terça-feira, 29 de julho de 2014

CANAIS DE IRRIGAÇÃO DO AÇUDE CEDRO EM QUIXADÁ-CE

A presente matéria foi extraída de um relatório de atividade de campo feita por uma equipe de alunos do Curso de Direito da Faculdade Católica Rainha do Sertão, na disciplina de Direito Ambiental (9º semestre), composta pelos alunos: FRANCISCO SARAIVA/ HUGO FERNANDES/ JOAQUIM NETO/ LUIS ANTONIO, que utilizaram-se de fotografias para registrar a atividade realizada, tendo início no nascedouro do canal principal, que fica na torre de controle de dispersão de água, localizada na parede da barragem principal do Açude Cedro, percorrendo do canal principal, e suas ramificações laterais, até as comportas distribuidoras (denominada pelos nativos de “repartidouro”), local aonde o canal se divide em dois: o canal norte e o canal sul, que formavam um perímetro irrigado na cidade de Quixadá.

Galeria principal de dispersão de água.
Não seria exagero dizer que os canais de irrigação visitados, e o próprio complexo do Cedro representa um dos primeiros grandes projetos de interferência do homem na natureza visando o desenvolvimento econômico no Brasil, levando-se em consideração que na época de sua construção, o seu objetivo era criar um reservatório de água, capaz de modificar aquela triste realidade em razão dos períodos de grandes secas que o Estado do Ceará passou, principalmente entre os anos de 1877 a 1879, onde cresceram na época os chamados “currais da fome” (era o local cercado com arame farpado aonde as pessoas flageladas eram aglomeradas como gado, e na saída recebiam mantimento, em geral foram criados para evitar que os vagantes chegassem até a capital, Fortaleza).
Segundo o historiador João Eudes Cavalcante Costa, em seu livro Retalhos da História de Quixadá, por todo o estado do Ceará, bem como em Quixadá, “... os gemidos da fome se tornaram tão fortes, não pela fortaleza dos que sofriam, mas pela quantidade, cada vez maior, dos que padeciam as agruras da terrível seca” (COSTA, 2002. Pág. 34), referido sofrimento, despertou o império adormecido, tanto é que existe a famosa frase atribuída a D. Pedro II, que ordenou: “Venda-se o ultimo brilhante da minha corroa, contanto que não morra nenhum cearense de fome”.
Nesse contesto foi construído o açude do cedro, com seus canais de irrigação, projetado inicialmente para irrigar uma área de 1.000 (mil hectares de terra), sendo que a sua construção levou 22 anos.
Ainda conforme constatação histórica em seu livro, João Eudes, atribui ao complexo do cedro e seus canais de irrigação, a própria expansão da cidade de Quixadá e o desenvolvimento da região: “... O açude do Cedro que representa um belíssimo cartão postal para quem nos visita, mostra a sua importância para um município, a quem norteou o caminho de seu desenvolvimento cultural e econômico..." (COSTA, 2002, pág. 63).
Segundo João Eudes, no auge de seu desenvolvimento impulsionado pela riqueza da água que se espalhava com abundancia e com aproveitamento planejado, Quixadá foi exportador de frutas, pois tanto do lado norte quanto do lado sul da cidade, havia grandes plantações de frutas e hortaliças, (locais hoje substituídos por grandes empreendimentos imobiliários), além do mais, nos arredores do açude do Cedro, existiam cerca de trezentos assentados ou como são denominados arrendatários.
Para se ter uma ideia da dimensão e da importância do açude Cedro e seus canais de irrigação para a região, no ápice de seu desenvolvimento econômico, Quixadá se tornou o maior produtor de algodão do nordeste, concentrando grande poder econômico com a abertura de fabricas de processamento de derivados do algodão, o chamado “ouro branco”, conforme João Eudes, que também foi funcionário do Banco do Brasil, o banco chegou a aportar cerca de 10.000 (dez mil) financiamentos agrícolas para a região.
Além do mais, o complexo do Cedro se insculpiu nas próprias formações rochosas, e seu impacto ambiental embora não tenhamos encontrado registros, dada a situação e o período de seca, é possível deduzir, que qualquer impacto ambiental causado pela construção da referida obra, certamente melhorou e potencializou a fauna e flora existentes, além do mais, aos que observam, o açude do Cedro se incorpora a beleza do local, formando um par perfeito com a "galinha choca".
No complexo do Cedro, também se desenvolveu o primeiro horto de reflorestamento do nordeste, onde posteriormente foi criado o órgão denominado ACOCECE, e após um ano de funcionamento do horto, já dispunha de 104.255 exemplares das diversas espécies selecionadas para reflorestamento (utilizada principalmente por onde se instalava a estrada de ferro no Ceará).
Pode-se concluir que o açude do Cedro foi e ainda é um grande potencial para o desenvolvimento da região, representando não só uma relação de preservação do meio ambiente (fauna e flora), pois trouxe água de forma abundante garantindo maior viabilidade, mas foi essencial para o desenvolvimento sustentável da cidade de Quixadá e da região, em uma época em que preservação do meio ambiente não tinha a conotação atual, mas que possibilitou a própria existência e sobrevivência dos sertanejos tão castigados pela seca que se beneficiaram com a sua construção.
Canal principal

