segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

<.CURTUME BELÉM- UMA ETERNA SAUDADE DE EDGAR LIMA E SILVA

Edgar, aos 18 anos entrou para o Curtume
<>Numa tarde de Fevereiro, ano 1996, devorava o "Jornal do Leitor", do matutino "O Povo", e me interessei por um texto do professor Gilberto Telmo Sidney Neto, destacando, de forma brilhante, o florescimento de uma próspera indústria de transformação: O Curtume Belém. Localizava-se  na terra dos monólitos, na rua da Palha, às margens da via férrea. Nas décadas de 50 e 60 era o motor do nosso desenvolvimento. Depois daquela leitura, e agora sabendo da importância daquela  indústria, nos sertões do interior cearense, me dediquei a localizar, num ritmo frenético, os quixadaenses que  trabalharam ali. Às vezes, passava a impressão de estar procurando pessoas desaparecidas. Foi(e é), muita dedicação. E olha, nem contávamos ainda com a força das redes sociais. Mas, muito interessante nesta busca, é que ela não se torna conclusiva. É que, sempre aparecem nomes. E, certamente, com o surgimento deste texto despretensioso, aumentará a nossa lista. Então, vejamos alguns: José Raimundo, Edgar, Chico Nascimento, Chico Alves, Medeiros, Nonato, Zé Albano, Raimundo Bezerra, Paulo Camilo, Pedro Nunes, Pedro Rufo, Xavier, Raimundo Jorge, Feliciano, Zezé do doutor, Manoel Raimundo, Aloísio Moreno, Cícero Moreno, Cazuza, Raimundo do Ancelmo, Raimundo Cândido, Pedro Monte, Chico Eliseu, Dedé Preto, Bidida, Pio, Natália, Albetiza, Eunice, Maria Dias, Luiza Dias, Amelhinha, Nousinha, Inacinha, Chico Nobre, Zé Preto, dentre outros. Alguns, já morreram e, com certeza, outros moram em outras partes do estado e fora dele. Impossível o contato com todos e, tendo a oportunidade de conversar com alguns poucos, é possível um conhecimento mais amplo sobre a História do Curtume. Edgar Lima e Silva, se emociona ao lembrar daqueles anos de um Quixadá, pequeno ainda, mas, com uma indústria que exportava couro para o estado, todo o país e até para fora dele. Sempre simpático, nos recebeu com ares de um professor, logo perguntando: "Você sabe o que é um curtume?"
Nesta casa funcionou a escolinha dos filhos dos operários
E tratou logo de informar que era um local onde, se processa o couro cru. Lembra que tinha 18 anos, servia o Tiro de Guerra e que"Naqueles tempos, todos tinham que trabalhar". Foi através de seu pai, José Raimundo, vigia, que conseguiu o emprego com o Senhor Zé Capelo, proprietário do Curtume. Começou trabalhando na sessão de curtimento do couro mas, honesto e dedicado, foi assumindo outras funções. O trabalho começava às 6:30, em ponto. Às 11 horas, a caldeira apitava para o almoço e o retorno acontecia às 12:30, se estendendo até 17:30. Aos sábados, os operários recebiam os envelopes com os respectivos pagamentos. Nos lembra Edgar que, à exceção do trabalho no escritório, os operários executavam as tarefas, trajando apenas um enorme calção, feito de sacos de açúcar, comprados no velho mercado. Grande parte das mulheres, trabalhavam na vaqueta, ou seja, couro curtido, próprio para a fabricação de bolsas e calçados. A estrutura física da indústria era formada por várias colunas, muitas paredes, alguns tanques e as máquinas utilizadas na produção. Havia um açude próximo a sede. Quando este secava, carros pipas abasteciam o Curtume. A água era retirada de um cacimbão, situado no sítio da dona Robéria e  também do rio Sitiá que, naqueles anos, corria bonito, por toda a cidade. Os carros tinham como motoristas, Zé Maria e Antônio Caetano. Nos conta o ex operário que no ano de 1964, o inverno foi muito forte, com a água invadindo o espaço de trabalho. Um caminhão, dirigido pelo Argemiro e que conduzia uma carga, contendo couro, atolou-se na velha ponte da Ruinha. Os dedicados operários tiveram que se virar, pois aquele material, deveria chegar na sede. Edgar lembra que até um "trolley" foi solicitado a "RFFSA" para ajudar no transporte do couro. Edgar se emociona ao falar da senhora Fernanda, uma espécie de mãe dos empregados. "Ela se preocupava com nossa alimentação, nossa saúde, com o estudo de nossos filhos. Às vezes, nos dava até dinheiro para comprar roupas no armazém do Senhor Expedito". Em todos os natais, Seu Capelo nos levava para a fazenda Urucu. Todos juntos, os funcionários e sua família. Lá para o final da década de 60, os problemas tiveram início, ocasionando o fechamento do curtume. Seu Capelo, sempre preocupado com a situação dos operários, fez um acordo com todos eles. Hoje, o Curtume Belém é uma doce recordação na vida do aposentado Edgar Lima e Silva. Foram os melhores anos de sua vida. Há alguns meses atrás, Edgar, com uma saudade muito forte, foi visitar as ruínas das paredes de entrada da indústria, na rua da Palha, próximas ao trilho mas, não encontrou mais nada. Tudo já havia sido destruído. Só resta a Edgar curtir as velhas fotos e rezar, segurando uma medalhinha que lhe fora presenteada pela dona Fernanda, que lhe dissera, naquela ocasião: "Reze sempre para Nossa Senhora! Ela é mãe de todos nós!"

