quarta-feira, 25 de setembro de 2019

MEUS JOVENS ANOS: NA PRAÇA CORONEL NANAN GASTEI GRANDE PARTE DE MEUS VERDES ANOS



Liquidificador antigo
<>Todos nós temos a nossa parcela saudosista. Peço licença aos meus amigos para contar um pouco das minhas andanças do tempo de adolescente na praça Coronel Nanan.  Sou feliz por ter nascido no passado e ter vivido tantas coisas e sem a violência presente nos dias de hoje. Sou do tempo em que ainda não se utilizava o liquidificador e nem se falava em bananada . As bananas eram amassadas com colher e em seguida, colocava-se o leite. Até os primeiros anos da década de 60,  ainda não havia fornecimento de energia na terra dos monólitos durante o dia. Só a partir de 1963, passamos a dispor de energia das 6 até às 24 horas.
Quixadaenses num passado inesquecível: Veinho é o último da esquerda(em pé)

Nilo:figura querida na terra dos monólitos
Segundo o memorialista João Eudes Costa, o prefeito José Baquit encarregou o secretário de Energia, Dr. João Forte da Mota, mais o mecânico José Adolfo de viajarem até Campina Grande com o objetivo de adquirir um grupo gerador com a potência de 450 KVA. Mas, dois anos depois,chegou a luz de Paulo Afonso. O novo sistema de fornecimento de energia encheu de orgulho e felicidade os moradores da querida cidade. Já conhecia vitamina de banana , pois na viagem que fiz à Fortaleza com meu papai, ele nos levou até o abrigo Central e lá, saboreamos uma divina bananada. Assim, conhecemos um dos tipos populares mais conhecidos de Fortaleza, Pedão da Bananada, famoso torcedor do Ceará Sporting. Na verdade, com a chegada da energia, é claro, os velhos costumes foram sendo substituídos e com certeza também na forma de se alimentar. Certo é que em poucas casas tinha um liquidificador e ,então, o jeito era frequentar os locais onde se preparava a bananada, a nova coqueluche do pedaço.  Era a grande novidade,  um sucesso danado. Bendita energia de Paulo Afonso. Lembro que pedia a minha mãe para ir lá na praça Coronel Nanan, pois lá no comércio do Senhor Doca Tomé tinha liquidificador. Minha santa mãezinha, recomendava com uma moral cheia de ternura: "Não vá jogar sinuca não, tome tenência!" E num chique ferro de engomar ,à brasa, preparava minha inesquecível camisa "Volta ao Mundo" e ia, inocente e feliz, 14 anos, abençoada idade, saborear aaquela novidade alimentar. Mesmo adorando a  vitamina de banana, jamais deixei de tomar o refresco preparado pelo Zé Pinto e, em especial, o de laranja, acompanhado de um pão que parecia ter sido preparado no céu. Até os dias atuais, não se sabe qual o segredo do preparo do refresco do Seu Zé Pinto. Tinha me esquecido que antes de ir lanchar e passear na praça, comprava brilhantina "Suspiro de Granada" no Zé Metero ou Pedrosa e passava no cabelo ali mesmo. Aí, pensava que era o Elvis presley ou o Alain Delon. Ali, pertinho,  bodega da dona Santinha e Fátima. Doces figuras. ,E, mesmo com pouca idade, frequentava o bar do boa gente, Nilo Lopes, que tratava todos com muita ternura.  Que saudade, estimados amigos! Era uma grande alegria para nós adolescentes dos anos 60, sair de casa. Havia uma vigilância dobrada por parte dos pais. Passeio era uma festa para a galera daqueles anos. Saia do sítio das Lilinhas(hoje, bairro Baviera) e antes ir  no Doca Tomé, passava em vários locais e ficávamos à vontade pois todo mundo conhecia todo mundo. No local onde ,atualmente, localiza-se à biblioteca municipal, funcionava uma pensão e passava por lá, pois tinha amigos ali.  