Desta forma, utilizando-se das palavras do historiador João Eudes Cavalcante Costa, “não haverá valor maior para a região nordestina do que a contenção das águas e o seu aproveitamento racional em benefício de todos que se dedicam às atividades rurais no polígono das secas”e completa:

Valeta distribuidora


"... a irrigação provou, através do Açude do Cedro, que será a redenção de um povo, que não pode continuar escravo dos caprichos de quem o governa e daqueles que o querem dependente. Assim, será muito mais fácil tangê-lo para os humilhantes currais eleitorais, onde ferrado como animais, coagido e obrigado a manter, no poder, os incompetentes e corruptos, políticos profissionais, escravocratas do ideal de um povo..." (COSTA, 2002, pág. 63)

Vista da parede da barragem principal
Concluindo com o desabafo:

“... Para o turista que não tem obrigação de conhecer a nossa história, até que se admite ignorar o que aquele reservatório representou para Quixadá. Na realidade, a visão do açude do Cedro é encantadora e deixa embevecido o visitante.
Enquanto para os quixadaenses, o desconhecimento da influência do Cedro para o nosso desenvolvimento e o que ainda representa para que Quixadá permaneça entre as mais importantes cidades do Estado, é imperdoável”, (COSTA, 2002, pág. 53)

Torre das comportas

DADOS DO RESERVATÓRIO

Capacidade...................................... 125.694.200 m3
Profundidade máxima.............................16 metros
Profundidade média...............................6,3 metros
Área da bacia hidrográfica.......................210 km 2
Área desapropriada da b. hidráulica......6.700 ha
Parte submersível da b. hidráulica..........2.180 ha
Contorno da bacia hidráulica.......................91 km



DADOS DA IRRIGAÇÃO
Extensão dos canais principais...............................................................................14.570 metros
Extensão das derivações de primeira ordem..........................................................16.570 metros
Valetas distribuidoras.............................................................................................43.930 metros
Extensão da área irrigada..................................................................................................500 ha
Extensão da área irrigável..............................................................................................1.000 ha

Outro trecho do canal principal

Comportas distribuidoras (norte e sul) "repartidouro"

Comportas distribuidoras (norte e sul) "repartidouro", visão invertida.
Historiador João Eudes com integrantes da equipe de pesquisa
Todas os dados apresentados tiveram como orientação o Livro Retalhos da História de Quixadá, e complementados em conversa direta com seu autor, o historiador João Eudes Cavalcante Costa, um quixadaense apaixonado por sua terra, a quem agradecemos por suas valiosas informações, bem como ao professor de história e radialista Amadeu Filho, por sua contribuição em possibilitar o encontro da equipe com o referido historiador.<>


