quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

CINE YARA - O "SÃO LUIZ" DO SERTÃO"

Inauguração do Cine Yara em desenho de Waldizar Viana
 <><><>As lembranças dos quixadaenses, com relação ao "Cine Yara", ainda são muito fortes. Falar de Cine Yara é evocar coisas belas da terra dos monólitos. Crianças, jovens, adultos, todos ficavam fascinados com a magia da sétima arte. Foi José Adolfo, o grande nome do cinema, quem deu a ideia da construção do "Yara" para o senhor José Capelo. Foi, então, inaugurado em 20.09.1952, com a exibição do filme "O Castelo Invencível". O cinema foi também um símbolo de distinção social pois, existia um espaço denominado geral, frequentado por pessoas de menor poder aquisitivo e o das cadeiras especiais. Nas laterais do prédios, as luzes iam se acendendo, muito lentamente, anunciando o início da película. Foi nesta inesquecível sala exibidora, que os quixadaenses riram com as peraltices de Oscarito, Grande Otelo, Mazzaropi e se emocionaram ao assistir épicos de Hollywood, como por exemplo, "Os Dez Mandamentos"; "Sansão e Dalila"; "Ben-Hur" e outros. Permitiu, ainda, que os frequentadores conhecessem ídolos do rádio como Orlando Silva, Angela Maria, Nelson Gonçalves, os astros do movimento "Jovem Guarda", divulgados em inesquecíveis musicais. O "Cine Yara" era o templo da cultura e do entretenimento, naqueles anos dourados. Lendas do cinema se tornaram familiares na cidade, como Cary Grant, Marlon Brando, Kirk  Douglas, Jonh Waine, Burt Lancaster e muitos outros. As crianças imitavam esses astros, fazendo uso de um revólver de brinquedo, adquirido na mercearia do senhor Zé Metero, localizada na praça Coronel Nanan. Os adolescentes imitavam Elvis Presley com muita brilhantina(cosmético em forma de pomada), comprada no comércio do senhor Pedrosa. As meninas se sentiam como Audrey Hepbum, doce estrela do filme "Bonequinha de Luxo". Tabuletas, espalhadas em vários locais da cidade, anunciavam a programação do Yara". Acontecia, às vezes, das projeções serem interrompidas e aí, muitos gritavam, protestando, "Olha o roubo!". Na queda da energia, existia um motor por detrás do prédio e aí, o problema era solucionado. A praça Coronel Nanan era, na verdade, um seguimento da sala exibidora. Ali, aconteciam verdadeiros rituais, até a hora de adentrar ao cinema. Alguns, iam até a merenda do senhor Zé pinto, tomar aquele refresco(o refrigerante daquele momento). Como era costume, naqueles anos de poesia, os jovens ficavam circulando pela praça, quem sabe, a sonhar com um futuro amor. A praça explodia de uma alegria contagiante! E, aquele cheirinho de pipocas bem quentinhas! Mas, já dentro do cinema, os frequentadores ouviam aquele barulhinho das caixinhas de "mentex", usadas principalmente pelos mais jovens. Na bilheteria, a simpatia de dona Nina. Entregávamos os ingressos aos senhores, Chico Nascimento, Zé Paulino ou Pedro nunes. Os trabalhadores do cinema eram verdadeiros amigos dos frequentadores, como Dedé Sousa, Tarcísio, sebastião Mamede, José Adolfo, Luiz Marinho, Téo Miranda, João da Geral e Zé Fernando. Assim, como aconteceu com outros cinemas de rua, o querido "Cine Yara" também teve seu fim decretado pela invasão da televisão, do vídeo cassete, aí pelos meados dos anos 70. Nossa bela Quixadá conta com salas exibidoras de qualidade, confortáveis, modernas mas, não conseguem apagar as boas lembranças que os quixadaenses sentem do "Cine Yara", o inesquecível "São Luiz" do sertão". Na verdade, uma alusão ao famoso cinema da capital.
foto recente do inesquecível Cine Yara