Gostava muito da família do Luís Paraíba e passava por lá para tomar um café muito gostoso e toda gente ali daquela casa, era muito atenciosos. O Viana Vieira, filho de Seu Luis, adolescente como eu, era um companheiro das primeiras paqueras. Lembro da simpatia de Luis Bombeiro, sempre muito atencioso com todos. Era uma vila de casas e jamais esqueço das gostosas conversas do velho Cambé que conhecia o passado de Quixadá como poucos. Ainda tenho na memória que pegava garrafas pela rua para vender aos Senhores Antônio e Manuel Monteiro que compravam vidros, couros e outras coisas. Pegava todo o apurado da venda e entregava nas mãos da querida Nina que vendia ingressos para os filmes no Cine Yara. Queria me encontrar com a primeira namorada que era a Jane dos filmes do Tarzan interpretada pela Brenda Joyce. Era amigo de todo aquele pessoal que trabalhava no cinema como Zé Adolfo(proprietário), Dedé Sousa, Chico Nascimento, Pedro Nunes, Luis Marinho e todos os outros. Ficava sentado no chão, assistindo o filme na geral(ingresso mais barato) para ficar bem perto da tela. Disputava a Jane com outros adolescentes como os meu primos Jonas Sousa, Raimundo Souza, Francisco Calhambrey e outros caras da cidade. Nas minhas voltas por aquela praça achava bem legal um mecânico dando verdadeiro show no concerto de todo tipo de carro. Era o senhor Furtado que deixava novinho as kombis, gordines, fuscas ou caminhão Chevrolet que aparecesse por ali. Gostava de passar no escritório da fábrica de algodão e conversar com o senhor Aziz Baquit(me chamava de meu jovem) que sempre lembrava o fato de ter sido aluno da minha tia, a professora Baviera Carvalho no Jardim da Infância do Colégio das Irmãs. Conversava muito com o Murilo e, às vezes, com o Papinha. Quando estava na companhia de mamãe, das tias, Maria, Maura, Elba e Robéria, passava na casa de alguns conhecidos e muito amigos,como por exemplo, o lindo casal Hercílio Bezerra e Laura. Ficávamos na calçada ouvindo a radiadora de Adolfo Lopes e aí a simpática filha do casal, Graça, falava "Adolfo está apaixonado!" As minhas irmãs Cecê e Corrinha na companhia da Teresa, curtiam as revistas "Ilusão", e "Capricho". Vizinho, morava o senhor- Turbay e tinha inveja daquela grande casa, pois falavam que de lá dava para assistir os filmes do Cine Yara. Naquele tempo, já gostava muito de música e recordo que o Sebastião dos caminhões colocava músicas do Nelson Gonçalves para gente ouvir, mas eu queria mesmo era escutar Cely Campello, Tony ou o Elvis Presley. Mesmo sem  nenhuma grana, gostava de passar na bodega do Senhor Apolinário. Ele, sempre legal, me entregava uma garrafa do refrigerante Crush e falava que depois papai pagava. Passava na ourivesaria do Zé Belisário e ficava admirando aqueles relógios tão bonitos. E naquela praça, muitos tipos populares como o "Veinho" que se fazia passar por Getúlio Vargas e lá do coreto, discursava, gesticulando muito. Lembro do Pedro Paraíba que dava uma de Vicente Celestino e muita gente se emocionava quando ele cantava "O Ébrio". Lembro demais que um amigo(não lembro o nome) levava para a praça uma radiola "Philips" comprada na loja da querida Zélia e ouvíamos disco e imitávamos os artistas: Eu era o Chubby Checker e me amostrava ao som de "L'ets Twist Again".  Ás vezes, muita correria na praça e o pessoal gritava "Lá vem o Pedro Doido!" Quando somos novinhos, não temos vergonha de ser feliz e eu dançava na frente da banda quando tocava um lindo dobrado e ficava admirando a perfomance do maestro Benício. Recordação é muita saudade que nunca esqueceremos. Pergunto a vocês, meus amigos: Será que o tempo bom não vem Mais? Por favor, amigos, imploro! Digam que virá, pelo amor de Deus! Por favor! Quero ser feliz como era naqueles anos. Ou será que tenho que aceitar a realidade de que o tempo bom ficou mesmo para trás.
Maestro Benício à frente da Banda de música
Lamparina não sai de minhas lembranças
O lindo casal: Hercílio e Laura