<>Nota do autor: Este texto não tem caráter histórico mas afetivo. Mas pode servir como "mote" para
que, juntos, possamos ter um conhecimento melhor desta referencia econômica de anos passados, em nossa bela Quixadá.
Edgar não esquece o "Curtume Belém"

Original do acordo feito entre Edgar e o Curtume Belém

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

RÔMULO SANTARAY- O TALENTO DE UM QUIXADAENSE PARA O BRASIL E O MUNDO

Talento quixadaense
 <> <>Ele é daqui de Quixadá, é coisa nossa. Filho da querida senhora dona Santa e senhor Raimundo. Cantar tá no sangue deste cara legal. Muito criancinha, enquanto a mãe costurava, ele ficava cantando, quase sem parar. Seu descobridor foi o Zé Pereira que levou o guri para cantar num programa de calouros que acontecia, nas manhãs de domingo, no Comercial Sport Club. Pereira, que naquele anos 60, trabalhava nas "Casas pernambucanas", apresentava um programa que concedia espaço para as crianças se apresentarem. Junho de 1970. Rômulo cantou uma música chamada "Garotinha", de Roberto Barreiros.O menino prodígio tinha só 4 anos e ganhou o concurso. O Prêmio, uma caixa de chocolates. O tempo foi passando, o menino crescendo e, no ano de 1980, a primeira grande alegria acontecia, pois fora convidado pelo maestro Dudu Viana para fazer parte do icônico grupo musical, Os Monólitos. O famoso grupo encerrou as atividades, meados dos anos 80, e o jovem astro se mandou pelo Brasil afora, chegando a integrar diversos grupos musicais. Na volta para Quixadá, a ideia da criação de uma banda e foi aí que surgia a "Banda Azul" que, em pouco tempo, conquistou a cidade e ganhou espaços em Fortaleza e outras capitais. Virou o grupo queridinho pelos turistas, o que ajudou na divulgação. A formação inicial: Paulinho(baterista), filho do mestre Hugo carpinteiro; o talentoso Lázaro; Toinho macaco(guitarrista), Almir(tecladista); Luciano(vocalista); Zé Maria e Biguil(percursionistas). Santaray é também compositor e, junto com Ferreira Filho e Cláudio Melo, formaram o grupo"Essência", exatamente para divulgar as canções criadas pelo trio. O tempo sempre passando e o grande amigo e parceiro musical, Ferreira Filho, começou a integrar a "Soomzom", o que certamente abriria as portas para Santaray chegar, vê e vencer, na capital cearense. Foi aquele momento da explosão do forró, comandado pelo empresário Emanuel Gurgel, o criador do forró eletrônico. Santaray e Ferreira fizeram várias composições que foram gravadas por "Mastruz com Leite" e outras consagradas bandas. Foi, neste momento, que ingressou nos grupos musicais, de muito sucesso, "Aquarius" e "Mel com Terra" e assim, conquistaria, de forma definitiva, seu espaço na arte musical cearense. Um cigano da música, como mesmo se define, esteve em Goiás, participando da formação de uma banda.Foi convidado para fazer parte do trabalho musical de Rita de Cássia, a quem é bastante grato.  Mas, como quase todos os cantores, Santaray queria construir uma carreira solo, o que de fato aconteceu, no começo do ano de 2004. E chegou o tão esperado momento da gravação do primeiro disco solo que levou o título de "Conterrâneo". Apareceu a oportunidade e foi então, cantar em alguns países da Europa, o que muito ajudou na evolução de seu talento. Em Portugal, se apresentou, durante bom tempo, na famosa casa de shows "Armazém F". Esta carreira internacional durou até o ano de 2008. Rômulo Santaray, apaixonado por Quixadá, voltou as suas origens, embora a carreira continue a ser desenvolvida em todo o estado. Aí está um pouquinho da História deste batalhador que, juntamente com a espetacular "Black Banda", animará o "Carnaval da Saudade" do Balneário Cedro Clube, neste sábado(7). O grande amor que Rômulo tem pela sua bela Quixadá, será retribuída com o carinho dos seus fãs e amigos que lhe aplaudirão, a cada canção interpretada. Santaray, somos todos teus admiradores!
Santaray se apresentou em todo o Brasil