CONSTRUTORES DE QUIXADÁ<> JOÃO RICARDO SILVEIRA<>O TRABALHO E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS EM PRIMEIRO LUGAR

<>Razão tem até demais o escritor João Eudes Cavalcante Costa, ao afirmar categoricamente que,  quixadaense não é apenas aquele nascido na terra dos monólitos, mas também, os que contribuíram, de forma marcante, para o engrandecimento da bela cidade. Encaixa-se, perfeitamente, neste perfil, o comerciante e produtor rural, João Ricardo da Silveira, nascido em Pacoti, cuja beleza teria inspirado o poeta João Gonçalves Dias, muito antes de se tornar município, no século 18, levando-o, como creem alguns historiadores, a criação dos imortais versos:"Não permita Deus que eu morra/Sem que volte para lá/Sem que desfrute os primores/Que não encontro por cá/Sem qu'inda avista as palmeiras/Onde canta o sabiá/. Filho de Antônio Ricardo Silveira e Apolônia Apolinária Silveira, nasceu no dia 01 de maio de 1907. Seguindo os passos do pai, logo demonstrou interesse pela atividade agropecuária, considerada a mais poderosa locomotiva do progresso brasileiro. Em 1935, com 28 anos, veio morar em Quixadá, aonde, com certeza, poderia desenvolver suas atividades e cuidar do futuro das crianças. Apesar da grande vocação para o comércio, a preocupação com a educação dos filhos afetava o coração de João Ricardo. O aprendizado dos filhos sempre foi, aliás, o objetivo  primeiro do casal.                                                                                                                                                                                                                       Inicialmente, um armazém de cereais foi sua primeira atividade na cidade. Amável no trato com as pessoas, logo conquistou um grande número de fregueses e amigos. Abastecia uma grande parcela do comércio varejista, o que permitiu-lhe comprar algumas propriedade rurais. Conhecendo, aprendera com o pai, a trabalhar na agropecuária, sabendo da importância da água e do solo, recursos naturais indispensáveis para esta atividade, comprou fazendas em espaços que permitiam a criação de rebanhos, mesmo em tempos de ausência de chuvas. A proximidade com o rio Banabuiú, permitiu que as fazendas apresentassem ótima colheita agrícola, a formação de um expressivo rebanho, tanto para o corte, como para a produção de leite. Preocupava-se com a situação de seus colegas pecuaristas e para tanto, foi criada uma cooperativa com o objetivo de defender os seus interesses. A terra dos monólitos conquistou o bom homem que ficava feliz com o progresso da bela cidade.                                                                                                                                                                                                                           João Ricardo é pai de Ednardo, Everardo, João Bosco, Edvaldo, Eunardo, Ednilson, Ednildes e Ednilce. Faleceu em 5.12.1986, deixando em seu convívio, entre nós, um rastro luminoso. Lembro que, ainda criança, na bodega do meu pai no velho mercado, João Ricardo fazia as compras e dizia: "Seu Amadeu, minha maior alegria é que meus filhos estudam em bons colégios da capital!!"É Por isso e muito mais, que permanece vivo nas lembranças dos filhos, que o amam muito, e claro, também na saudade dos incontáveis amigos. Não há nenhuma dúvida: "JOÃO RICARDO SILVEIRA É UM DOS CONSTRUTORES DE QUIXADÁ" -                                                                                                            .............................................   ..................................................  .....................................................                                        