Zé Adolfo deu a ideia para o surgimento do novo cinema

Dedé Sousa revisava e rodava os filmes

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

<>A SAUDADE QUE FICOU <> LADISLAU- FAZER O BEM FOI SUA MAIOR ALEGRIA

               <>Não é novidade que o grande segredo da verdadeira felicidade está em fazer o bem para alguém. Mesmo na correria dos dias, há pessoas que dedicam parte de seu tempo a motivar pessoas no seu  crescimento. São pessoas necessárias, que tornam possível um mundo melhor. Ladislau foi um desses anjos enviados por Deus para nos mostrar que nossa passagem por aqui é para dedicarmos parte de nosso tempo, no socorro aqueles que tem necessidades especiais e nos fazer ver que somos todos irmãos mesmo nas diferenças. Queridíssimo pela sua simplicidade, bondade  e caráter, permanece entre nós, aquela figura humilde, amável, prestativa e amiga. Ainda criança, quando já trabalhava na Padaria Estrela, conquistava as pessoas, pela forma gentil como tratava a todos. Logo ganhou a confiança do proprietário  Manoel Rodrigues da Fonseca que começou a se interessar pelos seus estudos. Apaixonado pela igreja católica, participava dos movimentos religiosos, chegando a dirigir grupos de jovens, tendo realizado um grande trabalho em prol das famílias do bairro "Alto de São Francisco". Foi um dos coordenadores do movimento de cursilhos, colaborando para uma convivencia cristã com maior intensidade. Presença constante na Associação de São Vicente de Paula, colaborando para a missão de caridade e ajuda ao próximo. Em 1972, casou-se com Joana D'arc Dias de Oliveira, com quem teve cinco filhos: Cristiane, Tony, Cleiton, João Paulo e Cidney. Nos momentos de alegria e de tristeza,  estava ao lados dos filhos que tanto amava. Como eles gostariam de tê-lo, sempre ao seu lado! Assim como nós também! José Ladislau de Oliveira nasceu no, hoje, município de Choró, em 27.06.1950. Faleceu em 11.10.1992, quando pilotava sua motocicleta. Ladislau, na sua permanencia, entre nós, deixou um rastro de bondade, de dignidade, cumprindo com resignação e sacrifício, a missão que lhe foi confiada por Deus. Tive o privilégio de conviver com Ladislau, especialmente devido a sua profissão de fotógrafo e me incluía dentre seus privilegiados amigos. Certa vez, encontrei-o ajoelhado no banco da igreja do "Alto de São Francisco" e lhe perguntei: "Por que você vem tanto aqui?". E ele, com aquela mansidão de sempre, me respondeu: "É aqui que encontro a paz, posso até chorar e ainda conversar com Jesus". 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

