sexta-feira, 25 de outubro de 2013

<>NAS ONDAS DO RÁDIO <><>RODRIÃO MUNIZ: DEVOTO DO PADRE CÍCERO BRILHOU NO RÁDIO QUIXADAENSE-

O radialista é um devorador dos livros de Rachel
<>NAS ONDAS DO RÁDIO<>RODRIÃO MUNIZ: DEVOTO DO PADRE CÍCERO BRILHOU NO RÁDIO QUIXADAENSE- Padre Cícero, que morreu suspenso de ordens pela igreja em 1934 representou para muitos a esperança de um mundo melhor. Ele foi um santo eleito pelo povo nordestino. Por ano, 2,5 milhões de romeiros peregrinam até Juazeiro do Norte para louvar esta figura marcante de nossa história. São milhões de devotos do "meu padim"! E entre eles, está presente o radialista Rodrião Muniz que, durante algum tempo, brilhou no radio quixadaense, trabalhando nas Rádios Cultura, Monólitos e ainda, em diversas "Fms" que começaram a funcionar a partir dos anos 90. Este filho do Juazeiro, 59 anos, lembra com saudades dos bons tempos que em que conquistou uma legião de ouvintes que acompanhavam com muito interesse seus programas jornalísticos apresentados com um estilo bem diferente do convencional. Rodriao adotou um tom mais arrojado, levando para o microfone os anseios da população que tinha nele uma espécie de"amigo de todas as horas". Realizava uma cobertura dinâmica e completa do que acontecia na terra dos monólitos. Em pouco tempo, tornou-se um dos radialistas mais populares da cidade. Tendo a simplicidade como marca maior, logo fez grandes amizades em todas as camadas. Recebeu tanto carinho que resolveu adotar Quixadá como a sua segunda cidade. Morou um bom tempo e inclusive, recebeu o título de cidadão quixadaense, propositura do vereador Cristiano Góis, no ano de 2004. A sua vinda para a terra dos monólitos se deu depois de uma experiência que não foi bem sucedida no rádio de Fortaleza. "As dificuldades eram muitas e muitos colegas não me ajudaram" desabafa com uma certa mágoa. Funcionário dos correios, na época, pediu transferência para a cidade que o adotaria como filho.
                               Filho de Rodriao Ferreira de Sousa e dona Josefa, sempre gostou de estudar, tendo exercido, muito jovem ainda, a profissão de professor. Em contato com a leitura, foi armazenando um grande repertório de conhecimentos que lhe ajudaria bastante no rádio. Estudioso, não foi difícil adentrar aos "correios", nos primeiro anos da década de 70. Telegrafista, função de grande importância na época, passou então a ter contatos com grandes jornais e emissoras de rádio pois era encarregado de enviar as notícias. Não demorou muito e passou a ser correspondente do jornal"Tribuna do Ceará", tendo permanecido por vários anos. Começou na "Rádio Iracema", apenas comentando mas logo passou a dividir a apresentação de programas jornalísticos ao lado de verdadeiras feras do rádio juazeirense. Rodriao faz questão de citar grandes referencias como Marcos Valério, Vilmar Lima, Aucelí Sobreira, Geraldo Alves, João Eudes, Alves Filho, dentre outros. No rádio quixadaense, cita Jonas Sousa como um marco muito forte na sua carreira.
                               Com certeza,muitos quixadaenses não esquecem do radialista e amigo. Ao anunciar sua volta para Juazeiro, muitos ouvintes se pronunciaram pedindo que permanecesse. A imensa legião de amigos lamentou bastante a partida deste romeiro assumido. Mas Rodriao não esquece Quixadá e, sempre que pode, vem visitar amigos e colegas do microfone. De uma coisa, vocês podem ter certeza: Este pacato cidadão gostava tanto de nossa terra que, mesmo devoto do Padre Cícero, acompanhava a procissão de nossos padroeiros, Jesus, Maria e José! E sobre a santíssima trindade ele afirma que: "São dignos do respeito mais profundo"!
Primeiros momentos no rádio

