiro livro "Êxtase", é que Angélica Sampaio veio a realizar seu grande sonho: conhecer, conversar e ter contato com alguém tão importante para sua vida literária. Rachel de Queiroz incentivou-a e lançou o desafio à Angélica para que ela escrevesse um romance. 
Angélica Sampaio divulgou sua obra da capital ao sertão central e ingressou em 1999, no curso de Letras - Português Literatura ma Universidade Estadual do Ceará - campus FECLESC (Quixadá). Passou a frequentar o grupo literário "Ceia Literária" e fez parte da Antologia Poética Ceia Maior, que foi lançado em outubro de 1999 no projeto "Rodas de Poesia" no palco sob a passarela do Dragão do Mar. Em 2000, com os estudos universitários já transferidos para Fortaleza, deu andamento ao seu 2º livro: "Iraguacy, a morena índia do sertão" e o lançou pela Editora Premius. O livro foi adotado por escolas particulares e distribuído pela Secretaria do Município de Fortaleza para as bibliotecas públicas, assim como a Assembleia Legislativa adquiriu exemplares e alguns municípios do interior como Quixadá e Ibaretama. Desta vez o prefácio foi realizado por um membro da Academia Cearense de Letras e também seu professor da faculdade, Batista de Lima. Após os contatos que Angélica Sampaio manteve com Rachel de Queiroz, o professor Batista de Lima deu continuidade aos incentivos para que a autora fomentasse sua vida literária. 
Em 2002, casou-se com Robério César Garcia de Almeida e, em 2006, teve sua filha, Ana Carolina. Passou a lecionar em 2003, em faculdades e, em 2004, como professora de Língua Portuguesa, Literatura, Redação e Leitura em escolas particulares. Em 2005, finalizou sua pós-graduação (especialização) em Literatura Brasileira na Universidade Estadual. Em outubro de 2011, veio a publicar seu 3º livro "Os olhos não veem, o coração sente" na Casa de José de Alencar e este foi e é adotado como paradidático em escolas da capital e do interior do Estado, tais como: Colégio Batista, Colégio Provecto, Colégio 7 de Setembro, Colégio 21 Educar, Colégio Lourenço Filho (Unidade Vega), Colégio Salesiano Dom Dosco, Colégio Master, Ari de Sá, Colégio Seráfico, Colégio Valdemar de Alcântara, Colégio Sagrado Coração de Jesus, Colégio Amadeu Cláudio Damasceno, Colégio Modelo, entre outros.
Em 2011, foi contemplada em 3º terceiro lugar pelo VIII Edital das Artes da Secult (Secretaria de Cultura do Estado do Ceará) na categoria literatura infantil através da obra "Amigos de Verdade". O livro foi divulgado e lançado na X Bienal Internacional do Livro do Ceará em 2012 no Centro de Eventos. Em parceria com a Editora Premius irá publicar em 2015 a Coleção Vamos Aprender Português que tem como público alvo o Ensino Fundamental I do 2º ao 5º ano na área de Língua Portuguesa.