quarta-feira, 23 de julho de 2014

WAL TAVARES A MURALHA QUE A TORCIDA QUIXADAENSE NÃO ESQUECE

WAL: A muralha
 <> Numa linda tarde dos anos 60, na rua Tenente Cravo(conhecida como rua do prado) e onde dizem que as estrelas são mais bonitas, o casal Francisco Tavares e Maria Teresa acompanham num velho rádio "Semp", o jogo final da copa do mundo de 1962, no Chile. Como um foguete, um menino entra na sala e dispara: "Papai, Mamãe, quando crescer, quero ser igual ao Gilmar". Fransquinho Tavares então falou que, para ser um grande goleiro, como o da seleção brasileira, tinha que estudar muito e nunca faltar as aulas do Colégio do Padre. Este garoto era Francisco Edwaldo Freitas de Sousa, o WAL, que viria a se tornar um dos grandes goleiros do futebol cearense, tendo brilhado no Quixadá Futebol Clube, Icasa, Guarany e foi também, ídolo no futebol de salão, defendendo as cores do Balneario, Penarol(comandado pelo Célio Oliveira),  Tiro de Guerra(time formado pelo sargento Paulo). Mas WAL não começou atuando como goleiro. No campo do Via Férrea, jogava na zaga da equipe do Santos, time montado pelo hoje comentarista, Everton Lopes. Um dia, o goleiro Farinha faltou ao treino do time do Quartel e o Sargento Moésio mandou aquele adolescente ficar no gol com a recomendação de que não poderia falhar. Para surpresa de todos, WAL fechou o gol, pegou todas. "Não deixou passar nem mosquito", como se dizia naquele tempo. Aos 16 anos, foi convidado por Manuel Bananeira(seu grande professor) para jogar no Balneário. Neste grande time de nosso salonismo, encontrou grandes goleiros como Valdenir, Lamartine e Marco Aurélio. Jogou ao lado de outras feras, como Camurça, Romero Filé, Genésio, Zé de Barros, Helano, Tim, Blasco. WAL sagrou-se 8 vezes campeão municipal, defendendo o clube alvi verde. Nunca esqueceu um presente que recebeu de seu querido pai, Fransquinho Tavares, ainda criança. Foi uma camisa, toda preta, mangas cumpridas, número 1 nas costas. Seu pai era grande admirador do goleiro Lev Iashin, conhecido como "aranha negra", da URSS. Nos botequins com os amigos, comentava ser pai de um garoto que um dia seria um grande goleiro e igual ao "aranha negra".
                                               Convidado por José Abílio, passou a defender o Quixadá Futebol Clube, um grande sonho. O presidente o viu atuando na escolinha do Bangu e equipe do 13 de maio(equipe dirigida por Joaquim Barbosa) e não teve dúvida em levá-lo para o canarinho. Encontrou no técnico Freitinhas, o apoio necessário para seu novo momento. Com 17 anos, já era goleiro de uma equipe profissional. Mas esperou algum tempo para se firmar como titular e ganhar a confiança da torcida. Lá encontrou alguns atletas amigos como Tomé, Helano, Lucivaldo, Zenóbio, Romero Filé, Airton, Gaguinho e outros. Estreou no gol do Canarinho, numa partida amistosa contra o Ferroviário. Em jogo oficial, sua estréia foi em Juazeiro do Norte, contra o Guarani, entrando no decorrer da partida. O seu jogo inesquecível foi aquele em que defendeu um Pênalti, já nos acréscimos, num jogo memorável contra o Ceará. O time da capital precisava vencer para chegar a final do certame cearense e teve esse pênalti à seu favor, numa marcação duvidosa da arbitragem. A consagração do goleiro foi ainda maior porque este jogo era o de número 13 da loteria esportiva. WAL foi escolhido o melhor da partida e foi destaque em programas da "TV".
                                               Atualmente, WAL é professor de Educação Física, exercendo a atividade em diversos estabelecimentos escolares da terra dos monólitos. É casado com a professora Goréti Guerreiro e desta união nasceram os filhos Bruno e Victor, seus maiores tesouros. Sempre lembra com muita saudade dos queridos irmãos Professora Júlia, Eduardo e Ednardo, hoje todos morando com Deus. O ex craque lembra que os maiores goleiros que já viu atuar foram Lulinha, Hélio Show, Manga, Gilmar, Mundinho e, principalmente, Mafia. Torcedor fanático do Botafogo, acompanha todos os jogos do seu querido alvi negro. Ainda hoje, se emociona quando um torcedor o reconhece na rua e fala: "Você foi aquele goleiro que pegou pênalti contra o Ceará!". WAL não perde um só jogo do Canarinho e torce durante os 90 minutos. Seu grande sonho é a criação de um espaço para divulgar a história do futebol quixadaense. Não há como negar, WAL foi um grande ídolo da torcida canarinha! E dela ganhou o apelido carinhoso de "A Muralha".