Ele não esquece os ouvintes quixadaenses

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

<>FRANCISCO ENÉAS DE LIMA- O VEREADOR APAIXONADO POR QUIXADÁ

Enéas: Respeito a nossa história
<>FRANCISCO ENÉAS DE LIMA-O VEREADOR APAIXONADO POR QUIXADÁ<><>O velho prédio da Prefeitura Municipal de Quixadá era muito bonito, de belíssimas linhas arquitetônicas. Foi construído na gestão do coronel Francisco Alves Barreira(1893-1895) e inaugurado na administração do médico  Dr. Bonifácio de Carvalho. Foi demolido em plena administração do Senhor José Okka Baquit(1963-1967), causando dor e revolta, principalmente nos mais velhos que puderam testemunhar fatos que mudariam para sempre a história da cidade. Ali, funcionava a Câmara Municipal, a Delegacia de Polícia, o Fórum Eleitoral, além do Grupo Escolar. Era, na época, o poder legislativo composto pelos seguintes vereadores: Adalberto Calixto da Silva,  Agenor Queiroz Magalhães, Eugênio Freire Moreira, Francisco de Assis Nunes, Francisco Pereira Nunes, Geraldo Alves da Cunha, José Lopes Filho, João Vidal, Manoel Carneiro, Otacílio Rodrigues de Oliveira, Paulo Holanda Pinto, Raimundo Mesquita Aires, Tácito Fernando de Queiroz, Fernando Freire de Holanda e Francisco Enéas de Lima, único a votar contra este crime ao nosso patrimônio. FRANCISCO ENÉAS DE LIMA  foi totalmente contrário a demolição do velho e querido prédio.  Este bravo quixadaense que nasceu no sítio Flores, Dom Maurício,  em 29.07.1902, sempre fez questão de ressaltar a sua revolta e desespero ao ver nosso patrimônio histórico ser destruído. Dizia para os amigos: "Quem não respeita seu patrimônio histórico não tem amor pela cidade em que nasceu". "Chico Éneas" como era carinhosamente tratado na cidade por ser bastante popular, além de uma grande atividade política, também foi escrivão e oficial de registro de imóveis. Na administração do Prefeito Eliézer Forte Magalhães(1959-1963) foi nomeado Secretário de Administração da Prefeitura Municipal de Quixadá, exercendo o cargo com muita competência.  Sempre com destacada atuação política foi nomeado pelo governador César Cals de Oliveira Filho, representante da Casa Civil do Governo do Estado.  Foi vereador da Câmara Municipal de Quixadá por quatro legislaturas. Na sua atuação, mostrou um grande respeito a memória da cidade e sempre protestando contra a falta de zelo com a nossa história. Sempre lutou para preservar registros materiais ou imateriais que tinham grande relevância para os filhos da terra dos monólitos. Num momento em que assistimos a destruição de prédios históricos em nossa cidade, que tal conhecermos um pouco da história de Francisco Enéas para aprendermos a valorizar nosso patrimônio. Ele sempre gostava de afirmar que " um povo que não respeita seu patrimônio histórico, não respeita mais nada!" Este apaixonado pela bela Quixadá nos deixou no dia 20 de junho de 1996. Sempre será lembrado pelo grande amor que devotava a sua cidade. Dr. Carlos Enéas, que já presidiu a nossa câmara lembra que seu pai sofreu muito quando destruíram o prédio da velha prefeitura. Dudu, vereador e Neto do querido quixadaense define, desta forma, o seu avô: "Um homem verdadeiramente dedicado a sua terra natal!"                                                    

Dudu, vereador e neto pretende seguir os passos do avô

Dr. Carlos Éneas, assim como o pai, sempre pediu respeito a nossa história

Francisco Enéas, seu neto Dudu e sua neta Marícia

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A SAUDADE QUE FICOU<>DEDÉ DRÁCULA-ELE TRANSPORTAVA ALEGRIA E TRISTEZA PARA O MICROFONE<>

