terça-feira, 5 de novembro de 2019

OS ANOS DE CHUMBO NA TERRA DOS MONÓLITOS(Parte 3)<>FRANCISCO BRASILEIRO-UM JOVEM QUIXADAENSE QUE SONHOU COM UM MUNDO MELHOR





 Um jovem quixadaense que nunca será esquecido. Gastou parte de sua juventude sonhando e até lutando por um mundo sem tantas injustiças, misérias e um individualismo presente de forma contundente na sociedade. Ele mesmo sentia na pele esta situação e estudando na escola pública sentiu de perto as dificuldades naqueles anos anos de estudante. Sonhava ser médico e poder de alguma forma, diminuir o sofrimento de muita gente. Com muito sacrifício realizou seu grande sonho. Chegou a conclusão de que entrando na vida política, quem sabe, poderia combater com mais forças as injustiças com as pessoas simples. Foi eleito vereador com apenas 18 anos de idade mas a Ditadura não permitiu que ele chegasse ao fim do mandado. Os jovens tiveram um peso importante na luta pela democracia. E como aconteceu com muito deles, nosso Chico também foi humilhado, maltratado, processado e acusado de subversão e até mortos. Quis Jesus, Maria e José que ele não sofresse o mesmo destino de um grande número de jovens que foram assassinados no tempo da ditadura. Faço questão de destacar a atuação do procurador da Justiça Militar na época, Dr. Júlio Carlos Crispino Leite, que considerou improcedente as acusações contra Francisco Brasileiro. Este grande quixadaense morreu em 15 de julho de 1996 e o seu amor e a sua luta pelos mais humildes não sairá da lembrança dos filhos da terra dos monólitos. Das doces lembranças que trago dos meus tempos de adolescente, o Chico já era rapaz de seus vinte e poucos anos,foi o fato de tê-lo acompanhado ,algumas vezes, quando cantava nas nossas praças ou colégios, canções de Gilberto Gil, Chico Buarque e Geraldo Wandré. Eu no violão e ele: "Quem sabe faz a hora não espera acontecer..."
<>Imagens retiradas da Internet
Francisco Brasileiro
Chico Buarque
Gilberto Gil
Geraldo Wandré
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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

