terça-feira, 6 de agosto de 2019

JURANDIR BAR(Bar do Ceará)- UM ESPAÇO DE PAIXÃO AO CEARÁ SPORTING NA TERRA DOS MONÓLITOS

Bar do Jurandir(Bar do Ceará) é um espaço do encontro de grandes amigos
<>O A paixão de um torcedor pelo seu clube do coração não tem limites. E ninguém resiste mesmo a esta grande paixão. O sentimento do torcedor quixadaense Jurandir Ferreira é incontrolável pelo seu Ceará Sporting. Este clube para ele é como uma melodia de amor e lhe transmite muita alegria e até uma paz que suaviza o cotidiano de todos os dias. Não há dúvida, é o grande clube do seu coração. É amor, é carinho exagerado e acreditem, o "Vovô" é sem dúvida, uma das grandes alegrias deste pacato e estimado cidadão. Fez do seu bar uma espécie de mini-museu onde pode-se curtir e conhecer um pouco da história deste querido time nordestino. Nas paredes do conhecido "Bar do Ceará" podemos curtir imagens do alvi negro desde os anos 50 e que chama atenção pela precisão de detalhes. Os habituais frequentadores e os curiosos visitantes realizam uma viagem no tempo e parecem que estão vendo o eterno ídolo Gildo marcando gols; lembram das defesas do incrível Aloísio Linhares, o chamado "Caravelli".  É saudade e encantamento apreciar aquele time de 1958 formado de grandes craques como Alexandre, Damasceno, William, Carneiro e todo o time. E aquela imagem do time de 1963 com jóias da bola como Carlito, Charuto, Marco Aurélio, Mauro Calixto? Num lugar especial, a imagem daquele time do tetra e acontece aí uma coisa fantástica em algum momento, parte dos torcedores gritam o nome de Tiquinho, o herói do tetra. Para Jurandir e outros apaixonados, belas imagens. Me expliquem caríssimos e pacientes leitores de minha despretensiosa coluna, até onde vai a paixão de uma pessoa por um time de futebol? Jurandir Pergentino Bezerra, ali da região de Vertente, é proprietário do "Bar Ceará" desde 1984 e este amor pelo time mais antigo do estado vem desde a adolescência quando escutava as narrações de Gomes Farias e os comentários do famoso comentarista e declarado torcedor do Vozão, o inesquecível Paulino Rocha. É aí que entro na conversa e digo que a mídia tem sim, o poder de influenciar os torcedores. Jurandir lembrou que aquelas imagens  penduradas na parede daquele espaço foram na maioria doadas pelos frequentadores e claro, loucos pelo Vozão. Mas, agora, por favor, muita atenção dos amigos que estão lendo estas mal traçadas linhas(é o novo!): O bom amigo Jurandir lembra que os torcedores do Fortaleza são muito bem recebidos mas alerta que os torcedores do Ceará assistem o jogo num telão de luxo enquanto a torcida do rival acompanha o jogo naquela antiga "tv" de 14 polegadas onde dizem as más línguas, só se ver a bola. Muito legal, não é gente? Essa aqui é demais e peço gentilmente um pouquinho de atenção por parte de vocês. É que  quando o vozão marca um gol o bar treme com a explosão de alegria de todos. Os mais apaixonados afirmam lembrar das arquibancadas do Castelão nas comemorações do gol do Tiquinho que deu o tetra ao Ceará. Não é coisa mesmo de torcedor que ama o clube até demais?Frequentadores daquele espaço como Marciano, gerente de farmácia; Jurandir, Everardo Sampaio, Wellington  e todos afirmam que o ambiente é de muita paz, alegria e uma grande amizade se diz sempre presente.Agora, prestem atenção a mais este detalhe: Só a gostosa feijoada preparada pelo Jurandir  consegue unir os torcedores de Ceará e Fortaleza. É uma feijoada prá ninguém botar defeito, afirmam alvi negros e tricolores. Aí, a rivalidade vai pro espaço e toda a turma saboreia aquele prato saboroso que vem acompanhado de torresmo, couve, arroz branco e parece ter sido temperado com alho, cebola e bacon(coisa chique, meu Jesus amado!). É um golaço do Jurandir que recebe os aplausos dos amigos.  O conhecido "Bar do Ceará" se localiza na Travessa Tiradentes e é visitado por pessoas de toda a terra dos monólitos, de outras cidades  e até de Fortaleza, em especial de torcedores do Vozão que querem conhecer mais de perto esta paixão de Jurandir pelo clube do coração. Só tem algo neste mundo que Jurandir ama mais que o Ceará Sporting, com certeza, é a sua família que considera como a sua maior riqueza e o maior amor deste mundo. Mas, garante, é uma família preta e branca. Grande Jurandir, aquele abraço de toda equipe da "Revista Central!"
Bar do Ceará-espaço de amor ao clube alvi negro