FRANCISCO DE ASSIS BRASILEIRO - O MÉDICO QUE AMAVA OS PACIENTES COMO A SI MESMO

<>Ha pessoas que nascem para realizar o bem e fazem desta condição, a sua razão maior de viver. Com certeza, se preocupar com  situação das pessoas, foi a maior felicidade vivida pelo médico Francisco de Assis Brasileiro. Este quixadaense(filho de João Brasileiro Filho e Antonieta Bezerra Silva), já na fase dourada de sua vida, na  doce juventude, se revoltava com a situação social de pessoas que não tinham direito a uma alimentação de qualidade,  uma escola que ensinasse lições de cidadania e que, enfim, desfrutasse de uma vida digna.  Ousou contestar a Ditadura Militar implantada em nosso país(1964-1985) e, como aconteceu com muitos jovens, foi vítima de grande violência mas sem que jamais tenha sido destituído de sua mente, o direito a liberdade de expressão, a luta por uma melhor qualidade de vida para as pessoas. Muitas vezes, o jovem Brasileiro foi visto na sua querida Quixadá(que tanto amava)  cantarolando a canção "Prá Não Dizer que Falei das Flores" de Geraldo Vandré, considerado um hino de resistência do movimento civil e estudantil e que sofreu forte censura dos idealizadores do Regime. Bastante querido, especialmente pelos jovens de quixadá, resolveu ingressar na política, sendo eleitor vereador com apenas 18 anos de idade, não chegando a concluir o mandato, por perseguição daqueles que viam no moço, um inimigo do regime totalitário. Chegou a ser preso, torturado, sofreu humilhações mas sem abrir mão do sonho de ver um país livre, com sua gente feliz.<> <>Teve que fugir do país, residindo inicialmente em Moçambique mas, pouco tempo depois, se transferindo para Portugal e, com grande esforço, muito estudo, ingressou na Faculdade de medicina. Sempre contou com o apoio do Senhor Zé Baquit, industrial e ex- prefeito de Quixadá, que o ajudou a concluir o curso na Universidade gaúcha de Santa Maria e Faculdade Federal do Ceará, isso depois do retorno ao Brasil. E foi como médico, que Francisco Brasileiro mostrou todo seu amor e dedicação as pessoas, sem levar em conta, cor, classe social, condição financeira. Amava os seus pacientes como a si mesmo, sendo ainda hoje lembrado por pacientes de Fortaleza(trabalhou durante algum tempo) e de Quixadá. A cura dos pacientes era seu principal comprometimento na profissão. <><> <>Humilde, dócil no trato com os amigos, compreendendo as diferenças, paciente com as pessoas idosas, Francisco Brasileiro marcou, de forna irreversível, seu nome no coração dos quixadaenses. Ele foi  um homem público, médico de muitos talentos mas, bem acima de tudo, um ser humano maravilhoso que amou a família, os pacientes e todos aqueles que sofreram injustiças. Por isso, permanece vivo em nossas lembranças. Francisco Brasileiro foi chamado por Deus para outras missões em 15 de julho de 1996. Receba o carinho de todos os quixadaenses, amigo Brasileiro!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

PALHAÇO PARAFUSO - 33 ANOS ALEGRANDO QUIXADAENSES DE TODAS AS IDADES

Palhaço Prafuso: a alegria das crianças quixadaenses
 <><>Nos anos 70, um palhacinho animava a feliz residencia do casal João da Cruz e Maria Alta, dando logo a entender o que pretendia ser na vida. Com pintura alegre no rosto, roupinha muito colorida, sapatinhos pequenos mas compridos, narizinho de bolinha, um sorriso cativante, aquele menino nos seus verdes 7 aninhos, fazia com que a família e vizinhos esquecessem, mesmo por pouco tempo, os problemas nossos de cada dia. E na sala da casa caía, pulava, subia em cadeiras, dançava, cantava, dava piruetas para todos os lados. Já adorava o circo, vibrava com trapezistas, domadores, acrobratas, dançarinos mas, gostava mesmo, era do palhaço. João Elder Tomé, tratado carinhosamente como pebinha, viria a se tornar, em pouco tempo, um mestre na arte de fazer rir, representando o personagem "Palhaço    Parafuso". Há muitos anos, arranca gargalhadas das crianças e adultos quixadaenses. É preciso destacar o pioneirismo do nosso pebinha. Ainda adolescente, realizava apresentações no quintal  de sua casa e, além de suas palhaçadas, se destacavam outros astros como mágicos, equilibristas. O acesso para acompanhar o espetáculo(a família assim chamava o show do filho), dava-se pela porta de entrada da casa. Havia a recomendação do palhaço adolescente: "Mamãe, as crianças que não puderem pagar, deixe entrar". Aquelas noites quixadaenses eram mais alegres e nem precisava de picadeiro, de lonas. A lua e as estrelas pareciam chegar mais perto para ver aquele circo improvisado mas, que era o mais bonito do lugar. E o palhaço Parafuso, no palco do quintal da sua casa, fazia a chamada para iniciar a apresentção: "Hoje tem marmelada?" E as crianças, numa alegria indescritível, respondiam: "Tem sim senhor!". O sucesso foi tão grande que Parafuso teve que buscar outros espaços. E assim, chegou a se apresentar na quadra da residência do médico Everardo Silveira que sempre apoiou o jovem artista e no galpão da fábrica do Senhor Renato Carneiro. Em pouco tempo, virou ídolo das crianças e sempre sendo convidado para apresentações em aniversários, batizados, festinhas nas escolas, shows beneficentes. Todos os anos, realizava
com grande sucesso, o show especial do dia das crianças, lotando clubes e praças. Passou a se apresentar em diversas cidades do Ceará e até em outros estados. Sempre teve a acompanhá-lo nas suas apresentações, dentre outros artistas, Everardo, Moca, Ruela. Parafuso jamais esqueceu da apresentação realizada pelo circo do famoso e querido palhaço Carequinha, na quadra do Colégio Estadual, em meados dos anos 70. Ficou encantado com o talento do grande astro que alegrava as pessoas, sem jamais apelar para baixarias.  O talentoso artista quixadaense há quase 40 anos, trabalha no "Duarte Drinks Bar" e sempre recebe o carinho das pessoas que o admiram como pessoa e talentoso palhaço. O nosso querido Pebinha é um grande artista da terra dos monólitos e, sem nenhum exagero, podemos afirmar ser um dos melhores palhaços em atividade no nosso estado. Certa vez, lhe perguntei como poderia ser definida a figura deste artista que nos dá tantas alegrias e Parafuso, assim nos respondeu: " Ser palhaço é fazer da alegria a razão de sua existencia. É também não deixar os outros perceberem que, às vezes, também é um sofredor.        