velho ferro de engomar
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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

<>QUIXADAENSE FAZ UMA FANTÁSTICA VIAGEM ATÉ A IDADE MÉDIA

Aqueles instrumentos medievais faziam me lembrar os músicos da terra dos monólitos
<>Realizei a mais fantástica, a mais empolgante das viagens e, com certeza, inesquecível. Foi, na verdade, estimados amigos, uma viagem no tempo. Não sei dizer que ano estive ali e só sei que este período durou mais de l mil anos. Jamais puderia imaginar que um simples vivente tivesse este privilégio! Um quixadaense na Idade Média! Não sei explicar, mas aconteceu! Estive na Idade Média! Sem entender o que acontecia, pude ver e bem assustado, passar pertinho de mim, cavaleiros, senhores feudais, condes, duques, boçais senhores feudais que não olhavam para ninguém e parecia que todos ali o adulavam. Como em todo canto, vi gente simples como os camponeses, artesãos. Vi muita gente trabalhando na agricultura, muitos carros de bois. A religião não me causou estranheza pois só dava católico naquele espaço. Vi e fiquei muito impressionado com castelos, modernas pontes, lindas catedrais. Vi também coisas feias como muita gente morrendo por causa da peste negra, bubônica. Me desculpem, amigos meus, que são cultos mas não achei aquilo ali "Idade das Trevas", não,  de jeito nenhum. Vi muita arte, sobretudo na Arquitetura e Literatura. Não gostei nem pouco mas presenciei crianças de 12 anos trabalhando duro na agricultura e revoltante, quem ficava com tudo era o Senhor Feudal. Já que estava vivendo este momento único, viajando num tempo que não era meu, quis conhecer e ia pedir um autógrafo a Tomás de Aquino e Agostinho de Hipona mas, não foi possível. Eles  eram muito requisitados e respeitados e nem todos se aproximavam. Agostinho, um doutor da igreja, muita pretensão minha, não é amigos? Desde pequeno meu querido pai me contava maravilhas do rei Arthur e tinha a maior vontade do mundo de conhecer mas qual foi minha grande surpresa quando pude sentir que por ali ninguém sabia de sua existência.  Foi aí que recordei que, certa vez, o professor Hill Holanda me falou numa das salas de aula do Colégio Estadual que o rei Arthur era um personagem literário. Confesso que não me alimentava muito bem, pois só me ofereciam pão e poucas vezes, sopas. Viche Maria, que povo prá gostar de pão! Me lembre dos pães da Padaria Estrela do português Manuelzinho. Tive que entrar na onda e comer com as mãos mesmo. Tinha um alimento parecido com pastel que gostei muito mas não sabia do nome. Só sei que lembrei dos pastéis preparados por Luisa Lopes, a esposa querida do mestre Adolfo Lopes. Não havia água encanada mas  confortava o fato de lá não existir a "Cagece" para infernizar a vida daquela gente. Mas, sabia-se se a água era propícia para consumo ou não. Fiquei encabulado mas era o jeito, fazer o que?  É que os banhos, na maioria das vezes, eram coletivos, sim Senhor. Senti saudades da minha linda cidade ao presenciar a presença de muitos animais pelas ruas. Pensei que estava na praça Coronel Nanan. Uma cachorra me levou as lágrimas pois lembrei da minha amiga Linda que, com certeza, está com saudades de mim. Vou contar uma coisa prá vocês, pois vi com esses olhos. Vi e muitas vezes, gente jogando urina e fezes no meio da rua. Não sou médico mas acho que era por isso que muita gente ali nem chegava nos trinta e poucos anos. Lembrei então que no meu Brasil, meu doce amado, muitos dejetos são jogados diretamente na natureza nos dias de hoje. Os rios eram bonitos mas o visual da água muito suja me entristecia e então, lembrei desolado do nosso rio Sitiá que ficou só na saudade.  Nos poucos dias que passei na cidade de Siena, não me acostumava com aquela escuridão da noite, mas faziam fogueiras em vários espaços. De qualquer foma, era um consolo saber que a "ENEL"  não existia em parte nenhuma.  Fiquei encantado com uma linda camponesa que parecia com a atriz Catherine Deneuve naquele filme "A Bela da Tarde" mas, um senhor de idade me fez entender que nem pensasse no assunto, pois era tudo proibido e a Igreja Católica era quem comandava isso. Me lembrei, então, das censuras, proibições que acontecem no Brasil da atualidade. Nesta minha incrível viagem pelo tempo, pude matar as saudades das músicas de Chico, Roberto, Luiz Gonzaga, Amado Batista. É que tinha música no meio da rua e eu não ia as igrejas para ouvir os monges cantarem. Nesses locais, só canto religioso ao passo que em outros espaços rolava as cantigas que falavam de sofrência, decepções amorosas. Me veio a lembrança das serestas do Juninho Quixadá, do Tony Remelexo ou do Django. Nos grupos musicais não tinha a guitarra tocada pelo Mavi ou o violão do Vinicius mas tinha um cara dando verdadeiro show na Cítola que era um instrumento de 4 cordas, tocado com os dedos. O angelical som da harpa me fazia pensar estar ouvindo a beleza de melodia executada pelo talentoso Evandro dos teclados. O som da rebeca me trazia saudade dos vídeos de André Rieu que curtia no "You tube". Tinha um gordinho tocando flauta com muita categoria que me fez lembrar de Benedito Lacerda. Vez por outra, aparecia um cara com um negócio esquisito na boca dando informações sobre às ordens dos senhores feudais. Pensava ser o jornal radiofônico apresentado pelo Jonas, Wanderley ou Herley Nunes. Observava com muita atenção um cara barbudo que ficava quase todo o tempo olhando pro sol, talvez, querendo saber das horas. Confesso ter sentido muita saudades do Almeidinha que ficava repetindo as horas todo o tempo.  Vi e falo para vocês, diletos amigos, que aquela gente se divertia também. Não esqueço de um torneio que assisti em que cavaleiros armados se enfrentavam entre si e com torcida. Parecia o "clássico rei" quando jogam o time do Ceará contra o Fortaleza. Só que, algumas vezes, jogadores(cavaleiros, quero dizer) saiam feridos ou até mortos. Tinha chefes de torcida, sim. Tinha um deles, vibrador até demais e que lembrava o Guaracy Fernandes, o rei da galera, nos dias de jogos do canarinho do sertão. Mas, como nada neste mundo é eterno, essa fantástica viagem também teria seu final. Iria realizar um grande sonho que era conhecer Guido D'Arezzo, aquele que foi o responsável pela atual pauta musical e designou as notas DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI.  Ele estava num mosteiro bem próximo e meu amigo local o conhecia e iria me levar até ele. Meu coração dava pinote  dentro do peito de tanta alegria. Seria o único cara desse mundo  à conhecer um verdadeiro gênio. Mas, eis que, de repente, alguém lambe meu rosto querendo avisar que já era 5 da manhã. Era a minha doce cachorra Linda. É, FOI TUDO UM SONHO, MEUS DILETOS AMIGOS! 