Dedé Drácula dedicação e bondade
José Pessoa fundador da Uirapuru
 <> O rádio ainda é uma mídia indispensável e insubstituível. E com certeza, está no coração das pessoas. Sempre que destacamos este veículo, locutores e operadores são citados e referências são feitas a esses profissionais. E muitas vezes, nem tomamos conhecimento que outros trabalhadores também são importantes para o funcionamento da Emissora. Foi em 1980 que ganhamos a tão sonhada "Rádio Uirapuru" que logo se transformou no "xodó" dos quixadaenses. Foi José Pessoa de Araújo o responsável pela montagem do tão sonhado equipamento. Como os estúdios da "Uirapuru" ficava distante do centro, coube ao jovem José de Arimatéa  Dantas de Sousa, pegar as notas no centro da cidade para levar até as mãos dos locutores para ser divulgadas. Ora, levava notícias alegres, outras vezes, tristes! Na sua bicicleta(que ele chamava "envenenada") ia a cidade e voltava várias vezes. Ganhando a confiança da direção  passou a trabalhar nos transmissores. Nas transmissões externas, carregava o equipamento de trabalho. A alegria e bondade, duas grandes marcas! Sempre nas comemorações dos natais, José Pessoa pedia que ele subisse na mesa e fizesse um discurso. Dedé Drácula(apelido colocado por Jonas Sousa) era só alegria. Era filho da querida Barbosa(trabalhava na cantina da rádio) e Zequinha Brechó. Tempos depois, a "Uirapuru" viria a ser "Rádio Monólitos" e o nosso Dedé continuou a trabalhar e sempre com a mesma dedicação. Também recebeu dos Senhores Aziz Baquit e Everardo Silveira o mesmo carinho e trabalhou até ser chamado para outras missões no céu. Era querido por todos e contava com a confiança do diretor Everardo Filho e de toda a equipe. Foi no dia 13 de agosto de 2013. Com certeza, o humilde e bom Dedé faz parte da história de nossa radiofonia.
             