WAL no Quixadá F.C de 1984- é o último da esquerda(em pé)
O maior tesouro, a família. Bruno, Goréti e Victor

WAL também brilhou no salonismo

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quinta-feira, 12 de junho de 2014

JOÃO PIRES - UMA GRANDE SAUDADE

João Pires- A alegria em primeiro lugar
 <>Segundo Camilo Castelo Branco, a saudade pelo vivos é dor suave. Saudade que machuca, aquela que dói prá valer, que parece mesmo tirar um pedaço da gente, é quando sentimos a falta física de alguém que gostamos muito. É realmente uma dor incurável! Mas como a vida tem que seguir, só nos resta lembrar daquelas pessoas que tanto momentos bonitos nos proporcionou. Com certeza, é desta maneira que deveremos sempre lembrar de uma figura que mostrou que a vida pode ser sim, muito bonita, alegre, compartilhada. Lembrar a leve figura de João Ferreira Pires é nos alimentar de boas recordações. É como se ele estivesse aqui entre nós porque é impossível esquecer alguém que fez do profundo amor para com todos, a sua razão maior de viver. A nossa bela Quixadá vem crescendo a passos largos, não é mais aquela pequena cidade dos anos 60, 70 do século passado. Vem perdendo aquele lindo jeito de cidade do interior. Hoje, é uma cidade universitária e um grande número de universitários são despejados na terra dos monólitos, todos os anos. As novas tecnologias mudaram a forma como as pessoas se relacionam. Aquela convivencia na praça, o papo nas calçadas, os encontros nos pontos comerciais, desaparecem com a explosão urbanística que estamos presenciando.

Fernando Tomé- grande amigo
    Não se conheceu outro espaço de tantas alegrias, tantos sorrisos, do que encontrado na famosa padaria de João Pires. Ali, apesar de um espaço comercial, se transformou no grande encontro dos amigos, a qualquer hora do dia. Os fregueses, já acostumados com aqueles encontros, nem se importavam. A cachacinha, um gostoso peixe preparado pelo Fernando tomé, as estórias muito engraçadas contadas pelo Fransquinho Tavares, as presenças, sempre muito alegres, de Sinval Carlos, João eudes costa, Aziz Baquit, Everardo Silveira, Cícero Bertoldo, Amadeu Ferreira, Luquinha e de muitos outros, transformava aquilo tudo num pedacinho de céu. Um de seus filhos, Marcos Pires, batizou aquele ponto comercial de " O Quartel General da Falsidade". Na verdade, uma gostosa brincadeira, pois todos ali eram verdadeiramente grandes amigos. Situações realmente incríveis ali aconteciam, como por exemplo, o fato de alguns fregueses comprarem pão no velho fiado e ainda pedirem dinheiro emprestado. Só que, a quantia emprestada pelo João, servia para diminuir a conta já devida. Nessas horas, o bom homem recebia um corretivo da querida Dona Alzira, a sua grande companheira. Segundo o Senhor Ananias que trabalhou por 25 anos na padaria do bom homem, ele criava até um casal de leões, somente para alegrar as pessoas. Os funcionários preparavam o pão, com bastante medo pois os animais ficavam separados apenas por uma parede. Ananias nos informou ainda, com lágrimas nos olhos, que, quando algum funcionário adoecia, João e Alzira preparavam um chá e dava remédios.  Da biografia de João, consta que integrou a Força Expedicionária Brasileira no sangrento conflito da Segunda Guerra Mundial. Este heroísmo do filho, muito alegrou o seu pai José Ferreira Pires.
Sinval Carlos- O "Pirão" deixou muitas saudades 
Felizes daqueles que tiveram a chance de conhecer e conviver com este homem que fez da vida, uma coisa tão descomplicada, tão boinha(como se diz no sertão). O "Pirão", como era carinhosamente chamado pelos amigos, foi chamado por Deus no ano de 1993, deixando na sua passagem entre nós o exemplo de bondade, simplicidade e amor a todos, clientes e amigos. Enquanto existir pessoas alegres nesta vida; pessoas que façam valer a simplicidade, a lealdade, a solidariedade, tu viverás também, amigo PIRÃO!
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terça-feira, 27 de maio de 2014