Aquele som das flautas faziam me lembra da melodia de Benedito Lacerda








guido d'arezzo

<>Imagens retiradas da Internet<>

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

JURANDIR BAR(Bar do Ceará)- UM ESPAÇO DE PAIXÃO AO CEARÁ SPORTING NA TERRA DOS MONÓLITOS

Bar do Jurandir(Bar do Ceará) é um espaço do encontro de grandes amigos
<>O A paixão de um torcedor pelo seu clube do coração não tem limites. E ninguém resiste mesmo a esta grande paixão. O sentimento do torcedor quixadaense Jurandir Ferreira é incontrolável pelo seu Ceará Sporting. Este clube para ele é como uma melodia de amor e lhe transmite muita alegria e até uma paz que suaviza o cotidiano de todos os dias. Não há dúvida, é o grande clube do seu coração. É amor, é carinho exagerado e acreditem, o "Vovô" é sem dúvida, uma das grandes alegrias deste pacato e estimado cidadão. Fez do seu bar uma espécie de mini-museu onde pode-se curtir e conhecer um pouco da história deste querido time nordestino. Nas paredes do conhecido "Bar do Ceará" podemos curtir imagens do alvi negro desde os anos 50 e que chama atenção pela precisão de detalhes. Os habituais frequentadores e os curiosos visitantes realizam uma viagem no tempo e parecem que estão vendo o eterno ídolo Gildo marcando gols; lembram das defesas do incrível Aloísio Linhares, o chamado "Caravelli".  É saudade e encantamento apreciar aquele time de 1958 formado de grandes craques como Alexandre, Damasceno, William, Carneiro e todo o time. E aquela imagem do time de 1963 com jóias da bola como Carlito, Charuto, Marco Aurélio, Mauro Calixto? Num lugar especial, a imagem daquele time do tetra e acontece aí uma coisa fantástica em algum momento, parte dos torcedores gritam o nome de Tiquinho, o herói do tetra. Para Jurandir e outros apaixonados, belas imagens. Me expliquem caríssimos e pacientes leitores de minha despretensiosa coluna, até onde vai a paixão de uma pessoa por um time de futebol? Jurandir Pergentino Bezerra, ali da região de Vertente, é proprietário do "Bar Ceará" desde 1984 e este amor pelo time mais antigo do estado vem desde a adolescência quando escutava as narrações de Gomes Farias e os comentários do famoso comentarista e declarado torcedor do Vozão, o inesquecível Paulino Rocha. É aí que entro na conversa e digo que a mídia tem sim, o poder de influenciar os torcedores. Jurandir lembrou que aquelas imagens  penduradas na parede daquele espaço foram na maioria doadas pelos frequentadores e claro, loucos pelo Vozão. Mas, agora, por favor, muita atenção dos amigos que estão lendo estas mal traçadas linhas(é o novo!): O bom amigo Jurandir lembra que os torcedores do Fortaleza são muito bem recebidos mas alerta que os torcedores do Ceará assistem o jogo num telão de luxo enquanto a torcida do rival acompanha o jogo naquela antiga "tv" de 14 polegadas onde dizem as más línguas, só se ver a bola. Muito legal, não é gente? Essa aqui é demais e peço gentilmente um pouquinho de atenção por parte de vocês. É que  quando o vozão marca um gol o bar treme com a explosão de alegria de todos. Os mais apaixonados afirmam lembrar das arquibancadas do Castelão nas comemorações do gol do Tiquinho que deu o tetra ao Ceará. Não é coisa mesmo de torcedor que ama o clube até demais?Frequentadores daquele espaço como Marciano, gerente de farmácia; Jurandir, Everardo Sampaio, Wellington  e todos afirmam que o ambiente é de muita paz, alegria e uma grande amizade se diz sempre presente.Agora, prestem atenção a mais este detalhe: Só a gostosa feijoada preparada pelo Jurandir  consegue unir os torcedores de Ceará e Fortaleza. É uma feijoada prá ninguém botar defeito, afirmam alvi negros e tricolores. Aí, a rivalidade vai pro espaço e toda a turma saboreia aquele prato saboroso que vem acompanhado de torresmo, couve, arroz branco e parece ter sido temperado com alho, cebola e bacon(coisa chique, meu Jesus amado!). É um golaço do Jurandir que recebe os aplausos dos amigos.  O conhecido "Bar do Ceará" se localiza na Travessa Tiradentes e é visitado por pessoas de toda a terra dos monólitos, de outras cidades  e até de Fortaleza, em especial de torcedores do Vozão que querem conhecer mais de perto esta paixão de Jurandir pelo clube do coração. Só tem algo neste mundo que Jurandir ama mais que o Ceará Sporting, com certeza, é a sua família que considera como a sua maior riqueza e o maior amor deste mundo. Mas, garante, é uma família preta e branca. Grande Jurandir, aquele abraço de toda equipe da "Revista Central!"
Bar do Ceará-espaço de amor ao clube alvi negro

Parede da paixão-imagens de todas as épocas do Ceará Sporting

Jurandir mostra a tv onde são acompanhados os jogos do vozão


Visita do repórter ao espaço

Torcedores alvi negros e tricolores se confraternizam

Imagem do Ceará dos anos 60
Uma das imagens mais curtidas pelos torcedores
Nesta pequena tv são exibidas as partidas do time rival

Encontro de alvi negros e tricolores onde impera a grande amizade
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sexta-feira, 26 de julho de 2019