                         
Anos 80: o jovem Dedé, Célio Aragão e Ribamar Lima

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

<>TIPOS POPULARES DE QUIXADÁ(8)<>ARTUR JORGE-A ALEGRIA EM PRIMEIRO LUGAR

Artur Jorge explosão de alegria

Lucia meu avo era muito divertido
Antonio Jorge mesma profissão do pai
                                                       <> Segundo o poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare a alegria evita mil males e prolonga a vida. A alegria certamente, faz renascer vida em muita gente. Deus colocou em nosso convívio pessoas que conseguem nos mostrar que apesar de tudo, há beleza em nosso mundo e que um sorriso sincero e palavras dosadas de alegria e otimismo fazem toda a diferença. No alegre Quixadá do tempo dos pernoites do trem, dos abençoados banhos no rio Sitiá, nos passeios na então tranquila pedra do cruzeiro e ao açude do Cedro, uma doce  figura se destacava pela forma como encarava a vida, pela alegria que distribuía a todos no dia-a-dia, sempre em alto astral e compartilhando, dividindo com outras pessoas essa explosão de felicidade. Artur Jorge, conhecido por todos pelo apelido de "Capacidade", soldador como profissão,foi uma das pessoas mais conhecidas e queridas na alegre terra dos monolitos de um passado não tão distante. Para cada situação que se apresentasse, sempre uma visão otimista, carregada de humor. Com certeza, o "Capacidade", com suas tiradas alegres, tornou a estrada da vida de muita gente bem mais agradável.                                                                                                                                                                                                           Depois do trabalho, Artur e seus amigos costumavam visitar as bodegas de então, para abastecer corpo e espírito com uma velha cachacinha. Certa vez, chegando no comercio do senhor Aloísio(o chefe), pediu a bebida desta maneira: " Chefe, bote sem compaixão que eu pago sem piedade". Ao final da bebedeira, tranquilo, assim se despedia: " Chefe, pendure no lugar mais alto do seu comércio". Algumas vezes, colocava uma corneta nas pernas e saía fazendo aquele barulho. Até que um dia, perto do quartel, um soldado ameaçou prendê-lo. Artur saiu-se com esta: "Você não pode me prender pois sou muito mais que senhor! O senhor é só soldado e eu sou soldador! Gostava de comprar cabeça de porco aos magarefes Laranjeiras, Acrísio, Manoel Franco e pedia assim: "eu quero uma radiadora". E propositalmente, jogava nas calçadas e ficava chamando, como se ainda houvesse vida naquela cabeça de porco. Os quixadaenses mais velhos, ainda lembram o dia em que Artur e seu inseparável amigo Ribamar, participaram de um leilão da igreja. Mesmo sem um tostão no bolso, eles sempre davam os lances mais altos. Numa noite, competiam com o senhor Alberto Baquit.  Quando o educado Zé Baquit dava um lance, eles combinavam entre si: "Não vamos dar tregua a este cidadão". No final, os dois animados amigos, venceram o leilão e muitas galinhas, bolos, vieram para suas mesas. Sem nada de dinheiro no bolso, Artur teve a ideia de convidar Alberto Baquit para suas mesas que educadamente aceitou e assim, não pagaram nada. Um dia, uma senhora pediu que ele consertasse uma panela mas achou muito caro o conserto e propôs a ele" Se eu der o fundo, o senhor diminui o valor? Artur, de bate-pronto, respondeu "Assim, faço até de graça". Na verdade, a mulher falava do fundo da panela. Terminada a brincadeira e se dirigindo para casa, dizia aos companheiros que ia namorar e guerrear a noite toda com o amor de sua vida, a sua doce senhora.                                                                                                                                                                                                                   Se faz necessário afirmar que Artur Jorge, apesar do jeito brincalhão, era uma pessoa honesta, trabalhadora e sempre solidária. Tinha verdadeira paixão pela família e pelos amigos que gostavam muito dele. Na verdade, ele queria mostrar que o simples fato de se estar vivo, já é motivo de alegria. Sabia que a vida não era uma festa mas já que estava nela, vivia comemorando e compartilhando essa explosão de alegria com todos. Como disse sua neta Lúcia a reportagem" Meu avô só queria ver as pessoas felizes". Até mesmo na doença, Capacidade mostrava o lado alegre. Quando alguém perguntava se estava doente, respondia tranquilamente: "Estou com a pomposa". Na última vez que estive com Artur Jorge, por sinal, muito amigo do meu pai, o Amadeu do velho mercado público, perguntei se o trabalho não o cansava e ele sabiamente respondeu que so tinha tempo para ser feliz. Sai dali gostando mais dele e assim acontecia com todos que o procuravam.  Capacidade nos deixou no comeco dos anos 90. Com certeza, a festa continua no ceu.                                                                  