                                                                                                                                                                                                                
Palhaço Parafuso continua se apresentando para todas as idades

Parafuso tem  muitos admiradores

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A SAUDADE QUE FICOU: ALES: A DIGNIDADE DO HOMEM NÃO ESTÁ NO TAMANHO

Ales: a vitória contra o preconceito
 <> Sua estatura era de 1,20 m. Por causa do tamanho, da condição de anão, poderia ter sido bastante discriminado pela sociedade. Mas, Francisco Ales Bezerra ,viveu como qualquer semelhante de estatura normal: estudou, trabalhou, constituiu família, se divertiu muito. Evidente que, em algumas ocasiões, enfrentou problemas relacionados ao preconceito, por caraterísticas físicas fora dos padrões mas, nada que atrapalhasse o seu grande amor pela vida e pelos amigos. Filho de Morada Nova, nasceu em 31.12.1935, vindo, ainda adolescente, para a terra dos monólitos. Inicialmente, morou na residência da senhora Magela(esposa de Raimundo Nobre) e, com muito entusiasmo, estudou no então, Ginásio Valdemar Alcântara. Fez parte da primeira turma do curso ginasial e sua dedicação, seu esforço, foram enaltecidos na noite festiva da entrega dos certificados, ocorrida em 27.11.1960, nas dependências do próprio ginásio. Por ter se destacado nos estudos, o jornalista João Eudes Costa fez publicar no jornal 'O Povo", o feito daquele jovem que nunca faltou a um dia de aula.                                                                                                                                                           Ales trabalhou durante quase 20 anos, no escritório do senhor Aziz Baquit, ao lado de amigos como Murilo Viana, jacinto Gomes, Evandro, Jonas Rocha, dentre outros. Dedicado, honesto, gozava da confiança de toda a equipe de trabalho. A sua biografia se torna mais bonita, ao destacarmos uma linda, linda demais, história de amor. Bem próximo ao seu trabalho, funcionava o posto do "INPS" e naquele local, uma jovem muito bela, por nome de Liduina,esperava na fila, a hora do atendimento. Ales, no caminho para o trabalho, ficava a olhar, imaginando a oportunidade de comunicar seu encantamento. Numa linda noite de natal(todas as noites de natais são lindas), depois da missa na Catedral, os jovens foram à praça e, em meio aquela magia, declararam o amor de um para com o outro. E em meio a tantos jovens, tanta explosão de alegria, o passeio de mãos dadas; a parada na barraquinha para saborear o pedaço de bolo mais gostoso; a volta na roda gigante, pensando alcançar as nuvens e o tão sonhado primeiro beijo. O casamento aconteceu em meados dos anos 70, fazendo a alegria dos incontáveis amigos. Este grande e verdadeiro amor, durou até o falecimento de Ales, ocorrido em 19.07.1984. Desta união, nasceram os filhos Jaqueline e Junior, que fazem valer os ensinamentos dados pelo inesquecível pai. Os irmãos Edmar, Edvan, a eterna esposa Liduina, os filhos e os  amigos, jamais esquecerão aquele homem que nos mostrou, não ser a  condição física, um motivo para se indignar. Ao contrário, Ales amou o quanto pode, à vida, a família e os amigos. É por isso e algo mais, que não sai de nossas lembranças. Um abraço de todos nós, amigo ALES.
Ales(última fila), numa excursão com os colegas da escola a cidade do Crato-1960
Momentos de desconcentração com os amigos Clóvis e Evandro