Parede da paixão-imagens de todas as épocas do Ceará Sporting

Jurandir mostra a tv onde são acompanhados os jogos do vozão


Visita do repórter ao espaço

Torcedores alvi negros e tricolores se confraternizam

Imagem do Ceará dos anos 60
Uma das imagens mais curtidas pelos torcedores
Nesta pequena tv são exibidas as partidas do time rival

Encontro de alvi negros e tricolores onde impera a grande amizade
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sexta-feira, 26 de julho de 2019

A SAUDADE DE PADRE VICENTE PERMANECE NO CORAÇÃO DOS QUIXADAENSES



Padre Vicente: Gostar das pessoas o fazia bem feliz

Parte interna do Colégio do Padre à época da direção do Padre Vicente
<>A diocese da terra dos monólitos foi instalada em agosto de 1971 e seu primeiro bispo foi o piauiense Dom Joaquim Rufino do Rego. Foi ele o responsável pela vinda para nossa cidade do sacerdote, advogado e professor Vicente Gonçalves de Albuquerque, o Padre vicente que mesmo tendo nascido em Acaraú dizia-se quixadaense pois amou como poucos esta terra e as pessoas que nela habitam sem levar em conta motivos religiosos. Cultivou a amizade e a simplicidade sem jamais considerar o fato de alguém pertencer a determinada classe social ou por motivo de cor. Conquistou grande estima por parte da população quixadaense, em especial, os mais jovens pois sendo detentor de uma grande cultura sempre os orientou nas suas escolhas.  Nas missas que celebrava atraía a presença de seguidores de outras religiões que faziam questão de acompanhar seus sermões que transmitiam paz e reflexões. Jamais reagiu negativamente quando alguém o tratava como professor e ,na verdade, lecionou História e outras disciplinas em vários colégios não só em Quixadá mas em outras localidades onde atuou como padre, como por exemplo, Escola Técnica de Manaus e Instituto de Educação de Manaus, Cadeira de Ciências Políticas na Faculdade de Serviço Social de Campina Grande. Foi diretor do Ginásio Valdemar Alcântara onde conquistou o carinho e respeito de pais e alunos. Era graduado em Filosofia, Teologia e Direito mas jamais atuou como advogado pois ele mesmo afirmava que sua missão era estar próximo das pessoas e falar da importância de Cristo na vida de todos. Ordenou-se sacerdote no ano de 1954 em Itacoatiara, Amazonas e por dez anos seguidos exerceu a função de Vigário em Manaus a todos fascinando pela dedicação e atenção especial com as pessoas mais simples. Também exerceu por algum tempo, o vicariato no interior do Amazonas, em Nova Olinda e Rio Madeira. Quando cursava Direito Civil em Campina Grande foi Vigário no distrito de Galante. No ano de 1974 foi nomeado Vigário da Paróquia de São Sebastião em Choró. Em 1983, Vigário cooperador da Paróquia da Catedral de Jesus, Maria e José e no ano de 1985, Pároco em Choró onde realizou um grande trabalho junto a juventude local. Em 1986 foi nomeado Vigário Geral por Dom Rufino sendo reconduzido pelo novo bispo da Diocese, Dom Adélio Tomasin e sempre exercendo sua missão com muita seriedade e dedicação. Se achava um filho da terra dos monólitos e foi agraciado com o título de cidadão quixadaense no  ano de 1994 como um reconhecimento ao grande trabalho realizado na sua atuação religiosa e educacional. Simples, atendia com paciência a todos que o