SOU UM QUIXADAENSE QUE NASCEU HÁ TREZENTOS ANOS ATRÁS

 Num dia qualquer, caminhava, à toa na vida, nas ruas da minha bela Quixadá quando deparei com um senhor, cercado por muitas pessoas e falando, com segurança, que tinha nascido há trezentos anos atrás! Aquilo chamou a atenção de todos! A cada fato contado, passava uma bacia, pedindo uma(ou mais) moedinhas. Ele falava sobre o nosso passado, mais ou menos, assim: Eu vi José Ferreira de Barros, em 1755, tomar posse do seu sítio Quixadá. Vi a imagem da sagrada família que ele trouxe nas bagagens carregadas em costas de burros. Ei vi tudo isso! Nasci há trezentos anos atrás! Presenciei os terríveis três anos de seca: 1877-78-79. Andei pelo grande curral, cercado de arame, levei mantimentos preparados pela minha mãe para aquela gente que tentava sobreviver ali, naquele local. Vi sim! Eu vi! Carreguei as malas de Dr. Revy, o grande nome da construção do açude do cedro.Vi, muitas vezes, a marchambomba(carreta com rodas de ferro, movida a vapor), transportando material para a construção do açude. É, não tem nada sobre Quixadá que eu não saiba demais!Vi tudo! Mamãe me carregou nos braços com medo da sangria do açude, em 1924. Eu fui o entregador do primeiro jornal quixadaense "O Matuto". Eu vi o Pe. Antônio Alexandrino de Alencar abençoar o prédio da estação ferroviária. Vi mesmo! Nasci há trezentos anos atrás! Não tem nada sobre Quixadá que eu não saiba demais! Andei, sem pagar, nos bondinhos que fazia o percurso do açude do cedro até a estação ferroviária. Chorei muito ao ver, ali, no começo dos anos 20, um carro marca Overland, cair no açude, matando meu mais novo amigo, o Pacatuba. Eu vi! Na verdade, não tem nada sobre Quixadá que eu não saiba demais! Acompanhei na Serra do Estevão a inauguração do Colégio São José. Tive o prazer de apertar a mão de Dom Maurício e outros professores. Não pude estudar ali mas, tinha orgulho ao saber que meu avô, Nabor Crebilon de Sousa, era professor de música. Vi tudo isso! Pois nasci há trezentos anos atrás! Assisti missa celebrada pelo padre Cláudio Pereira de Farias, primeiro vigário da paróquia da terra dos monólitos. Fui testemunha, ali por volta de 1910, da criação do Instituto Chaves, onde, conheci, dentre muitos outros alunos, o futuro general Juarez Távora. Eu Vi! Vi sim! Não tem nada sobre Quixadá que eu não saiba demais! Andei pelos sertões, pedindo galinhas, perus, patos, porcos, a pedido do Padre Luis, com o objetivo de ajudar na construção do Colégio das Irmãs. Vi lindas rainhas dos partidos "branco" e "encarnado" nas quermesses realizadas para angariar recursos que tornariam possível a construção da casa de ensino. Pedia ao Mestre Adolfo para colocar mensagens no "Serviço de Alto-Falante Solon Magalhães". Aproveitava e pedia a Dona Luisa um pastel, precisava matar a fome. Eu vi os jagunços quebrando todos os móveis da casa do prefeito Joaquim Costa Lima por este apoiar Franco Rabelo. Vi sim! Ora, se vi! Não tem nada sobre Quixadá que eu não saiba demais! Vi ainda a inauguração em 1922 da Casa São José e a simpatia do senhor Jorge José Roque. Tomei muitos banhos no rio Sitiá e brinquei no sítio das Liinha(hoje Baviera) Vi, muita vezes, uma senhora por nome de Luzia a fazer caretas pedindo esmolas nas ruas de Quixadá. Participei da eleição do primeiro prefeito eleito pelo voto direto, Manoel Freire de Andrade. Não pude esconder meu voto pois, era a chamada eleição "bico de pena", a gente falava para o juiz. Todas as manhãs, tomava café na venda de Antônio Besouro. Fazia compras na mercearia do Paisinho, na rua do Prado. Comprei muito na bodega do Quinzinho. Vi as crianças da escola da professora Nana, conhecida como "minha mestra", encantando a todos, nos desfiles da Independencia, ali pelos anos 30. Presenciei a chegada do presidente Getúlio Vargas, na estação ferroviária. Me sentei, muitas vezes, no banco da praça e tirei prosa com Maurício Holanda, Chagas Holanda, Firmo de Holanda. Comprei carne e sempre no velho fiado nos açougues de Zé Medonho, Zé Laranjeiras.Vi e vivi tudo isso! Pois eu nasci há trezentos anos atrás e não tem nada sobre Quixadá que eu não saiba demais! Beijei a mão do Padre Luis na sua chegada a nossa terra, na estação ferroviária. Rezei na chuva no alto da pedra do Cruzeiro na colocação da cruz de madeira, símbolo da fé dos quixadaenses. Vi os carpinteiros José francisco dos Santos e José Feliciano confeccionando grandes portas para serem colocadas na nova catedral. Chorei como um cão quando perde o dono, ao ver os altares, um trabalho feito por artistas, serem todos destruídos por ordem do Pe. Dourado. Chorei porque, como todo quixadaense, ajudei na construção. Vi tudo isso! Se alguém tem provas que não estou falando a verdade, dou de presente as moedas que ganhei. SOU UM QUIXADAENSE QUE NASCEU HÁ TREZENTOS ANOS ATRÁS!!!



segunda-feira, 28 de outubro de 2019

OS "ANOS DE CHUMBO" NA TERRA DOS MONÓLITOS(Parte 2)