Se apresentou em diversos países da Europa

Aonde se apresenta, faz referencias ao seu querido Quixadá
A primeira apresentação, aos 4 anos de idadae

Santaray canta diversos estilos

Além de intérprete, é também compositor de talento


Muito criancinha, já com pose de astro

Recebendo prêmio, aos 4 anos, o melhor cantor entre as crianças

É DOCE CHEGAR AOS 60 ANOS

<> É doce chegar aos 60 anos. Prá começo de conversa, nem todos chegam lá. De repente, você fica famoso(o sonho de muita gente), tem cartaz.  Sério! Aconteceu comigo! Dia desses, caminhando pelas ruas percebi que lindas mocinhas corriam para chegar perto de mim. Que maravilha! Isso não aconteceu comigo nos meus 20, 30 anos. Sem entender muito aquilo tudo, um amigo tratou logo de explicar. Elas te querem de qualquer jeito, porque você é astro de Televisão. Eu, cara? Sim, você é do elenco da "TV INSS", todo mundo agora quer teu dinheiro! Sem pensar que nem menino, acreditei mesmo ser celebridade. Ao adentrar, numa dessas farmácias, que falam ter inaugurado 5 mil filiais(parece que o feliz dono quer montar uma em Marte),  me vi cercado  por, pelo menos, 5 beldades. Cada cocota(moça bonita do meu tempo), me oferecia um tipo de vitamina: "Essa, evita Infarto"; "Essa, o Senhor volta a namorar"; "Essa, evita o stress". Quanta bondade, meu Deus! Elas não ofereciam aos jovens! É doce chegar aos 60. Os maldosos dizem que, a partir desta idade, nada mais sobe. QUE MENTIRA ABSURDA! Sobe sim. Ora bolas! A minha pressão tá lá em cima. Que gente maldosa, meu Deus! A partir desta idade, temos alguns privilégios. Querem exemplos? Lá vai: qualquer óculos, serve demais. Até do nosso nome, não precisamos mais. Agora, é "seu Zé", "Vovô, "cabra velho". Beleza pura, não é não? Nos transportes públicos ou privados, circulamos por onde quisermos. Jovem, só conhecia Quixeramobim, Caio Prado, tudo pertinho. Hoje, conheço boa parte do Brasil e sem pagar. Não é uma brasa, mora! E na viagem de avião, juro que tinha jovem com inveja de mim. É que belas(bota bela nisso) aeromoças sempre estavam pertinho de mim, quase sentadas no meu colo e perguntando se eu estava bem. E nas filas, heim? Gente se matando e eu na frente de todo mundo. Pôxa cara, isso é muito privilégio! Por que esta idade não chega logo? E o milagre de voltarmos a ser crianças! agora, como na infancia, as enfermeiras nos banham do jeito que viemos ao planeta. Botam talco na gente, trocam até fraldas. Eu era besta e chorava quando novinho. Hoje, não choro, acho é bom. Sensacional! Mas o mais extraordinário desta nova idade é se voltar para o criador da vida. Quando somos brotinhos, hormônios fervendo, com tudo em cima, frequentando escolas, universidades, achamos que sabemos de tudo e que esse papo de Deus é coisa prá gente sem cultura, careta, ultrapassados. Maria, Nossa Senhora, coisa de beatas. Mas, nas primeiras dificuldades que encontramos na idade que chegou nos voltamos para eles, seja por medo de doenças ou da morte. Aconteceu comigo, sim. Hoje, quando muita gente se afasta da gente, encontrei nestes pais amorosos, a força, a coragem, de que tanto preciso. Vocês me acreditam que agora, volto a ser criança, juntos as mãos, rezo ajoelhado. Agora, não duvido mais. Vem, vem logo para os 60 anos. É doce chegar lá!