Francisco Jorge aprendeu muito com o pai

sábado, 27 de julho de 2013

FREITINHAS-O ETERNO TÉCNICO DO QUIXADÁ FUTEBOL CLUBE

1973: Repórter Raimundo Sousa, Freitinhas e Gaguinho
Visita de Lula a residência do técnico
Carteira de técnico profissional
Futebol em primeiro lugar
<> Ele era um "paizão" para os jogadores que defendiam os times que ele treinava.Correto, justo, paciente. Mas foi também um conhecedor das teorias, das estratégias que tornavam possíveis mudanças de resultados nos jogos. Mas principalmente, era um parceiro dos jogadores.Apesar da grande amizade que tinha com os comandados, era disciplinador, exigindo seriedade nos treinos e nas disputas das partidas. Plantou sementes que deu frutos no quesito da revelação de novos jogadores. Dos técnicos que passaram pela equipe do  Quixadá, ele é o que teve maior identificação com a torcida. Ele foi o profissional que dirigiu a equipe canarinha por mais tempo. Foram mais de 20 anos, fato realmente impressionante num futebol que muda o comando técnico com uma rapidez incrível. Pode-se com absoluta certeza, afirmar que ele era um "Sinônimo de Quixadá Futebol Clube". Durante toda a sua vida, deu demonstrações de amor ao time.  José de Freitas Neto, quixadaense, nascido em 22 de junho de 1934, desde criança, era um apaixonado pelo futebol, participando das peladas deliciosas e já começando a demonstrar liderança, levando seus times à conquistas.
                                                                       Antes de assumir o comando do Quixadá e da seleção da cidade, treinou algumas equipes e, durante um bom tempo, o Avante Esporte Clube, sempre incentivado pelo diretor de esportes e amigo, Edinho. Sempre contou com o apoio dos desportistas Zé Abílio e Zeque Roque(foi presidente do Quixadá). Com este último, trabalhou muitos anos na "Casa São Paulo". Costumava dizer que "Zeque era um grande amigo". Ainda está nas lembranças daqueles com mais idade, as vitórias conquistadas por Freitinhas, em situações adversas, enfrentando grandes equipes e muitas vezes, arbitragens comprometedoras. Numa das entrevistas do saudoso zagueiro Zé Preguinho, ele afirmou que o técnico quixadaense pedia " joguem de cabeça erguida, mostrem sua dignidade, vocês têm valor!"
                                                                     Freitinhas tinha como maior incentivadora a esposa e torcedora Maria de Freitas, com quem casou-se em 19 de maio de 1962, na igreja de Santo Antônio, em Quixeramobim. Desta união, nasceram os filhos Isabel, Kátia e Guaracy. Tão grande era o envolvimento do casal com o futebol que os jogadores faziam refeições, às vezes até dormiam, na residencia do mesmo. Maria de Freitas se tornou uma espécie de mãe e logo conquistou o carinho de todos. Quando os atletas voltavam das férias em seus estados de origem, traziam cartões com mensagens de agradecimento e respeito.
                                                                     O eterno técnico do Quixadá Futebol Clube também participou da vida política da cidade, tendo sido um dos fundadadores do Partido dos Trabalhadores. Em sua primeira campanha a presidência da república, Lula fez uma demorada visita ao casal. Mas jamais a sua paixão pelo futebol foi afetada. Treinar, descobrir novos talentos da bola foi sempre seu maior ideal.
                                                                      Depois de muitos anos de dedicação ao nosso esporte, Freitinhas adoeceu, se afastando definitivamente, com muita tristeza, do que mais amava que eram às cores do time que representava a cidade. Os médicos Bidula, Everardo Silveira e os demais, tudo fizeram para recuperar a saúde do técnico.  Depois de 30 dias, internado no hospital de Messejana,  morreu no dia 28 de setembro de l998. Com muita tristeza, o torcedor canarinho recebeu a notícia e se despediu daquele que deu à própria vida pelo nosso esporte. Por isso, ele sempre será o"ETERNO TÉCNICO DO QUIXADÁ". Ele tem até hoje o seu nome lembrado por todos os quixadaenses. Ele é imortal para a torcida canarinha!
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terça-feira, 16 de julho de 2013