Em abril de 2014, foi eleita para ocupar a 6ª cadeira da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF) tendo como patronesse a escritora Rachel de Queiroz e tomou posse no dia 10 de outubro do corrente ano.
Em 2015, no 29º Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra, foi lançada a Antologia Um dedo de prosa, outro de poesia , na qual Angélica fez parte juntamente com os membros da AMLEF (Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza).
Em Abril de 2016, fez parte da Integração Cultural Interestadual – Coletânea Literária – Fortaleza-CE / Mossoró – RN. A antologia foi organizada por Dyandreia Portugal e idealizada por Socorro Cavalcanti e editado pela Editora Rede Sem Fronteiras, Rio de Janeiro.
Em Setembro de 2016, Angélica lançou a 2ª edição do seu primeiro livro infantil Amigos de Verdade, na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no stande da REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), assim como lançou o livro O protagonismo feminino em prosa e verso por meio do coletivo da REBRA.
Em dezembro de 2016, lançou o seu segundo livro infantil O Cajueiro, no Auditório do Centro de Referência do Parque do Cocó. Tendo este livro sido o primerio a autora lançar com o selo editorial independente Sol Literário. 
Em 2017, na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará, no stand do Diário do Nordeste, relançou todas as suas demais obras, com exceção do seu primeiro livro “Êxtase”, com o seu selo editorial,  Sol Literário. O evento foi um sucesso, pois teve ampla participação de seus leitores infantis e infantojuvenis.
Em Abril de 2018, tornou-se membro efetivo da AQL (Academia Quixadaense de Letras), momento de grande emoção para a autora, pois passou a fazer parte da Arcádia de sua terra natal, Quixadá-CE.
Em Maio de 2018, lançou Estudos Filológicos e Linguísticos na Bahia, no Ceará e em Sergipe juntamente com o grupo de pesquisas na área de linguística, PRAETECE. A participação de Angélica Sampaio faz-se através do artigo intitulado Os topônimos na obra “O Quinze” de Rachel de Queiroz.
Em julho de 2018, a autora participou da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), quando lançou o livro Poema-Luz com o grupo literário Mulherio das Letras, em lançamento coletivo na Casa dos Desejos. O livro foi em comemoração aos seus 20 anos de carreira literária que foi iniciada com o gênero poesia. Ao retornar ao Ceará, a autora lançou Poema-Luz no Auditório do Parque do Cocó no dia 19 de Agosto, data de seu aniversário. A festa foi duplamente comemorativa e foi um sucesso de público.
A autora é criadora do Projeto Jovem Escritor implantado em escolas públicas e particulares em parceria com a AMLEF e também com instituições educacionais onde se promove concursos literários com o intuito de fomentar a leitura, a escrita e a publicação de livros e a premiação dos alunos envolvidos no projeto. No Colégio Antares, escola onde leciona, o projeto já conta com a sua VI Mostra Literária, momento em que os alunos fazem apresentações culturais e lançam Antologia. Os alunos envolvidos são do 5º ao 9º ano do Ensino Fundamental I e II.
Atualmente, a escritora Angélica Sampaio participa de vários grupos literários e acadêmicos, entre eles, o grupo de pesquisas PRAETECE (Práticas de Edição de Textos do Estado do Ceará), da A.C. I. MA (Associação Cultural Internacional Mandala na Europa e países lusófonos), da REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras) e do Coletivo Literário Feminista Mulherio das Letras.
Claro, a veia literária da autora não para de jorrar seu talento por onde passa, e já se sabe de novos projetos sendo lançados como semente em seu solo fértil da criatividade.
<>Fonte de consulta: Luiz Sampaio



Angélica é bastante querida pelo público infanto-juvenil

Angélica nasceu na terra dos monólitos
<>Fonte de consulta: blog da Angélica 
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segunda-feira, 23 de março de 2020

AURENICE BESSA DE QUEIROZ SILVEIRA- 21 ANOS DE UMA GRANDE SAUDADE

Aurenice representou com diginidade a beleza da mulher quixadaense
<>Lindo sorriso! Lindo olhar! Linda mulher! Mas, acima de tudo, um lindo ser humano. Belo coração! Portas sempre escancaradas para os incontáveis amigos que conquistou com uma alegria pura e sempre presente. Inesquecível! Rainha! Levou bem longe o nome da terra dos monólitos conquistando concursos de beleza de que participou, não só na terra dos monólitos, mas na capital cearense. Quando contava com apenas 15 anos, foi eleita Rainha do Algodão do Estado do Ceará representando a sua amada terra dos monólitos. Chegando nos 18 anos, foi eleita Madrinha da Turma de Aspirantes da PMCE e Primeira Rainha da história do Clube dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará-COPM/BM e o representou no Concurso Miss Ceará, sendo eleita princesa. Em um concurso que fosse para eleger uma princesa da solidariedade, da bondade e por fim, do amor ao próximo, ela seria eleita com méritos. Ela sabia, tinha consciência de que era um padrão de beleza, mas, ainda na juventude descobriu que a felicidade verdadeira é gostar das pessoas, estar junto delas, dá forças nas horas incertas e ter um carinho todo especial com as pessoas mais simples. Aquelas pessoas que viviam em situações desumanas, como por exemplo, em alguns espaços de Dom Maurício encontraram em Aurenice um anjo que sempre as protegeu e amou verdadeiramente. Vale lembrar, ainda, do seu trabalho social no bairro São Francisco quando integrava as Comissões Pastorais da Igreja de São Francisco. Teve destacada atuação  no setor educacional atuando como Professora Normalista e Auxiliar de biblioteca. Exercendo suas atividades sempre com eficiência e seriedade, conquistou alunos, professores e servidores durante os 26 anos que trabalhou no Colégio Estadual. Mãe amorosa de Antônio Aílson Silveira Filho e de Aline Cynara Queiroz Silveira que sempre a tiveram(e a tem) como o maior tesouro de suas vidas. Esta pedra preciosa tornou-se cidadã do céu em 24.03.1999, causando profunda dor não só aos familiares mas nos ex alunos, colegas de trabalho, amigos e ,em especial, nas pessoas simples que ela tanto amava. Ruas na terra dos monólitos e no distrito de Dom Maurício levam o seu nome, mantendo-a sempre presente nas lembranças da comunidade. Querida Aurenice, teus filhos e teus amigos têm muita saudade de ti! Tem saudades do teu sorriso!Desse lindo coração! Ao lado de Jesus, intercede por nós para que tomemos consciência de que todos somos irmãos. Estas palavras que saíram do coração produziram o presente texto, carregado de muita saudade. Um pequeno texto para uma grande mulher. 
Aurenice aos 18 anos conquistou muitos concursos