sábado, 24 de janeiro de 2015

IRISMAR E EDINHO - - - UM AMOR SEM LIMITES





Edinho e Irismar - um amor que não encontrou palavras para defini-lo

Edinho com o irmão Marcondes
 Ao cair da tarde, no  doce Quixadá dos anos 60, crianças e jovens. se encantavam com as atrações do "Parque Brasil", dirigido pelo simpático Senhor Pedro. Era, como se fosse a "Disneylândia", para aquela geração. Tudo atraía a atenção, como a roda gigante, carrossel de cavalinhos, as barquinhas, os aviões. A difusora do espaço de diversão era o "e-mail", daqueles belos tempos. Brotinhos se declaravam, fazendo juras de amor. Naquele ambiente mágico, um jovem tímido, então com 18 anos, servindo já ao "Tiro de Guerra", recebe um bilhetinho de uma linda menina, que fora enviado por uma prima sua. Naquelas mal traçadas linhas, a jovem falava do interesse em namorar com ele. O rapaz, encantado com os olhos daquela menina, disparou: Quero namorar com você e não com ela! Começava ali, naquela noitinha mágica, uma das mais emocionantes, sofridas(é bem verdade) mas, acima de tudo, belíssima historia de amor. Nasceu, naquele momento, um amor cheio de cumplicidade e afeto. É assim que podemos definir, a abençoada união entre Paulo Edson de Sousa, o querido e saudoso Edinho, e Maria Irismar Duarte(a nossa querida Dó). Os primeiros momentos de namoro foram de algumas dificuldades. No tempo daquela comportada juventude, se fazia necessário o  consentimento dos pais. E, como dez, entre dez jovens, ali nos anos 60, os poéticos encontros, se davam, às escondidas. Num desses encontros, o irmão de Irismar, o hoje popular, Tião da baladeira, obrigou a irmã  ir, correndo para casa.Era permitido assistir filmes no "Cine Yara" mas, acompanhada da presença de um irmão, papel, muitas vezes desempenhado, pelo Evandro. E o primeiro beijo(roubado, é claro!), se deu no portão da casa dos pais do brotinho. Mas isso, só quando o motor da luz, parou de funcionar, às 22 horas(era assim mesmo no Quixadá, dos anos 60). Mas, em pouco tempo, os pais de Irismar, senhor Alberto(então, magarefe no velho mercado) e dona Lídia, descobriram no Edinho, um jovem honesto, de caráter e, com certeza, seguidor das orientações de seus pais, Raimundo Nogueira e Francisca  Alice, gente honesta, da localidade de Marizeiras. E o tão sonhado(ah, tão sonhado!) casamento, se deu no dia 24.12.1966, na igreja de Santo Antônio, em Quixeramobim, em missa celebrada pelo padre Pimentel. O enlace se deu na vizinha cidade, em razão do Marcondes, irmão do noivo, ali morar. Aconteceu um detalhe, bem interessante: O Edinho demorou a chegar na igreja e os presentes, se indagaram:Ou aconteceu alguma coisa ou ele não quer mais casar!" Irismar, então, falou que podia ter acontecido algo, mas ele desistir dela, jamais. Dizia que o amor entre eles estava bem escrito nas estrelas. Irismar jamais esquece o fato de que um serviço de alto-falantes local, ter executado, durante toda a cerimônia, a música de maior sucesso no momento, "Cinderela" na voz de Angela Maria. Veio o ano de 1967 e com ele, uma grande alegria. Nasceu o primeiro filho do feliz casal, George. Em 1970, Deus