JOSÉ MARIANO: A VOZ E A VIOLA QUE ENCANTOU OS QUIXADAENSES

Zé Mariano - Mito da poesia popular
 <><>Os grandes desafios da cantoria de viola foram, durante algum tempo, a maior diversão das cidades do interior do Nordeste. A cantoria de viola improvisada atraía muitas pessoas que se alegravam com aquelas estrofes ritmadas e metrificadas por autênticos gênios do repente. Quixadá foi uma cidade privilegiada, pois conheceu destacados representantes da arte do improviso, como Cego Aderaldo, Alberto Porfírio, dentre muitos outros. Merece também figurar no céu estrelado da poesia popular, o repentista Zé Mariano. Na Quixadá dos anos 50, 60, 70 do século passado, a performance oral do talentoso astro atraía muitos admiradores até o bar do Queiroz(hoje depósito da loja"O Chefe") e também ao ponto comercial de Dona Francelina, exatamente naquele espaço do Posto Quinzinho. Mas também, era possível vê-lo se apresentar  no Mercado da cidade e várias localidades da zona rural. Se apresentava alguma vezes, apenas tendo a viola como companheira, mas era no desafio, na chamada "peleja" que se sentia realizado. Gostava mesmo que o provocassem para o desafio. Mas bom destacar que, como possuidor de bom caráter, se considerava amigo de todos os colegas do rfepente. Chegou a cantar com Alberto Porfírio, Zé Limeira, Zé Grande, Adalberto Monteiro, Zé Sinval, Edmundo Rodrigues, Chico Miguel, Pedro Nicolau e outros.
Agamenon cuida de preservar a memória do pai
           Segundo o pesquisador da cultura popular e também poeta, Erasmo Barreira, a sua marca maior e que revelava todo seu talento e genialidade, foi cantar fazendo uso da sextilha dobrada. Ele sabia, como poucos, se utilizar da fórmula exata deste recurso da poesia. José Mariano de Lima nasceu em 3.11.1909, no sítio São José, município de Assaré. Conterrâneo e contemporâneo de Patativa do Assaré, se apresentou com o poeta em diversas oportunidades, aprendendo diversas lições deste astro, hoje conhecido e estudado em diversos países. Sempre afirmava que Cego Aderaldo era o "Deus dos poetas cantadores". Zé Mariano percorreu muitas cidades do Nordeste, mas escolheu Quixadá para estabelecer morada, depois de ser abraçado pelas pedras que tão bem acolhem os que nos procuram. Morou na chamada rua das pedras(Benjamin Barroso) até ser chamado para outras missões em 3.3.1988, aos 79 anos. Foi pai amoroso de Plínio(falecido), Plício, Agamenon, Marlucia, Dulce, Gilberto, Chaguinhas, Mizael, Daniel. Aquela que podia ser considerada como um anjo da guarda foi Maria Nobre de Sousa que sempre esteve ao seu lado, nas horas alegres e de dificuldades, inerentes a todo ser humano. Ao completar 65 anos, perdeu a visão, passando a ser chamado pelos incontáveis admiradores de "Cego Mariano". Neste momento de sua vida, os seus olhos passaram a ser seus filhos que o guiavam para os mais diversos locais. Se tornou uma cena presente em Quixadá, Agamenon e outros filhos, o conduzindo com muito amor e presteza. Zé Mariano tinha muitos admiradores e amigos, entre os quais, o médico Everardo Silveira, Gilberto Pereira, Eurípedes Pinheiro, Valter Ferreira, Amadeu do velho mercado e muitos outros. Foi um extraordinário poeta popular e, com certeza, sua memória deve ser lembrada e também divulgada, para que as novas gerações possam seguir os seus passos e assim, valorizar e não deixar desaparecer a bela poesia nordestina. O querido cantador deixou uma canção intitulada "Acorda Maria" que ainda hoje, é apresentada pelos seus seguidores: "Acorda Maria, vem ver como o dia começa a raiar/ E os passarinhos vem deixando os ninhos e vem romper no ar/ Neste momento, todos elementos me obedecerão/ Vem mostrar-me o afeto de um amor completo em meu coração/ Acorda Maria! Meu anjo arcanjo tem pena de mim/ Seu amor me mata numa serenata que não tem mais fim/ Eu me vou partindo, já estou saindo e vou por ti chorando/ Tu, meu anjo lindo ficará dormindo, comigo sonhando./ Miguel Peixoto, grande admirador de Zé Mariano, estava preparando a biografia do poeta e iria publicar um livro, mas tal projeto foi interrompido, devido a sua morte. Ainda bem, Cego Mariano está presente no imaginário dos amantes da cantoria. Ele deixou seu nome inscrito na galeria dos grandes mitos do repente.