réveillon-1969, Balneário

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

ZÉ BODEGA- CRAQUE DE UM TEMPO EM QUE SE JOGAVA POR AMOR

 <>Nos anos 50, o então adolescente José Augusto da Silva(Zé Bodega), recebia as orientação do treinador Manoel Abílio e vestia a camisa do Ypiranga, que marcou época na terra dos monólitos. Muitos desportistas ainda lembram daqueles craques que se apresentavam e enchiam os olhos da torcida, como por exemplo, Truman, Sassá, Dema, Zé Wilson, Adão, João do Pedro, Cleber, Carlos Capistrano, Tarcísio Nobre, dentre outros. Naqueles anos(50, 60, 70), havia muitos espaços e campos de treinamento eram improvisados pelos Times. Por exemplo, o Ypiranga realizava seus treinos, em frente a casa do senhor Elisiário. Além de enfrentar clubes locais como o forte time do Colégio Valdemar Alcântara, a equipe se apresentava em outros municípios e isto acontecia mais vezes, na vizinha Quixeramobim. A rivalidade era enorme, sendo necessária, em algumas situações, a presença de policiais nos campos de jogos. Zé Bodega, apelido colocado, em função de sua atividade comercial, também defendeu a equipe do treze, comandada por joão Marcos. Com o uniforme idêntico ao do Ceará Sporting, conseguiu angariar a simpatia de muitos torcedores. Se apresentando bem nessas equipes, sendo atacante de qualidade,  logo foi convidado para jogar no Bangu, equipe consagrada e detentora de muitos títulos. João Eudes Costa e toda a diretoria recebeu de braços abertos, a nova aquisição. Jogou ao lado de Wagalume, Catolé, Flávio, Gibi, Mano, Benedito Maia, Cacete(irmão), Tarcísio Nobre, Nonato. Zé Bodega nunca esqueceu de uma apresentação, desta vez, defendendo o Avante, em Limoeiro do Norte.  A seleção de Limoeiro do Norte era muito forte, naqueles anos mas o tricolor quixadaense venceu por "1 X 0", gol marcado pelo Cacete, irmão do Zé. Mas toda a jogada que redundou no gol, foi trabalhada por Zé Bodega que, inclusive, recebeu convite para ir morar e jogar, naquela cidade, o que não foi aceito.A equipe quixadaense viajava em duas kombis, de propriedade do Senhor Zé matias, quando se apresentava fora de Quixadá. O craque era amigo de todos mas, principalmente, do treinador Edinho e de Adão, colega de time. Foi convocado por Saldanha e defendeu a seleção quixadaense que disputou o Intermunicipal, de 1961, onde outros craques se destacaram, como Wagalume, Zé Leônidas, Perpétuo, Epitácio e Neco. Os três últimos, paraibanos. O prefeito desportista Zé Baquit, mandava busca-los em suas cidades de origem, em dias de jogos. Antes do Quixadá Futebol Clube, a nossa Seleção era o "xodó' da torcida.                                                                                                                                                                                                  Paralelo a sua atividade como atleta, Zé trabalhava com muito afinco, exatamente para que nada faltasse a família que tanto amava. Trabalhou com o Senhor Gersário, Zé Crispino, Afonso Carcará. Casou-se em 1967 com Antonieta(Pitonha) e desta união nasceram os filhos Paulo Sérgio, Carlos Eduardo, Maria do Socorro, Maria das Graças, Ivana. O craque foi chamado por Deus em 18.12.2010. deixando muitas saudades na família, amigos e desportistas. Com certeza, Zé Bodega tem um cantinho reservado no coração daqueles que apreciam o futebol, jogado com amor.
Com o craque e melhor amigo Adão