presenteava o casal com um novo menino que ganharia o nome de Rivelino, numa homenagem a um dos craques da vitoriosa seleção brasileira, daquele ano. Mas, como tudo na vida, entre os casais, há também obstáculos, desafios. O bom Edinho, também tinha outra grande paixão, o futebol. E essa incontrolável paixão atraiu muitas dificuldades para o casal, especialmente no aspecto financeiro. Para que se tenha uma ideia, o jovem marido era proprietário, junto com o irmão Zé Hélio, na então rua Joaquim Nabuco, de uma casa especializada em peças para vespas(coqueluche da galera daquele momento). Corria tudo bem nas despesas do casal mas Edinho, de um coração enorme, começou a ajudar os jogadores do seu querido time, por nome de Avante, e as suas famílias. Então, vieram as dificuldades financeiras. Ele encontrou forças na sua esposa(mais amiga que esposa), Irismar. Numa demonstração, do quanto se amavam, enfrentaram juntos, as dificuldades. Se faz necessário registrar, nesta linda história de amor, a presença do senhor José da Páscoa que entregou a sede do "AVANTE"  ao Edinho, para ele administrá-la.  Também, começou a integrar a equipe de apoio do grupo escolar José Jucá. "Páscoa foi um pai para nós", acrescenta Irismar, com lágrimas nos olhos. Mostrando que as dificuldades não são barreiras para terminar um grande amor, ela também começou a trabalhar, em meados dos anos 70, na agencia do "Inamps", como faxineira, faz questão de ressaltar. Lembra do grande apoio dos médicos Antônio Moreira Magalhães, Ítalo Silveira, Laércio, Mesquita, José Alves, Rômulo e dos colegas Maria José, Mazinha, Eunice, Bidida, Maria Monte, Inacinha, Chico Batista, Waldizar, Airton Choró. O casal não esmoreceu, sempre foram compreensivos e, depois de algum tempo, a questão financeira foi controlada. Mas, um inimigo perigoso, rondava aquela casa, em que reinava a felicidade.  Nosso Edinho não estava conseguindo controlar o vício do álcool, que minava a sua saúde e deixando todos, muito preocupados. Apesar da dedicação de Irismar, George, Rivelino, do restante da família e dos amigos, Edinho veio a falecer em 7.11.2003, aos 64 anos. Quixadá ficou triste e uma grande multidão foi dar adeus aquele homem que personificou a bondade, a honestidade, o caráter.Valder, colega dos tempos de José Jucá, nos lembra que o Edinho foi a pessoa mais dedicada aos amigos, que já conheceu. Apesar dos problemas advindos dos gastos do futebol, do vício do álcool, o casal, jamais chegou, a explosão de brigas, intrigas. Até nos momentos mais cruciais,  a calma, o respeito, de um para com o outro, foi sempre mantido. O casal sempre teve uma grande reserva de ternura, em qualquer situação. Hoje, os dias de Irismar, dos filhos e dos incontáveis amigos, são de belas recordações daquela criatura, tão presente na vida de todos, tão amigo, solidário, alegre. Irismar e Edinho, o casal que nos fez ver que, nos momentos de tormenta, deve prevalecer um grande amor. Depois de contar uma trajetória tão emocionante, permito-me, perguntar: A terra dos monólitos conheceu outra mais bela história de amor? Cartas para meu blog -
A família sempre na igreja