Miguel Peixoto estava escrevendo a biografia de Zé Mariano
Para Erasmo, Mariano foi um dos maiores divulgadores da cultura popular


sábado, 17 de maio de 2014

FLÁVIO: SAUDADES DO CRAQUE E DO AMIGO

 <>Zagueiro é uma posição no futebol que ,historicamente, privilegia o chamado "futebol força", mas alguns destoaram dessas características e praticaram um futebol de alto nível técnico que enchia os olhos da torcida. Os quixadaenses tiveram o privilégio de ver em ação,  um craque que era possuidor de um estilo leve e solto de jogar, sempre protegendo a sua área, uma capacidade incrível de roubar a bola do adversário mas sem nunca apelar para a violencia. Além de craque de reconhecido talento, FLÁVIO foi uma pessoa que gozava do carinho de seus incontáveis amigos, pois extremamente bom e generoso. Seu grande momento no futebol foi defendendo as equipes do Bangu, Avante, 13 de Maio e a seleção quixadaense que participou do torneiro Intermunicipal. Mas também brilhou no futebol da bola pesada, sendo um dos preferidos do técnico Manoel  Bananeira que afirmava ser Flávio, um dos melhores do futebol cearense na sua posição. Jogou ao lado de outras feras do gostoso futebol quixadaense dos anos 60, 70, 80 como Adão, Zé Leônidas, Paulo Cotó, zé Bodega, Chiquinho Galo Duro, Oliveira Ceará, Djalma, Argeu,Vilmar, dentre outros. Flávio teve como seus principais treinadores, Freitinhas, Edinho e joão Eudes Costa. Este último, certa vez afirmou que FLÁVIO tinha condições de jogar em qualquer equipe do futebol cearense. O seu companheiro de equipe e amigo Argeu sempre enalteceu  suas qualidades de  como atleta e amigo.  Exerceu o ofício de bancário, durante muitos anos, começando por Brasília mas em seguida, na sua querida Quixadá, Redenção, Baturité, Barbalha. Passou ainda pelo estado de Goiás e por último, Juazeiro do Norte. Funcionário exemplar sempre mostrando excelência no atendimento aos clientes, respeitando os companheiros de trabalho e sempre focado nas tarefas a serem cumpridas.  Francisco Flávio Bezerra nasceu na terra dos monólitos em 1948, filho de Jose Edilson Bezerra e Maria Cleide Bezerra. Era irmao do Cesar Gaguinho e Ary Dinamite(tambem craques). Foi casado com Fatima Cavalcanti e desta união nasceram os filhos Alessandra, Flavia, Paloma, Trícia e Giordano. FLÁVIO foi chamado por Deus para outras missoes no ano de 2001, sob o carinho da esposa, a dedicada Fátima, filhos e dos muitos amigos que soube cultivar na sua curta existência. Para os filhos ele foi aquele pai amoroso, um herói, cheio de garra para oferecer uma boa educação. Quanto mais o tempo passa, aumenta a admiração dos filhos por aquele homem que fez de sua família a razão maior de sua existência. As mais belas jogadas de FLÁVIO ainda estão na lembrança dos torcedores quixadaenses. Um craque de mão cheia, como bem definiu o jornalista Jonas Sousa em matéria no jornal " Tribuna do Ceara".
Flávio brilhou também no salonismo
Com os amigos Zé Wilson, Zenóbio e Zé Bodega