Rainha do algodão da terra dos monólitos-1964
<>Fonte de consulta(1): blog Coronel Adail Bessa de Queiroz(irmão de Aurenice)
<>Fonte de consulta(2): Livro "Ruas que Contam a História de Quixadá de autoria do escritor João Eudes Costa.
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domingo, 22 de março de 2020

VOVÔ PAIDETE E A PRIMEIRA SANGRIA DO AÇUDE DO CEDRO(1924)

                                <>Vim a este mundo de meu Deus, 29 anos depois da primeira e mais espetacular de todas as sangrias do majestoso açude do Cedro. A fantástica, maravilhosa e até temida sangria ocorreu no ano de 1924. Que privilégio para os olhos que puderam acompanhar este momento, único, divino. Com 20 e poucos anos, presenciei a terceira sangria(1974) e tal qual gente de todas as partes do Brasil, fiquei encantado com tudo aquilo. Mas, me interessava mesmo era saber como foi a que aconteceu naquele distante 1924. Mamãe e papai eram crianças e por isso, nunca perguntei nada a eles. Por sorte, havia alguém da família que testemunhou e certamente, nunca esqueceu daquele espetáculo das águas vencendo a parede da sangria. Meu avô Paidete(José Ferreira) de Sousa foi um destes privilegiados. Apesar da idade já bem avançada, vovô Paidete tinha a lucidez de um adolescente e ,então, nunca duvidei do que ele me contou. Morava numa casa caiada, bem sertaneja, e não era difícil encontrá-lo, pois sempre estava cuidando com muita dedicação de um quintal onde podia se ver, pés de goiabas, limões, dentre outras coisas bonitas daquele tempo. Encontrei-o numa tarde de domingo, se balançando numa rede que diz ter ganho de presente dos índios quando morava no Amazonas. Me prometeu contar o que sabia sobre a primeira sangria, mas sem antes me fazer uma cobrança: Queria um considerável pedaço de fumo Sergipe Sem Mel que prometi lhe dar(ou pagar) quando viajasse à Fortaleza e desse um pulinho na rua Conde D'eu. Seus olhos começaram a ter um brilho que nunca tinha visto e pareciam falar! E começou a narrativa: Era de madrugada, 24 de abril, quando as águas ultrapassaram o sangradouro, mas não sei lhe contar se alguém presenciou. Só pela manhã, quando sai para cobrar aluguel de algumas casas que tinha, foi que percebi que algum fato extraordinário tinha acontecido. Ali, onde ficava a "Casa pernambucana" vi muita água. Muita gente compareceu naquele local e em outros da cidade, surpresos e até com um certo temor, pois nunca pensaram de ver aquilo. Naqueles anos, todo mundo conhecia todo mundo e lembro que me encontrei com o maquinista José Antônio de Lima e dona Dionília, pais do Zé Limeira, conhecido desportista cearense. Lembro bem do Pe. Maurício, não me recordo, no entanto, de seu sobrenome, que compareceu ao local para tranquilizar as pessoas. Não entendia nada do que dizia, o homem era de outras terras. Sempre muito atencioso, o prefeito Nilo(Nilo Tabosa Freire) falava para todos que tudo estava tranquilo e que tinham lhe comunicado de que ninguém perdeu a vida ou grandes estragos. Vovô Paidete, com ares de seriedade, disse acreditar que algumas pessoas podem ter perdido , talvez, suas casinhas, móveis, mas foi enfático ao garantir que não há informações sobre esta possibilidade. Me causou profunda admiração o fato dele falar que nossa população era de vinte e pouco mil habitantes e havia muitos espaços que não eram habitados. Para terminar, lhe digo que até perto das dez da noite tinha gente na rua, pouca, é bem verdade. Naquele ano, a iluminação pública só ia até as 22 horas e aí, com a volta de todos para casa, a calmaria voltou, o medo passou e todos foram dormir em paz. E encerrando o papo, pois queria voltar para a rede, falou: "O Cedro sabe do amor que temos por ele e nunca irá nos fazer nenhum mal". Agradecido e feliz por ter recebido aquelas informações de quem presenciou a primeira sangria, voltei para casa e imaginando que belo espetáculo. Vovô Paidete tornou-se cidadão do céu em 1976. Saudades de Vovô!
Antiga imagem da sangria do Cedro-retirada da Internet