Festa em família

Avante,  uma grande paixão
Na comemoração dos 60 anos

Edinho amava os netos

domingo, 18 de janeiro de 2015

<>A SAUDADE QUE FICOU<>NECY- O AMIGO QUE GUARDAMOS DENTRO DO CORAÇÃO

Necy no "Belas Artes"
<>Desde criança, escuto alguém falar, frases como estas:"O homem só vale o que tem!  Vale o que tem no bolso!" Na realidade, no nosso mundo atual, funciona, mais ou menos, assim. O "TER" é mais importante do que o "SER". Quem tem dinheiro, poder, é mais valorizado, não importando, se é uma pessoa de caráter, de boas atitudes, honesta. Tendo grana e fama, é admirado por quase todos. Se é uma verdade absoluta, então, como explicar, o fato de existirem pessoas, bem simples, humildes mas que conseguem ser admiradas, queridas e respeitadas? Como essas pessoas conseguem enfrentar esse sistema social, excludente, injusto  e serem reconhecidas? Dentre vários exemplos, merece destaque especial um ser humano ao nos mostrar que, bondade, honestidade, caráter, é o que deve balizar a vida do homem. José Vituriano da Silva, carinhosamente chamado pelos amigos de "Necy", foi um quixadaense que nos fez ver, ser possível uma pessoa se sentir feliz, mesmo sem desfrutar de bens materiais.Aprendeu, ainda criança, com seus pais Viturino e Dona Carminda, a lutar pela vida, baseado no trabalho honesto. Exercendo a profissão de garçom, profissão ainda desprestigiada em nosso país, Necy conquistou muitos amigos, não importando a classe social. Quem pode esquecer o querido Necy do "Belas Artes"? Foram 20 anos, atuando como garçom, nesta tradicional churrascaria da terra dos monólitos. Décadas de 70 e 80, do século passado.  Os clientes, os colegas de trabalho e os patrões Evanildo e Baísa, sempre tiveram um carinho muito grande, para com aquele jovem, dedicado e amigo. Necy levava, tão à sério, a sua profissão que, quando algum cliente não encontrava sua bebida preferida, ele vinha até a cidade e comprava do seu próprio bolso. Depois de todos esses anos no "Belas Artes", começou a trabalhar, por conta própria, levando a experiencia para outros embates, no trabalho, que tanto gostava. Montou uma churrascaria no "Putiú", formando uma equipe unida, constituída de familiares e amigos: Gonzaga, Maria do Cabeção(assim conhecida), Francisca, Reginaldo e claro, a sua querida esposa, companheira de todas as horas, a simpática Graça. Pouco tempo depois, foram para o centro da cidade, começando na Plácido Castelo. Mas, foi na rua José Maria Rocha, no calçadão, que Necy conheceu, digamos, a "embriaguez do sucesso ". Não demorou muito e sua churrascaria passou a ser uma das mais frequentadas da cidade e também, pelos que visitavam a bela Quixadá. Dentre os amigos mais próximos, podemos citar: Dr. Antônio Magalhães, Dr. Laércio, Dr. Sebastião, Renato Carneiro, Agenor Magalhães, Dr. César Oliveira, Dr. Agripino, Dr. Helder, Jonas Sousa, Franzé, Tomé, Sinval Carlos, Mailson, Mailton, Lucivaldo, dentre muitos outros. Necy casou-se em 1971 com a simpática jovem Graça e, desta união, nasceram os filhos Nazareno, Regina Cláudia, Robério, Jorgiana e Paula. Esta linda história de amor começou, lá pelos meados dos anos 60, quando os dois se conheceram na praça Coronel Nanan. Sentados no coreto, noites lindas do Quixadá antigo,suspiros ao luar, promessas de amor eterno. Felizes, como num sonho, os jovens enamorados até pensavam que a banda do maestro Benício tocava só para eles. Necy era apaixonado por futebol e era só terminar o expediente, corria para as "peladas' com os amigos. Se sentia um verdadeiro Vavá, o craque artilheiro da seleção brasileira das copas de 1958 e 1962. O seu grande amigo Franzé, chegava para a dona Graça e dizia: "O Necy tá dando show de bola, fazendo muitos gols!" Mas, ela ouvia aquilo tudo e demonstrava grande preocupação. É que o nosso amigo, durante a madrugada, começava a gemer de dor, estava doente, mesmo sem quase nunca demonstrar. Certamente, não queria preocupar a família e os amigos. Mas um dia, Necy sentiu fortes dores e Graça pediu socorro ao seu vizinho e velho conhecido, Lairton, que, prontamente, adotou as primeiras providências. Roberto Hamilton conduziu Necy até o hospital local mas, de uma forma imediata, foi encaminhado a Fortaleza. A cidade ficou triste, as pessoas ficaram preocupadas. Nesses momentos, Deus torna todos iguais e muitas orações aconteciam, pela recuperação do querido amigo. Mas, no dia 8 de outubro de 2006, o coração deste ser humano maravilhoso, deixava de bater. A notícia entristeceu os incontáveis amigos e os frequentadores da sua churrascaria. Católico, não perdia missa, participava do terço dos homens e, sempre acompanhava de um mesmo banco, na lateral da igreja. A dona Graça, em homenagem ao seu querido companheiro, assiste às missas, no mesmo local, até os dias de hoje. Necy será sempre uma doce lembrança! Contando, só um pouco, da bela história deste ser humano incrível, tenho que concordar com Patativa do Assaré, ao se manifesta desta maneira: "NÃO HÁ DOR MAIOR QUE A SAUDADE!"