A SAUDADE DE PADRE VICENTE PERMANECE NO CORAÇÃO DOS QUIXADAENSES



Padre Vicente: Gostar das pessoas o fazia bem feliz

Parte interna do Colégio do Padre à época da direção do Padre Vicente
<>A diocese da terra dos monólitos foi instalada em agosto de 1971 e seu primeiro bispo foi o piauiense Dom Joaquim Rufino do Rego. Foi ele o responsável pela vinda para nossa cidade do sacerdote, advogado e professor Vicente Gonçalves de Albuquerque, o Padre vicente que mesmo tendo nascido em Acaraú dizia-se quixadaense pois amou como poucos esta terra e as pessoas que nela habitam sem levar em conta motivos religiosos. Cultivou a amizade e a simplicidade sem jamais considerar o fato de alguém pertencer a determinada classe social ou por motivo de cor. Conquistou grande estima por parte da população quixadaense, em especial, os mais jovens pois sendo detentor de uma grande cultura sempre os orientou nas suas escolhas.  Nas missas que celebrava atraía a presença de seguidores de outras religiões que faziam questão de acompanhar seus sermões que transmitiam paz e reflexões. Jamais reagiu negativamente quando alguém o tratava como professor e ,na verdade, lecionou História e outras disciplinas em vários colégios não só em Quixadá mas em outras localidades onde atuou como padre, como por exemplo, Escola Técnica de Manaus e Instituto de Educação de Manaus, Cadeira de Ciências Políticas na Faculdade de Serviço Social de Campina Grande. Foi diretor do Ginásio Valdemar Alcântara onde conquistou o carinho e respeito de pais e alunos. Era graduado em Filosofia, Teologia e Direito mas jamais atuou como advogado pois ele mesmo afirmava que sua missão era estar próximo das pessoas e falar da importância de Cristo na vida de todos. Ordenou-se sacerdote no ano de 1954 em Itacoatiara, Amazonas e por dez anos seguidos exerceu a função de Vigário em Manaus a todos fascinando pela dedicação e atenção especial com as pessoas mais simples. Também exerceu por algum tempo, o vicariato no interior do Amazonas, em Nova Olinda e Rio Madeira. Quando cursava Direito Civil em Campina Grande foi Vigário no distrito de Galante. No ano de 1974 foi nomeado Vigário da Paróquia de São Sebastião em Choró. Em 1983, Vigário cooperador da Paróquia da Catedral de Jesus, Maria e José e no ano de 1985, Pároco em Choró onde realizou um grande trabalho junto a juventude local. Em 1986 foi nomeado Vigário Geral por Dom Rufino sendo reconduzido pelo novo bispo da Diocese, Dom Adélio Tomasin e sempre exercendo sua missão com muita seriedade e dedicação. Se achava um filho da terra dos monólitos e foi agraciado com o título de cidadão quixadaense no  ano de 1994 como um reconhecimento ao grande trabalho realizado na sua atuação religiosa e educacional. Simples, atendia com paciência a todos que o procuravam no conhecido Colégio do  Padre e na maioria das vezes com uma gostosa gargalhada. Nos meus jovens anos, cheguei a trabalhar algum tempo com ele que me recebia desta forma "Já sei, tá com cara de quem precisa de dinheiro!"Quando ficou doente, sentiu-se muito triste por não mais ter condições de estar perto das pessoas que amava e claro, ser solidário como sempre foi com aquelas pessoas com mais necessidades de atenção. No hospital São Mateus foi flagrado por diversas vezes com lágrimas nos olhos ao lembrar da terra dos monólitos, dos seus irmãos da igreja, dos colegas do magistério e de toda a comunidade que aprendeu a amá-lo. Quando recebia a visita de algum quixadaense, seus olhos pareciam com os de uma criança ao ver sua primeira árvore de natal. Tornou-se cidadão do céu em 31.10.1995 e a notícia deixou os quixadaenses muitos tristes e foram vistas muitas pessoas chorando nas igrejas e em outros espaços. Uma intensa corrente de oração ocorreu por toda a terra dos monólitos e em outras cidades da região. Nas igrejas onde celebrou missas muitas orações, silêncio respeitoso e lágrimas. Lembro ter presenciado o sofrimento de famílias e amigos se abraçando e chorando pela partida do querido sacerdote e amigo. O sepultamento aconteceu no Cemitério Parque da Paz em Fortaleza. Em nossa cidade, eternizando o nome deste santo eleito pela população temos a Escola de Ensino Fundamental Padre Vicente Gonçalves Albuquerque que funcionas nas proximidades do quartel da Polícia Militar.  Por ter buscado sempre alguma forma de ajudar a quem a ele recorria, por se sentir sempre feliz em estar próximo das pessoas, por nunca se achar superior aos outros e , em especial, pelo grande empenho na divulgação da palavra de Jesus, Padre Vicente continuará vivo em nossas lembranças. 
Padre Vicente esteve sempre perto dos amigos

O sorriso sempre presente  .......................................................................................................................................................................................................................................