Numa formação dos anos 70: Flávio, Lucivaldo, helano, Sinca, Célio Doval, Raul e Manguleira

Também se destacou no futebol de campo- Flávio é o sexto(da esquerda para a direita, em pé)



sábado, 12 de abril de 2014

AGENTE DE EMPRESA DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO JÁ FOI CRAQUE DO QUIXADÁ FUTEBOL CLUBE

 Começou a defender as cores do canarinho, no começo dos anos 80, já beirando os 30 anos.  Teve como companheiros de equipe, Sussu, vento, Flávio, Cocó Maravilha, Coleta. Foram seus treinadores, Freitinhas, Everton Ribeiro, verdadeiros professores e amigos, como faz questão de frisar. O seu jogo inesquecível, que lembra com emoção, aconteceu no ano de 1983, quando o canarinho venceu ao Ferroviário(naquele ano, um timaço), pelo placar de "1 X 0". A vitória teve um sabor especial pois no jogo anterior o Ceará(com gol de Ademir Patrício), tinha goleado o Quixadá F. C por "5 X 0" e a equipe estava desacreditada. "Todo o time jogou bem", afirmou Lucivaldo. Lembra que se matava em campo para defender a equipe canarinha. Certa vez, num jogo disputado em Juazeiro, foi deslocado para a lateral esquerda e como o ponta dava muito trabalho a defesa, resolveu tirá-lo de campo, aplicando um carrinho muito forte, terminando por ser expulso. "Eu saí de campo mas o danado do ponta também saiu".
Bangu82:Everton,wal,Valdo,Barros,LUCIVALDO,Flávio e Saturnino,Du,,Helano, Chico do Nel, Wagalume e Didi
Guarda boas lembranças dos tempos de jogador. Mas também teve momentos de grande tristeza, como a morte de seu melhor amigo, o goleiro Zé Antônio. Assim, como seus colegas de equipe, sofreu muito com esta perda. Torcedor fervoroso do Botafogo, faz questão de citar todos os nomes daquele time campeão de 1989, depois de 20 anos de espera: Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gotardo, Mauro Galvão e marquinhos; Vitor, Carlos Alberto e Luizinho; Maurício, Paulino Criciúma e Gustavo(depois Mazolinha). Este foi o time da final contra o Flamengo. Provocado pela reportagem se tinha mais paixão pelo Botafogo ou Quixadá, respondeu nas buchas " Torço a equipe carioca mas tenho amor mesmo é pelo meu Canarinho"