Necy-doce juventude

No "Belas Artes" com Otávio, Toinho, o humorista Mussum e uma pessoa não identificada

Necy era um pai amoroso


Vinicius, Agenor, Isidoro,, Ediberto,  Alberto, Chico Bumba e Necy 
O amigo certo das horas incertas

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

"EMOÇÕES EM CONTA GOTAS" - PRIMEIRO LIVRO DE CRONICAS DE JOÃO EUDES COSTA

<> Que se rejubilem os leitores e amigos do escritor quixadaense, João Eudes Costa. Vem aí novo livro do nosso Pelé, o craque da literatura regional, respeitado pela crítica e amado pelo seus conterrâneos. Deste ano, não passa! Gozando do privilégio de sua amizade, ele me deu a notícia. E agora, repasso para vocês. Livro deste escritor para os adultos, é sempre um convite a leitura. Para a mocidade, que devora seus livros nas escolas e bibliotecas, tem esse comentário: "Livro do João é massa!". A História da terra dos monólitos forma a sua essência como escritor, historiador e memorialista, presente em livros como "Retalhos da História de Quixadá", "Ruas que Contam a História de Quixadá". O que nem todos sabem, é que João Eudes também se destaca como um cronista de muitos talentos, tendo produzido, desde a juventude, textos com muita qualidade e sempre, tendo como inspiração, fatos que que se desenrolam em sua querida cidade. Há muitos anos, suas crônicas estão presentes nos jornais "O Povo" e outras publicações do estado. Mais recentemente, nos encantamos com seus textos no jornal "Diário do Nordeste". Suas crônicas tem gosto de poemas, são elaboradas com meiguice, emoção, ternura. Durante muitos anos, foi levado ao ar pela "Rádio Uirapuru(hoje, Monólitos), ao meio dia, o programa "Boa Tarde para Você", apresentando crônicas escritas pelo João e  seu amigo, Luiz Oswaldo.  João Eudes ver o cotidiano de sua bela Quixadá, com os olhos da emoção. Fez registros inesquecíveis, como o acidente sofrido pelo médico Everardo Silveira, num texto marcante. intitulado"As Mãos do Amor". Destacou que, as mãos que ampararam tantas crianças, filhas de mães pobres, não podiam ficar sem os movimentos. Quando Aziz Baquit esteve doente, preocupando os quixadaenses, João registrou o fato na emotiva crônica"Coração que Não Deve Parar". Como poderíamos definir um cronista? Um reinventor da vida? Um poeta disfarçado? Um construtor de novos caminhos? Um crítico do cotidiano? Sei lá! Só sei que seus textos, além de exaltar a beleza da terra dos monólitos, também evocam a saudade, o sentimento, a infancia, a bondade. João Eudes fabrica, tendo as letras como  instrumento, um território mágico, rico de muitas emoções. Daí, o nome do livro que apresenta suas melhores crônicas: EMOÇÕES EM CONTA GOTAS"