terça-feira, 16 de julho de 2019

DISSINHA MITCHEEL- UM TALENTO DE QUIXADÁ PARA O MUNDO

Ator transformista conquistou muitos admiradores

Madonna quixadaense
 <>No começo dos anos 90, um garoto cheio de talentos e muitos sonhos convidou alguns amigos para assistir um pequeno espetáculo montado por ele mesmo no salão paroquial aqui em Quixadá. Com certeza, um lugar desapropriado para o evento mas, incrivelmente, ainda nos dias de hoje nossa cidade não dispõe de um espaço para este tipo de manifestação artística. Naquele dia, um show terrivelmente "simples" com poucos recursos mas cheio de entusiasmo, energia e muito, muito "TALENTO". Naquele momento, só as pessoas mais próximas a Dissinho sabiam do seu talento, de sua arte já presente em seus anos verdes. Alguém da platéia falou que ele precisava mostrar seu trabalho para um público bem maior. Desde então despertou naquele sonhador o desejo de um dia mostrar sua arte para muita gente. O impulso também era acompanhado do medo e da reação da família que nem imaginava que o talento dele em realizar performance artística e se transformando em grandes estrelas da música o faria querido e respeitado. O show de Dissinho não se tratava de um evento igual a todos de um cantor ou dançarino mas de um ator transformista e em outras expressões, um garoto vestido de mulher, talvez, uma situação estranha para a cidade naquele momento. Mas este jovem astro tinha uma criatividade além, muito além daquela época. Com muita confiança, tendo consciência do valor de sua arte alugou o Balneário Cedro Clube e sem nenhum centavo no bolso, realizou um grande espetáculo que atraiu a atenção até de pessoas de outras cidades. Dia e noite, cuidava da montagem deste evento, praticamente sozinho.  A partir daí seus shows já contavam com grande público e muitos admiradores vinham de Fortaleza para aplaudi-lo de forma entusiástica. A partir dai, seu nome artístico passou a ser "Dissinha Mitchell' Já era sucesso e ficou conhecido na cidade e em todo o estado como "MADONA QUIXADAENSE". Chegou a vez de Fortaleza e O jovem talento se tornou uma das maiores atrações em muitas casas de espetáculos e até em teatros de grande porte. Num belo dia, um empresário europeu o viu em show na capital e fez o convite para trabalhar numa famosa boate na Alemanha. Lágrimas, muita emoção e um grande desejo de divulgar Quixadá para todo o mundo e ter mais condições de ajudar sua família, as pessoas mais humildes da cidade e encorajar aqueles que nasceram para a arte e na maioria das vezes são incompreendidos.  Era o ano de 2009 e toda a cidade tomou conhecimento do sucesso daquele artista nosso, filho da dona Luciene e que tanto batalhou pela cultura local na formação dos blocos de carnaval, nas quadrilhas juninas a quem  imprimiu um toque profissional.  Hoje, ele trabalha na "REVUE PALASST", uma das maiores casas de shows do continente europeu. É sem dúvida, um nome respeitado em vários países pois realizou muitas apresentações. Foi uma conquista que nos inspira a ter mais confiança na busca de nossos ideais e claro, teve que enfrentar muitos desafios, superar as decepções, preconceitos e até indiferença. Segundo a produtora artística Edna Letícia, Dissinha Mitchell é um ser humano maravilhoso que nunca respondeu a alguma ofensa e quer apenas mostrar a sua arte que segundo o próprio foi uma dádiva do criador. Ele vem aí, 9 de agosto, e fará uma apresentação única no hotel Vale das Pedras em show aberto ao público. Vamos lá aplaudir este nosso astro e certamente, ele ficará muito feliz com a presença de seus irmãos quixadaenses. LUZ NA PASSARELA! VEM AÍ DISSINHA MITCHEL.
A produtora cultural Edna Letícia produziu vários espetáculos de Dissinha


Apesar da distância, o astro não esquece sua querida Quixadá

Sempre confiou no seu talento

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quinta-feira, 11 de julho de 2019