doce juventude, anos 70, no açude do Cedro

Com Francisco e Tutu, decada de 2000

Depois de uma operação-o apoio de todos

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

TIPOS POPULARES DE QUIXADÁ(9): PEDÃO DA ÁGUA BOA- UM SÍMBOLO DA CIDADE

O colorido tambor chama a atenção de todos
 <>Assim, como em outras cidades, a bela Quixadá também tem seus tipos populares. Eles significam a alma das ruas, dão vida e personificam, com seus estilos comportamentais, a alegria, o otimismo, a simplicidade. Deles, recebemos grandes lições de amor à vida, desprendimento, desapego as convenções impostas por uma sociedade que se caracteriza pelo "sempre ter mais". O senhor Pedro Nogueira Viana, conhecido como "Pedão da água boa" se enquadra, perfeitamente,  neste perfil. Desde 1957, quando tinha 17 anos, este pacato senhor trabalha como carroceiro, abastecendo as casas com água, um bem tão necessário a vida. Seria apenas mais um, não fosse o fato de exercer o trabalho de uma forma bem diferente, criando uma forma toda especial de comunicação com as pessoas, fazendo uso de um "marketing" próprio, divulgando o seu produto, enfeitando de cores e acompanhada de frases, o tambor de sua carroça. "Mamãe chegou o Pedão da água boa", curiosa frase que está bem à mostra, no tambor, todo colorido de azul, vermelho e branco, com as cores de seu time de coração, que é o Fortaleza Esporte Clube. Pedão nos informou que pegou esta frase de uma criança, avisando a sua mãe da chegada do alegre trabalhador. É claro que Pedão virou uma atração na cidade, um personagem muito interessante e que sempre atrai a atenção, inclusive da mídia, já tendo sido motivo de várias matérias, algumas com grande repercussão.                                                                
                                                                                    Tudo começou quando seu tio, Chico medonho, lhe pediu que tomasse conta de sua carroça, pois iria desenvolver outras atividades. E o jovem aceitou o desafio. Quixadá era ainda uma cidade muito pequena e pacata, nos anos 50. Alguns de seus companheiros de profissão eram Raimundo Rufino, Afonso da carroça, Joãosão, Zé Grande, Malaquias, Seu Liliu. Segundo nos informou Pedão, no bairro do São João, sua morada ainda nos dias de hoje, só existiam umas vinte casas. Durante muitos anos, abasteceu o velho mercado público, Campo Novo e outros espaços da cidade. A água, então, de ótima qualidade, era retirada nos canais do açude do Cedro e esta atividade, acontecia até a chegada da noite. Se faz necessário informar que os carroceiros quixadaenses, naquele tempo, forneciam água para o funcionamento do precário sistema energético de alguns equipamentos.                                                                                                Sempre ao seu lado e tornando possível, uma linda história de amor, a doce Mirtes é a grande companheira de todas as horas. Enfrentaram muitas barreiras mas, venceram todos os obstáculos. Casaram-se no dia 30.10.1965, na catedral, com as bençãos do Padre José Bezerra Filho. Desta união, nasceram os filhos: Luis Alexsandro(trabalha com o pai), o
 professor Claudemir, Reginaldo, Wladimir, Pedro Junior, Lindovânia e  Lindaiana. Com certeza, ao desenvolver esta simples atividade, os carroceiros nos mostram que é possível  viver com dignidade, criar a família, mesmo na modernidade. O radialista Alexandre Magno(trabalhou na pioneira Rádio Uirapuru e Monólitos), definiu, com muita propriedade, a figura de pedão da água boa: " Ele é um cronista da cidade, uma mistura de trabalhador e repórter, pois na sua labuta diária, toma conhecimento do que acontece e divulga o incontrolável crescimento da terra dos monólitos! Ele é um símbolo da bela Quixadá!"                                                                                                                                                                                                                                              
Pedão- tipo popular muito querido

Ainda jovem, virou atração na cidade

Anos 70- assistindo o crescimento da cidade

Mirtes e Pedão - anos 70 - uma linda história de amor