sábado, 10 de janeiro de 2015

-A SAUDADE QUE FICOU _DEUSIMAR MENDES DA SILVA- A SIMPLICIDADE EM PRIMEIRO LUGAR

Deusimar um apaixonado pelo futebol
<>Ele teve suas origens na simplicidade, no trabalho. Bateu a enxada no chão,  plantou milho, limpou roçado, colheu algodão, sempre ajudando o seu velho pai, Luiz Gonzaga. Jovem, se alistou para trabalhar nas chamadas "frentes de serviço", no período das grandes estiagens. Aprendeu então, a valorizar as coisas simples da vida e procurar agir, sempre com humildade. No começo dos anos 70, veio morar em Quixadá, administrando uma pequena bodega. Sempre disposto a trabalhar, conseguiu emprego na loja "Zilvan Rabelo" e, com um jeito todo especial de atender os fregueses, foi conquistando espaços, construindo amigos. A jovem Irani Lucino de Oliveira Silva gerenciava este comércio, não demorando muito, o surgimento de um bonito romance. Casaram-se, no ano de 1972. Dispostos a trabalhar, em pouco tempo, se tornaram empresários de sucesso. As "Lojas Mendes" se transformaram numa referencia do comércio da região, sempre apostando no crescimento da terra dos monólitos. Se faz necessário ressaltar a dedicação ao trabalho de Irani que, sempre esforçada e organizada, foi a grande responsável pelo êxito do empreendimento.  Sempre simpático, valorizando o que é simples, entrou na política, elegendo-se por três legislaturas. Apaixonado por futebol, chegou a presidencia do Quixadá Futebol Clube, nos anos 80, quando o querido "Canarinho do Sertão" chegou a realizar bons campeonatos. Apaixonado pelo sertão, jamais o abandonou. A fazenda "Várzea da Onça" era sua maior alegria. Mesmo tendo casa e comércio na cidade, era naquele pedaço de chão que achava tudo bonito. Quando descansava numa rede, com os olhos embargados de saudade, lembrava da imagem do seu pai, trabalhando no solo do Riacho do Meio. Lembrava da sua mãe, dona Luiza, sempre cuidando muito bem de todos, jogando milho para as galinhas, fervendo o leite, preparando o almoço. Deusimar era apaixonado pelo sertão. Era assim porque conheceu o sofrimento daquela gente, os longos períodos de seca. Ele mesmo chegou a trabalhar em construção de açudes. Estes detalhes, que estiveram presentes em sua vida, forjaram o seu perfil, de um homem exageradamente simples, atencioso para com todos e mostrando que, o mais importante nesta vida não é engordar contas bancárias e sim, perceber em cada ser humano, a presença de Deus, constatando que não há ninguém superior neste mundo. Mesmo tendo construído um expressivo patrimônio, Deusimar sempre afirmou que sua maior riqueza eram seu filhos: Lindon Jhonson, Kerla, Suyana, Erick Bayves e Farney Guthierry. O querido Deusimar nos deixou em 05.02.2003. Aquele, que foi em vida, um símbolo de bondade, simplicidade, hoje é uma eterna saudade.

O Quixadá Futebol Clube foi sua grande paixão