MANUEL ONÇA- A SUA PRESENÇA NAS RUAS É A INSPIRAÇÃO PARA NOS MOSTRAR QUE TODO TRABALHO É DIGNO

Manuel Onça nos dá a certeza da dignidade presente em todas as profissões


Manuel e sua deusa Luisa 
 <>As ruas de nossa bela Quixadá não são tão desprovidas de poesia e apesar dos problemas tão presentes como, por exemplo, a violência nos dias atuais, não deixam de ter seu encantamento. Almas povoadas de bondade e de uma sempre presente vontade de trabalhar acabam se constituindo em pessoas muito queridas e não obstante a simplicidade da profissão que exercem  se tornam respeitadas e admiradas na comunidade. São Trabalhadores humildes e nunca querem mais do que o necessário para a sua sobrevivência e quando é possível até estender as mãos para aqueles mais necessitados. O valor destes cidadãos não são avaliados por bens materiais mas pela honestidade, caráter e uma imensa vontade de levar alegria as pessoas. Trabalhando sempre com roupas modestas mostram que a simplicidade é uma coisa divina e que a todos fascina. Francisco Manuel Germano, o popular "Manuel Onça" é um desses privilegiados  se destacando por realizar um trabalho honesto e em todos dias conquistando mais amizades. Há mais de cinquenta anos ele exerce a atividade de lustrador de carros e sua presença nas ruas de Quixadá e de outros trabalhadores  nos fortalece pelo exemplo que dão ao mostrar que o trabalho, a força de vontade e a correção no exercício da profissão tornam a nossa vida mais interessante. Quando os quixadaenses vão as ruas para suas rotinas é difícil não dar de cara com aquele senhor lavando carros com tanto profissionalismo e cuidando com tanto zelo como se eles fossem de sua propriedade. O seu principal local de trabalho é nas proximidades da Câmara Municipal mas atende seus clientes em qualquer outro espaço. Manuel Onça, ainda muito criança, ajudava seu pai Francisco Germano que trabalhava como carreteiro naqueles anos 60 do século passado.  Lembra de alguns colegas de profissão de seu pai como o Croinha, Miron, Henrique, Luis Carreteiro e tinha outros que já não recorda o nome. Trabalhou durante algum tempo na Prefeitura Municipal na administração do senhor José Okka Baquit(1963-1967) realizando algumas tarefas no setor que cuidava da limpeza da cidade. Durante este período foi muito bem tratado pelos secretários Dr. Sátiro, titular da  Agricultura e Dr. Otávio Belisário da secretaria de urbanismo e pelo próprio chefe da municipalidade. Manuel Onça mora hoje no bairro Campo Novo e quando adolescente testemunhou o crescimento daquele espaço que naqueles anos só apresentava casas de taipa. Afirma que José Baquit ajudou do próprio bolso na construção de casas de muitas famílias. Faz questão de lembrar de alguns de seus fiéis clientes como Dr. Eudásio Barroso, Dr. Arlindo, Gonçalo, Adamastor, Aziz Baquit, Dr. Mesquita, José Páscoa, Evandro, vereadora Dadá e muitos outros. Contou ele para o colunista que alguns poucos clientes deixavam propositadamente algum dinheiro ou objeto de valor para por à prova a sua honestidade mas não ficava com rancor. Nunca esqueceu o dia em que o seu cliente e amigo Lafaiete Albuquerque lhe falou: "Não fique triste, meu amigo Onça, não é a ocasião que faz o ladrão pois este já nasce feito e você é uma pessoa corretíssima". Merece ser destacado o fato de que naquele anos 60, 70, a água utilizada por estes profissionais era retirada do rio Sitiá que era limpo até demais mas com o passar dos anos a qualidade da água foi ficando péssima. Não custa lembrar que muita gente levava seus carros para ser lavados ali próximo a ponte do Putiú e muitos profissionais deste ramo dali retiravam a quantidade necessária para nais um dia de trabalho. Com ar de uma pessoa triste fala que o Sitiá já foi  referência de um rio limpo e integrado a vida da cidade. Como se fala nas canções, ao lado de um grande homem deverá existir uma grande mulher e Manuel Onça se diz muito agradecido a Deus por ter colocado no seu caminho o que ele chama de uma verdadeira deusa, no caso, a sua esposa Luisa com quem divide as alegrias e tristezas e garante que o grande segredo para uma vida a dois é sempre caminhar lado a lado sabendo encarar os momentos complicados presentes na vida de todo casal. Conheceu seu grande amor na na residência da senhora Cristina Capistrano, mãe do saudoso Zequinha Capistrano de quem se tornou um grande amigo. Mas o namoro começou mesmo numa festa de reisado que acontecia na praça José de Barros e que se constituía numa atração na terra dos monólitos. Antes de ir para a praça, Manuel e seu amigo Mourão Sapateiro foram tomar uma cachacinha no bar do Alberto da Onça e assim criar coragem para arranjar uma namorada. Foi pouco tempo de namoro com sua Luisa mas o suficiente para o surgimento de uma grande paixão. Quando os jovens apaixonados se divertiam na roda gigante do parque do senhor Pedro aconteciam beijos roubados no momento que o brinquedo alcançava o local mais alto e os dois se sentiam bem pertinho do luar. Muita gente tem curiosidade em saber de onde surgiu o apelido de Manuel Onça e ele nos contou que quando iniciou seu trabalho como limpador de carros andava bastante no carro de um motorista conhecido como Raimundo Muriçoca que percorria vários sertões de Quixadá e o pessoal perguntava a ele se tinha visto alguma onça no caminho e ele respondeu que não precisava pois já carregava uma no carro se referindo ao nosso amigo Francisco Germano. Pronto, o apelido pegou e assim é conhecido até os dias de hoje. Manuel carrega por todos esses anos um sério problema no seu braço direito motivado por uma queda que levou quando montava um jumento bem brabo(diz, com risos). Como acontecia naquele passado já bem distante correu para o seu Quinzinho que encanou o braço, mas 15 dias depois quando se encontrava na chamada ruinha(rua Juvêncio Alves) pastorando o gado do senhor Mário Ferreira sofreu uma grande queda e resolveu não mais cuidar da fratura. Manuel se diz feliz com seu trabalho e aprendeu que a vida é uma batalha diária e com muita fé e dedicação é possível  ser feliz. Acostumado a encarar as adversidades na vida sempre com muito entusiasmo acaba por se constituir numa referência para todos nós e sempre lembra que é preciso ter muita fé em Deus e na vida. Trabalhadores como Manuel Onça e outros que desenvolvem atividades mais simples sofrem a invisibilidade social mas são pessoas da mais alta dignidade e suas presenças nas ruas é a certeza de que todo trabalho é digno e é tão gratificante vermos a alegria estampada  no rosto dessa gente executando suas atividades como se fosse uma festa. Manuel Onça com a sua leve presença nos faz entender que as dificuldades também enriquecem a nossa vida e nos faz realmente acreditar que todos temos nosso valor, nossa importância. Tiro o chapéu para Manuel  Onça e acredito que nossos leitores também façam o mesmo.
Onça exibe com orgulho seus instrumentos de trabalho

Devemos acreditar naquilo que fazemos

Manuel Onça já é um símbolo de nossas ruas
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quinta-feira, 20 de junho de 2019