Prefeito José Baquit nos jovens anos

<> Naquela manhã de 26 de Abril de 1964, os quixadaenses acordaram assustados com a presença de militares do exército cercando a residência do prefeito José Okka Baquit, um cidadão de bem, bastante respeitado e em especial pelas pessoas simples, eleito democraticamente para a chefia do poder executivo da terra dos monólitos no período de 1963 a 1967. Segundo o memorialista João Eudes Costa, o regime de força implantado em 31.03.1964, passou a perseguir pessoas e grupos que eles entendiam terem idéias socialistas e, injustamente, acusou o jovem prefeito que gozava da estima da população. Na praça José de Barros, onde se localizava a casa de Jose Baquit , a família e a população temia que ele saísse algemado para um quartel militar. Chegaram a acusá-lo de pertencer a um esquema contra o regime militar e de que armas eram enviadas de Recife por Miguel Arrais. Felizmente, prevaleceu o bom senso de alguns oficiais do Exército e nada aconteceu ao jovem prefeito. Os próprios oficiais entenderam que as atitudes de José Baquit eram em prol do bem estar da população e sem nenhum objetivo político.
Memorialista João Eudes Costa

Praça José de Barros

Charge sobre o regime militar(internet)
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OS "ANOS DE CHUMBO" NA TERRA DOS MONÓLITOS(PARTE 1)- O DIA EM QUE O PROFESSOR LUIZ OSWALDO FOI SUSPENSO DA RÁDIO MONÓLITOS

Professor Oswaldo
José Pessoa de Araújo

Ribamar Lima lia as crônicas 
Dom Hélder Câmara

Imagem da Ditadura(internet)

Memorialista João Eudes Costa
<><><><>A primeira emissora de rádio instalada em Quixadá foi a "Uirapuru" que pertencia à Rede Uirapuru de Comunicação da organização José Pessoa de Araújo. O ano, 1980. Estávamos ainda na Ditadura Militar e tivemos a imposição de censura prévia à imprensa e o rádio não ficou de fora. Uma das maiores audiências da "Uirapuru" era o programa "Boa Tarde Para Você" que apresentava crônicas escritas pelo professor Luis Oswaldo e pelo escritor João Eudes Costa. As crônicas eram lidas pelo inesquecível radialista Ribamar Lima que foi um dos responsáveis pelo sucesso do programa com sua festejada voz de veludo. O diretor ,naquele momento, era o militar e também radialista Célio Aragão. Certo dia, foi apresentada uma crônica escrita pelo professor Oswaldo que destacava a figura de Dom Hélder Câmara que se opunha ao regime militar. Como se sabe, o nome deste religioso foi proibido de ser divulgado na mídia. A direção da emissora comunicou o fato ao senhor José Pessoa de Araújo que afastou o professor Oswaldo do programa. Solidário ao amigo, João Eudes Costa largou o programa e também não escreveu mais crônicas. Foi, então, que José Pessoa procurou Eudes e pediu que ele voltasse a escrever suas crônicas, pois o povo estava sentindo falta daquela atração. João Eudes falou que voltaria se Luis Oswaldo também apresentasse suas crônicas e fez um pedido para que a crônica sobre Dom Hélder fosse novamente apresentada o que acabou acontecendo. Era ainda um radialista jovem, mas lembro dos militares(não todos) chamarem Dom Hélder de demagogo, comunista, bispo vermelho, subversivo. Para mim e muita gente, ele foi uma pedra santa no caminho da Ditadura.
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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