Imagem rara da primeira sangria do Cedro- retirada da Internet

Quixadá-anos 20-imagem retirada da Internet
Vovô Paidete





PRESIDENTE BRASILEIRO MORRE DE GRIPE ESPANHOLA


<>Há 100 anos, o mundo presenciou uma realidade totalmente distinta tomada por enfermidades e batalhas. Dos destroços da Primeira Guerra Mundial, surgiu uma praga que chegou a ser comparada a Peste Negra: a Gripe Espanhola. Ela teve tamanha força que conseguiu se propagar por toda a Europa, dizimando inúmeras pessoas.
O primeiro caso foi em 4 de março de 1918, no Kansas, Estados Unidos, onde vitimou um soldado em local de treinamento. Porém, esse registro foi apenas o estopim do que estava por vir, pois, passados seis meses o vírus destinou-se as terras brasileiras, sendo o Nordeste sua primeira hospedagem. A região que foi afetada com milhões de mortos, sendo os jovens adultos os mais contaminados.

Enfermeiras carregando macas das vítimas da Gripe Espanhola / Fonte: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos


Foi devido ao navio inglês Demerara, vindo de Lisboa, no qual posteriormente passou pelos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro, que em 23 de setembro, despontou a notícia de 55 marinheiros infectados com aquilo que na época foi denominado de dengue e até tifo, que poderiam ter vindas do porto de Dakar, durante as intervenções de guerra na costa da África. Com isso, os marinheiros levaram a epidemia para outras localidades portuárias. Resultando na proliferação, em poucas semanas, de novos casos do Nordeste e em São Paulo.
Houve muitas incertezas para aceitar que todos aqueles casos seriam consequências diretas da Gripe Espanhola, até porque, na época, os serviços públicos de saúde eram precários e o saneamento básico inexistente. Por isso, o problema foi capilarizado de forma sem igual. Não existiu acepção de pessoas, inclusive porque um presidente da república foi vitimado por ele.
É o caso de Francisco de Paula Rodrigues Alves, presidente da República eleito em 1º de março de 1918 para ocupar o cargo pela segunda vez. Sua condecoração estava marcada para ocorrer em novembro, mas foi postergada em razão da contaminação sofrida pelo vírus do tipo Influenza A, da subcategoria H1N1 – da Gripe Espanhola.
Alves, infelizmente não sobreviveu para continuar sua carreira política. Mas, como a constituição determinava na época, houve uma nova eleição em decorrência da vacância ocorrida antes da metade do mandato.

Rodrigues alves foi uma das inúmeras pessoas que foram vítimas da Gripe Espanhola   /Fonte: Wikimedia Commons


Quando olhamos para o governo que Rodrigues desempenhou nos deparamos com uma política higienista feita no Rio de Janeiro — então capital nacional —  por meio da nomeação do prefeito Francisco Pereira Passos, que realizou um “bota-abaixo” na cidade. O período em questão era o momento da política do café com leite, em que lideranças políticas de Minas Gerais e São Paulo se intercalavam na presidência.
Como já foi dito anteriormente, a incidência da Gripe Espanhola foi generalizada, pois acometeu líderes governamentais, celebridades, figuras de todos os matizes sociais pelo mundo. O Brasil foi apenas um dos países que foram vitimados pelo surto. 
Outro locais também tiveram o distúrbio, um exemplo disso foi com o rei Afonso XIII, da Espanha, que cooperou para a fama da pandemia. Além disso, o avô de Donald Trump e principal construtor do império da família, Friederich, foi também mais uma das vítimas. Ele faleceu aos 50 anos  no dia 30 março de 1918 –  poucos dias depois da eleição de Rodrigues Alves.
<>Fonte consulta- AH _AVENTURAS DA HISTÓRIA