DEZINHO-DE CARROCEIRO A HERÓI BRSILEIRO

de carroceiro a pracinha
anos 90: em família
Preparado para defender a pátria
<><> "Preferia morrer que matar. Achava que não deveria atirar em ninguém! Não foi isso que mamãe me ensinou". O depoimento do quixadaense José Ferreira Filho, conhecido como Dezinho, que foi dado há alguns anos, mostra o grande despreparo dos brasileiros nos campos de batalha na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. O jovem brasileiro, assim como os demais, não tinha muito ideia porque estava ali, muito distante de seu Quixadá querido, não sabia qual exatamente a motivação daquele combate. "Eu tinha medo de matar as pessoas" afirmou muitas vezes. Frio, muitas vezes enrolados em jornais, falta de higiene, comida ruim, lama, campos minados( que não sabíamos de sua existência), tudo isso fez parte do dia-dia de Dezinho e dos outros pracinhas(termo referente aos soldados brasileiros que foram enviados para integrar as forças aliadas contra o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial).
nosso herói e Maria Araújo
                   O grande conflito mundial, o mais abrangente da História se deu entre os anos de 1939 a 1945. Estimativas sugerem que mais de 60 milhões de pessoas tenham morrido nesta guerra. Segundo a maioria dos historiadores, a posição de neutralidade do Brasil durou até 1942, quando algumas embarcações brasileiras foram afundadas por submarinos alemães no oceano Atlântico. O presidente Getúlio Vargas fez um acordo com o governo norte-americano e assim, nosso país entrou na guerra ao lado dos aliados(Estados Unidos, Inglaterra, França, União Soviética). Muitos estudiosos do assunto, condenam até os dias de hoje, esta decisão do governo brasileiro. Apesar de vitórias, centenas de soldados brasileiros perderam a vida em combate. Na dura batalha de Monte castelo, cerca de 400 brasileiros foram mortos.
                                   Começo da década de 40, aquele jovem recebia ainda conselhos de Seu Júlio  de como se tornar um grande carroceiro. Chegou então a idade do serviço militar e Dezinho serviu no vigésimo terceiro batalhão de caçadores em Fortaleza, durante um ano. Era o ano de 1941 e cumprido o tempo, voltou para Quixadá. Mas quando foi pegar o certificado militar foi comunicado que havia sido convocado para lutar na Itália, junto com outras cearenses. A notícia deixou a  esposa Maria Araújo e toda a família muito tristes. E depois de dois meses no Rio de Janeiro, embarcou para terras italianas. Foram 25 mil brasileiros.
                                     Nas montanhas da Itália, o jovem voltava seu pensamento para a sua querida Quixadá. Voltaria a trabalhar na carroça do seu mestre Júlio Carroceiro? E os passeios ao açude do cedro, aos domingos, pegando frutas no caminho! Voltaria a conviver com os amigos Caboclo, armando do Brasília e seus colegas de trabalho! Veria o filhinho que ainda estava na barriga da mãe? Queria acompanhar seu crescimento, ensinar-lhe a ser carroceiro, a fazer o bem! E o restante da família, como estava? Naquele relevo montanhoso, tão estranho, quando possível, à noitinha, junto com outros pracinhas, uma oração improvisada, curta mas eterna. Sofria ao ver jovens como ele, tombados naquela terra estranha.
                               Dezinho contava que, apesar das dificuldades e da falta de experiência, os pracinhas conquistaram vitórias ao lado de soldados aliados. Fazia questão de citar Turim, Monte Castelo e Montese. Terminado o sangrento conflito, foi as lágrimas ao ser comunicado que ele E os seus colegas retornariam ao Brasil. Nos contou que a História quase não registra o fato de, ao saberem da notícia, todos se abraçavam, brasileiros e soldados de outras nações. Desembarcando no Rio de janeiro, contava as horas de voltar para a terra que tanto amava. Interessante que ao desembarcar no porto do cais, em Fortaleza, não fora reconhecido de imediato pela dona Maria Araújo. "Ele estava com um uniforme impecável, usando óculos". Feito o reconhecimento, um longo abraço e aquele beijo de toda história de amor. O casal ficou algum tempo morando em Fortaleza, voltando a Quixadá anos depois. Já na terra dos monólitos, voltou ao seu antigo ofício de carroceiro, trabalhando por um bom tempo.
                                                                                   Nos desfiles da Independência, Dezinho junto a outros quixadaenses, marchava pelas ruas de Quixadá. Todos aplaudiam aqueles que lutaram pela liberdade , democracia e pela defesa da pátria. "Meu filho, aqueles homens deram a vida pelo Brasil", dizia uma das mães que assistia ao evento". Dezinho morreu no dia 20 de setembro de 1998, deixando tristes os amigos e os filhos José Edílson, Maria Celene, Nazira, Jacinta, Aparecida, José Francisco, José Aírton, Antônio Fernando e Lúcia. Apesar de sempre se manifestar contra a guerra, Dezinho afirmava que tinham sido injustos com o Brasil, afundando submarinos nossos, matando inocentes.  Antes de morrer, nos contou que seu grande desejo em vida foi realizado ou seja, uma prova incontestável da existência de Deus! Esta certeza tive quando voltei para o Brasil, para o meu querido Quixadá. "Ele existe sim, existe" afirmou no último contato que teve com este repórter e amigo. Existe sim!fique sempre com ele, Dezinho!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