ANTÔNIO BENJAMIM DE OLIVEIRA- ELE CONTINUA ENTRE NÓS

Maria Rosicler e benjamim Oliveira
Família do senhor Benjamim: A esposa Maria Rosicler e os cunhados João Eudes, Tadeu, Elvira e Dedé
Benjamim(à direita) e Aziz Baquit
<>No dia de amanhã, 24 de outubro,  ano de 2007, tornava-se cidadão do céu o senhor Antônio Benjamim Oliveira. Já se passaram 12 anos.  Ele partiu, é bem verdade, mas para a sua família e amigos ele continua aqui sempre com uma imensa vontade de trabalhar e estar sempre perto das pessoas de sua convivência. Ele continua aqui para o seu anjo da guarda, Maria Rosicler, com quem casou-se no dia 16.06.1945. Desde cedo, orientou os filhos no enfrentamento dos combates da vida. Nasceu em Solonópole e veio para a terra dos monólitos no começo da década de 40(século passado). No livro "Ruas que Contam a História de Quixadá", o memorialista João Eudes Costa destaca a disposição de Benjamim para o trabalho começando ainda muito jovem nas lides campesinas. Foi garçom, balconista e por fim, teve o reconhecimento e foi convidado para fazer parte da Fábrica de Rede Nossa Senhora de Fátima. Depois de algum tempo, comprou a parte dos sócios e deu a empresa um toque empresarial e a mesma chegou a importar redes para a Europa. Foi sócio fundador do Rotary Club de Quixadá e consta que jamais faltou a uma reunião. Foi presidente do Balneário Cedro Clube e teve participação ativa na construção de sua sede no centro da cidade. Presidiu por vários anos, a Associação Comercial de Quixadá. Uma de suas maiores alegrias foi ter recebido o título de cidadão quixadaense em 27.03.1979. O prefeito Renato Carneiro justificou desta forma esta honraria: "Como reconhecimento aos relevantes serviços prestados à nossa coletividade". Não se pode falar em Benjamim, sem lembrar que
Memorialista João Eudes Costa lembra que Benjamim foi um guerreiro
ele foi o representante do "FUNRURAL" só se afastando por não concordar com a nova orientação do mesmo que assumia caráter político.  Tornou-se cidadão do céu em 24.10.2007, depois de vários anos em inatividade. Mas Benjamim não partiu para os seus familiares e amigos. Ele está aqui como a nos lembrar que a vida é um eterno combate e por isso, é única, é bela!
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

ZÉ MARIA CARPINTEIRO- 50 ANOS DE CHÃO


Zé Maria Barbeiro-50 anos na profissão
<>Ele é uma espécie de "Pelé" no manejo do martelo, esquadro, serrote. São as ferramentas essenciais na profissão exercida por José Maria de Lima que há exatos 50 anos se dedica a uma das mais antigas profissões do mundo. Na entrada de sua residência mantém os objetos do trabalho que desenvolve com tanta dedicação que se tornou conhecido em toda a terra dos monólitos como "Zé Maria Carpinteiro". Faz questão de sempre lembrar tratar-se de uma profissão que exige muita dedicação e concentração. Quando criança, batia enxada no chão ajudando seu pai na agricultura e nos momentos de folga, ficava num canto do roçado produzindo brinquedos de madeira e chamando a atenção da família e vizinhança. A mãe, como todas as mamães, queria que o filho se dedicasse ao estudo, mas o garoto frequentou por pouco tempo os bancos escolares.
Carrinhos de madeira fabricados pelo Zé Maria
Por poucos anos, assistiu aulas na escolinha do Curtume Belém. Os tempos de infância e adolescência foram bem vividos na rua da Palha, onde toda a comunidade parecia pertencer a uma só família. Zé Maria lembra dos banhos nos canais cheios de água que vinham do açude do Cedro. Diz não esquecer aquela imagem de mulheres lavando roupa, todos os dias. Bem jovem, já trabalhava com o Senhor Daniel Capistrano fabricando e fornecendo os produtos para a venda na loja daquele comerciante. Fabricava uma média de 30 carrinhos de madeira por semana e todos eram vendidos de forma rápida. Reconhece ter aprendido bastante com Daniel e ainda com o Vicente e guilherme, colegas do trabalho. Antes de montar sua oficina na atual residência, próxima a estação ferroviária, exerceu a profissão em diversos locais da cidade, começando na mercearia do seu pai. Só na rua José Jucá permaneceu trabalhando  por 13 anos. Hoje, Zé Maria expressa muitos motivos para celebrar estes 50 anos de profissão. Tem muita gratidão com a família e os amigos que sempre o apoiaram na escolha deste oficio.  Quando perguntam se ele é feliz na profissão, responde com um largo sorriso: "Não era a profissão de Jesus que seguiu os passos do pai José?" Parabéns, grande Zé! Profissional de grande competência e um amigo especial de todos nós.