TOMÉ FOI UM EFICIENTE ZAGUEIRO E RESPEITADO PELA TORCIDA DO QUIXADÁ FUTEBOL CLUBE

Quixadá nos anos 70-Tomé é o quarto pela ordem
Futebol nos dias de hoje são doces recordações para Tomé
Depois do Quixadá passou a jogar em equipes amadoras-Tomé é o sexto(da esq para à dir)
Quixadá, anos 70: (Tomé é o sexto pela ordem)
<><><><>Numa tarde de um dia da semana naquela doce terra dos monólitos, anos 70, um craque do Quixadá Futebol Clube comparece a loja do inesquecível Zeque Roque, então presidente da equipe canarinha para receber o seu salário de atleta  e escuta da senhora Neide Roque: "Tomé, por que você não joga de Graça, rapaz?" Tomé, Não se fez de rogado e respondeu: " Não me oponho desde que a senhora permita que eu leve roupas e calçados". Naquele tempo, os atletas canarinhos recebiam um salário mínimo. Este fato tão interessante e até engraçado nos mostra que se jogava futebol por amor, por paixão. Tomé, um dos mais eficientes zagueiros que o futebol quixadaense já conheceu relembra com imensa saudade este e outros acontecimentos relacionados a sua carreira como atleta profissional. Desde a infância  tem verdadeira paixão pelo futebol e não esquece as recomendações da santa mãezinha, dona Ambrosina, que estava sempre a lembrar que o menino deveria estudar para ser doutor. Aos 12 anos de idade já integrava o "dente de leite" do Bangu comandado por João Eudes Costa e que disputou uma competição estadual chamada "Craque na Bola, Craque na Escola". Só participava do campeonato aquele garoto que obtivesse boas notas e Tomé, um apaixonado pelo futebol, estudou para valer pois queria jogar.  Adolescente e com raízes sertanejas, defendeu as cores da equipe do Jatobá que participou do torneio "Inter Distrital"  e já chamando a atenção pelas boas exibições que fazia. Foi um dos fundadores da equipe do 13 de maio juntamente com Celi, Joaquim e outros abnegados que fizeram deste time um dos ganhadores de títulos na terra dos monólitos. No ano de 1975, contando com apenas 16 anos,  foi convidado e passou a integrar o canarinho do sertão que naquele momento estava retornando a nossa cidade. Somente no ano de 1976 passou a jogar profissionalmente tendo atuado em todas as partidas do torneio início e sempre com bom desempenho. Não demorou muito e ficou titular absoluto na zaga canarinha e sendo observado por times de maior expressão como Ceará, Fortaleza e ferroviário que queriam contar com ele para reforçarem suas defesas. Não há dúvidas e o próprio Tomé admite que seu melhor ano como craque do Quixadá F. C. foi no ano de 1977 quando conquistou o carinho da torcida e o reconhecimento da crônica esportiva. Naquele ano foi incluído na seleção dos melhores e uma atuação sua contra o Ceará no estádio local e contra o América em Fortaleza quando sua bela atuação e de todo o time foi decisiva para a permanência do canarinho no certame daquele ano. Naquela partida quando o time da terra da galinha choca derrotou a equipe rubra da capital por "3 X 1" numa excelente exibição, Tomé foi eleito o craque do jogo. É bom frisar que aquela equipe era respeitada até pelos chamados grandes do futebol cearense. O time base de 1977 era o seguinte:  Zé Antônio, Carlos Antônio, Carlão, Tomé e Birungueta; Helano,   Nenen Mossoró e Doca; Manuelzinho, Massangana e Chiquinho Paraíba.   O zagueiro tem boas lembranças dos seus outros  companheiros, como por exemplo, César( Gaguinho), Tim, Luizinho peito de Aço,Helano, Zé de Barros  e todos os outros. Um detalhe é que naquele momento, o Quixadá ficava ativo durante todo o ano, pois além do campeonato cearense propriamente dito, tinha o torneio início e para esta competição o canarinho só contava com atletas da terra. Tomé foi e é sempre grato aos seus treinadores como Freitinhas, Zé Preguinho, Zé Antônio, Zé Nilo, Sóstenes e Dunga que deram suas contribuições para o engrandecimento da equipe do sertão central. Faz questão de dar um destaque especial ao Freitinhas, uma espécie de pai dos seus comandados que além de saber valorizar o atleta foi um dos precursores de um sistema tático que priorizava o setor defensivo. Freitinhas se adiantou no tempo, admite  Tomé com segurança. O seu jogo inesquecível foi contra o Ceará no campeonato de 1977 e mesmo com a derrota da equipe canarinha por "1 X 0", o zagueiro não esquece a grande atuação da equipe e o aplauso do público e reconhecimento da imprensa do excelente desempenho que teve naquela partida. Lembra com emoção de uma gravação que ouviu depois do jogo quando o premiado e inesquecível comentarista Paulino Rocha  fez ótimas referências sobre ele e recomendações para que equipes da capital o contratassem. Muitos torcedores que assistiram aquela partida lembram que Tomé marcou o temido artilheiro Ferréti, artilheiro do vozão e que tinha brilhado no Botafogo, Vasco e no Santos. Além de marcar o Ferréti, Tomé nos lembra que aquele ataque do Ceará era muito bom e diz sem nenhum medo que no gol do Ceará, sofreu um empurrão do artilheiro que inclusive fez questão de cumprimentar o craque quixadaense logo após o término da partida. O zagueiro enfrentou grandes nomes do futebol cearense como Artur, Zé Eduardo, Da Costa, Pedro Basílio, Amilton Melo, Edmar, Lucinho, Jorge Costa e outros mas diz com plena convicção que considera Artur o maior craque que o futebol cearense já conheceu. Jogou no canarinho até meados dos anos 80 mas não se afastou dos gramados passando a vestir a camisa de várias equipes amadoras de Quixadá e outras localidades. Chegou a atuar em equipes de futebol de salão mas gostava mesmo era do futebol de campo onde se realizava como atleta. Com emoção,  fala que gostaria de que fossem homenageados os ex-craques e treinadores da equipe quixadaense e ainda desportistas como  João Eudes Costa, Manoel Bananeira, Pil, Jacu, Zé Abílio e todos que contribuíram com o nosso futebol profissional e amador. Tomé foi considerado um dos melhores defensores do futebol cearense e só não se tornou um grande zagueiro do futebol nordestino porque amava(e ama) demais o canarinho do sertão. Se fosse para jogar em outro time que não  o canarinho, preferia ter abandonado o futebol.
Tomé(de óculos), Carlão, Airton Lélis, Helano, Carlos Antônio, Freitinhas e Doca-anos 70
(foto cortesia do craque Helano)                              
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