ALOÍSIO, O CHEFE- A SIMPLICIDADE DE UM VENCEDOR

O sorriso sempre presente
 SEU ALOÍSIO: A SIMPLICIDADE DE UM VENCEDOR<>Ele, pode-se dizer que "tirou leite de pedra"! Enfrentou a rudeza, bateu enxada no chão, suou muito! Conheceu muito bem a aridez do ambiente sertanejo trabalhando junto com o pai Manuel Luís Rabelo(Neco), a mãe Dona Júlia Rabelo e os irmãos. Uma família verdadeiramente do sertão quixadaense, distrito de Barra do Sitiá, no lugar Santo Antônio. Foi aí que nasceu Aloísio da Silva Rabelo, no ano de 1934. Aprendeu a ler com seu pai e as aulas só aconteciam de setembro a dezembro, fora do período da plantação.
                                                                                             Em 1944, veio para a cidade, exatamente para estudar no Grupo José Jucá. Mas em 48, voltou para o seu sertão pois sua tia havia adoecido. Foi o Senhor José Maria Aguiar o responsável pela sua vinda definitiva(1952) para Quixadá. A sua tia que recebera uma visita deste amável cidadão lhe pediu um emprego para o jovem Aloísio. E assim, durante 4 anos, trabalhou na mercearia de José Maria. Além de atender os fregueses, cuidava de outros afazeres como cortar lenha, puxar água para a caixa d'água(durava 75 minutos), fazia mandados. "Tirei até leite de vaca" nos conta com uma forte emoção. Mas a partir de 1959, seu pai montou um comércio para o dedicado filho na rua Epitácio Pessoa onde começou a mostrar todo o seu potencial como vendedor, atendendo a todos com um jeito todo especial. Mas em pouco tempo, veio trabalhar com o Senhor Francisco Nepomuceno no "Armazém Sitiá", um dos seus grandes incentivadores. Alguns anos depois e já se vão mais de 54 anos, iniciou seu grande momento nos negócios montando o famoso ponto comercial que se chama"O Chefe", denominação baseada num apelido que lhe foi dado pela comunidade.
                                                                                            O cognome "O Chefe" surgiu pelo fato de quando ter deixado a Barra do Sitiá sua mãe lhe havia recomendado: "Não chame ninguém de "Seu Zé", "Seu Menino" e, sendo mulher, não a trate como "Comadre", "Dona Maria". Como Aloísio praticamente não conhecia ninguém quando aqui chegou, ficava se comunicando com as pessoas destas formas:"Bom dia chefe amigo!", "como vai chefe amigo?"e assim, de forma definitiva, ficou conhecido por todos como "O CHEFE".
                                                                                            Seu Aloísio, casou-se em 1960 com Naidinha(filha de Seu Júlio Leles, barbeiro), na igreja do Choró em cerimônia realizada pelo padre José Bezerra. É pai dedicado de Henrique e Júlio que receberam do pai a vontade de trabalhar e servir. Para contar a verdadeira História deste guerreiro seria necessário um livo mas como a simplicidade é sua marca maior, sei que ficará feliz com este simples texto mas que foi produzido pelo coração. O nosso amigo Aloísio( O Chefe) faz parte da vida dos filhos da terra dos monólitos. Com certeza!
Com seus amigos do comércio

A companheira de todas as horas
Zé Maria Aguiar, seu descobridor