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ferramentas de trabalho

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

MEUS JOVENS ANOS: NA PRAÇA CORONEL NANAN GASTEI GRANDE PARTE DE MEUS VERDES ANOS



Liquidificador antigo
<>Todos nós temos a nossa parcela saudosista. Peço licença aos meus amigos para contar um pouco das minhas andanças do tempo de adolescente na praça Coronel Nanan.  Sou feliz por ter nascido no passado e ter vivido tantas coisas e sem a violência presente nos dias de hoje. Sou do tempo em que ainda não se utilizava o liquidificador e nem se falava em bananada . As bananas eram amassadas com colher e em seguida, colocava-se o leite. Até os primeiros anos da década de 60,  ainda não havia fornecimento de energia na terra dos monólitos durante o dia. Só a partir de 1963, passamos a dispor de energia das 6 até às 24 horas.
Quixadaenses num passado inesquecível: Veinho é o último da esquerda(em pé)

Nilo:figura querida na terra dos monólitos
Segundo o memorialista João Eudes Costa, o prefeito José Baquit encarregou o secretário de Energia, Dr. João Forte da Mota, mais o mecânico José Adolfo de viajarem até Campina Grande com o objetivo de adquirir um grupo gerador com a potência de 450 KVA. Mas, dois anos depois,chegou a luz de Paulo Afonso. O novo sistema de fornecimento de energia encheu de orgulho e felicidade os moradores da querida cidade. Já conhecia vitamina de banana , pois na viagem que fiz à Fortaleza com meu papai, ele nos levou até o abrigo Central e lá, saboreamos uma divina bananada. Assim, conhecemos um dos tipos populares mais conhecidos de Fortaleza, Pedão da Bananada, famoso torcedor do Ceará Sporting. Na verdade, com a chegada da energia, é claro, os velhos costumes foram sendo substituídos e com certeza também na forma de se alimentar. Certo é que em poucas casas tinha um liquidificador e ,então, o jeito era frequentar os locais onde se preparava a bananada, a nova coqueluche do pedaço.  Era a grande novidade,  um sucesso danado. Bendita energia de Paulo Afonso. Lembro que pedia a minha mãe para ir lá na praça Coronel Nanan, pois lá no comércio do Senhor Doca Tomé tinha liquidificador. Minha santa mãezinha, recomendava com uma moral cheia de ternura: "Não vá jogar sinuca não, tome tenência!" E num chique ferro de engomar ,à brasa, preparava minha inesquecível camisa "Volta ao Mundo" e ia, inocente e feliz, 14 anos, abençoada idade, saborear aaquela novidade alimentar. Mesmo adorando a  vitamina de banana, jamais deixei de tomar o refresco preparado pelo Zé Pinto e, em especial, o de laranja, acompanhado de um pão que parecia ter sido preparado no céu. Até os dias atuais, não se sabe qual o segredo do preparo do refresco do Seu Zé Pinto. Tinha me esquecido que antes de ir lanchar e passear na praça, comprava brilhantina "Suspiro de Granada" no Zé Metero ou Pedrosa e passava no cabelo ali mesmo. Aí, pensava que era o Elvis presley ou o Alain Delon. Ali, pertinho,  bodega da dona Santinha e Fátima. Doces figuras. ,E, mesmo com pouca idade, frequentava o bar do boa gente, Nilo Lopes, que tratava todos com muita ternura.  Que saudade, estimados amigos! Era uma grande alegria para nós adolescentes dos anos 60, sair de casa. Havia uma vigilância dobrada por parte dos pais. Passeio era uma festa para a galera daqueles anos. Saia do sítio das Lilinhas(hoje, bairro Baviera) e antes ir  no Doca Tomé, passava em vários locais e ficávamos à vontade pois todo mundo conhecia todo mundo. No local onde ,atualmente, localiza-se à biblioteca municipal, funcionava uma pensão e passava por lá, pois tinha amigos ali.  Gostava muito da família do Luís Paraíba e passava por lá para tomar um café muito gostoso e toda gente ali daquela casa, era muito atenciosos. O Viana Vieira, filho de Seu Luis, adolescente como eu, era um companheiro das primeiras paqueras. Lembro da simpatia de Luis Bombeiro, sempre muito atencioso com todos. Era uma vila de casas e jamais esqueço das gostosas conversas do velho Cambé que conhecia o passado de Quixadá como poucos. Ainda tenho na memória que pegava garrafas pela rua para vender aos Senhores Antônio e Manuel Monteiro que compravam vidros, couros e outras coisas. Pegava todo o apurado da venda e entregava nas mãos da querida Nina que vendia ingressos para os filmes no Cine Yara. Queria me encontrar com a primeira namorada que era a Jane dos filmes do Tarzan interpretada pela Brenda Joyce. Era amigo de todo aquele pessoal que trabalhava no cinema como Zé Adolfo(proprietário), Dedé Sousa, Chico Nascimento, Pedro Nunes, Luis Marinho e todos os outros. Ficava sentado no chão, assistindo o filme na geral(ingresso mais barato) para ficar bem perto da tela. Disputava a Jane com outros adolescentes como os meu primos Jonas Sousa, Raimundo Souza, Francisco Calhambrey e outros caras da cidade. Nas minhas voltas por aquela praça achava bem legal um mecânico dando verdadeiro show no concerto de todo tipo de carro. Era o senhor Furtado que deixava novinho as kombis, gordines, fuscas ou caminhão Chevrolet que aparecesse por ali. Gostava de passar no escritório da fábrica de algodão e conversar com o senhor Aziz Baquit(me chamava de meu jovem) que sempre lembrava o fato de ter sido aluno da minha tia, a professora Baviera Carvalho no Jardim da Infância do Colégio das Irmãs. Conversava muito com o Murilo e, às vezes, com o Papinha. Quando estava na companhia de mamãe, das tias, Maria, Maura, Elba e Robéria, passava na casa de alguns conhecidos e muito amigos,como por exemplo, o lindo casal Hercílio Bezerra e Laura. Ficávamos na calçada ouvindo a radiadora de Adolfo Lopes e aí a simpática filha do casal, Graça, falava "Adolfo está apaixonado!" As minhas irmãs Cecê e Corrinha na companhia da Teresa, curtiam as revistas "Ilusão", e "Capricho". Vizinho, morava o senhor- Turbay e tinha inveja daquela grande casa, pois falavam que de lá dava para assistir os filmes do Cine Yara. Naquele tempo, já gostava muito de música e recordo que o Sebastião dos caminhões colocava músicas do Nelson Gonçalves para gente ouvir, mas eu queria mesmo era escutar Cely Campello, Tony ou o Elvis Presley. Mesmo sem  nenhuma grana, gostava de passar na bodega do Senhor Apolinário. Ele, sempre legal, me entregava uma garrafa do refrigerante Crush e falava que depois papai pagava. Passava na ourivesaria do Zé Belisário e ficava admirando aqueles relógios tão bonitos. E naquela praça, muitos tipos populares como o "Veinho" que se fazia passar por Getúlio Vargas e lá do coreto, discursava, gesticulando muito. Lembro do Pedro Paraíba que dava uma de Vicente Celestino e muita gente se emocionava quando ele cantava "O Ébrio". Lembro demais que um amigo(não lembro o nome) levava para a praça uma radiola "Philips" comprada na loja da querida Zélia e ouvíamos disco e imitávamos os artistas: Eu era o Chubby Checker e me amostrava ao som de "L'ets Twist Again".  Ás vezes, muita correria na praça e o pessoal gritava "Lá vem o Pedro Doido!" Quando somos novinhos, não temos vergonha de ser feliz e eu dançava na frente da banda quando tocava um lindo dobrado e ficava admirando a perfomance do maestro Benício. Recordação é muita saudade que nunca esqueceremos. Pergunto a vocês, meus amigos: Será que o tempo bom não vem Mais? Por favor, amigos, imploro! Digam que virá, pelo amor de Deus! Por favor! Quero ser feliz como era naqueles anos. Ou será que tenho que aceitar a realidade de que o tempo bom ficou mesmo para trás.
Maestro Benício à frente da Banda de música
Lamparina não sai de minhas lembranças
O lindo casal: Hercílio e Laura

velho ferro de engomar
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