procuravam no conhecido Colégio do  Padre e na maioria das vezes com uma gostosa gargalhada. Nos meus jovens anos, cheguei a trabalhar algum tempo com ele que me recebia desta forma "Já sei, tá com cara de quem precisa de dinheiro!"Quando ficou doente, sentiu-se muito triste por não mais ter condições de estar perto das pessoas que amava e claro, ser solidário como sempre foi com aquelas pessoas com mais necessidades de atenção. No hospital São Mateus foi flagrado por diversas vezes com lágrimas nos olhos ao lembrar da terra dos monólitos, dos seus irmãos da igreja, dos colegas do magistério e de toda a comunidade que aprendeu a amá-lo. Quando recebia a visita de algum quixadaense, seus olhos pareciam com os de uma criança ao ver sua primeira árvore de natal. Tornou-se cidadão do céu em 31.10.1995 e a notícia deixou os quixadaenses muitos tristes e foram vistas muitas pessoas chorando nas igrejas e em outros espaços. Uma intensa corrente de oração ocorreu por toda a terra dos monólitos e em outras cidades da região. Nas igrejas onde celebrou missas muitas orações, silêncio respeitoso e lágrimas. Lembro ter presenciado o sofrimento de famílias e amigos se abraçando e chorando pela partida do querido sacerdote e amigo. O sepultamento aconteceu no Cemitério Parque da Paz em Fortaleza. Em nossa cidade, eternizando o nome deste santo eleito pela população temos a Escola de Ensino Fundamental Padre Vicente Gonçalves Albuquerque que funcionas nas proximidades do quartel da Polícia Militar.  Por ter buscado sempre alguma forma de ajudar a quem a ele recorria, por se sentir sempre feliz em estar próximo das pessoas, por nunca se achar superior aos outros e , em especial, pelo grande empenho na divulgação da palavra de Jesus, Padre Vicente continuará vivo em nossas lembranças. 
Padre Vicente esteve sempre perto dos amigos

O sorriso sempre presente  .......................................................................................................................................................................................................................................

terça-feira, 16 de julho de 2019

DISSINHA MITCHEEL- UM TALENTO DE QUIXADÁ PARA O MUNDO

Ator transformista conquistou muitos admiradores

Madonna quixadaense
 <>No começo dos anos 90, um garoto cheio de talentos e muitos sonhos convidou alguns amigos para assistir um pequeno espetáculo montado por ele mesmo no salão paroquial aqui em Quixadá. Com certeza, um lugar desapropriado para o evento mas, incrivelmente, ainda nos dias de hoje nossa cidade não dispõe de um espaço para este tipo de manifestação artística. Naquele dia, um show terrivelmente "simples" com poucos recursos mas cheio de entusiasmo, energia e muito, muito "TALENTO". Naquele momento, só as pessoas mais próximas a Dissinho sabiam do seu talento, de sua arte já presente em seus anos verdes. Alguém da platéia falou que ele precisava mostrar seu trabalho para um público bem maior. Desde então despertou naquele sonhador o desejo de um dia mostrar sua arte para muita gente. O impulso também era acompanhado do medo e da reação da família que nem imaginava que o talento dele em realizar performance artística e se transformando em grandes estrelas da música o faria querido e respeitado. O show de Dissinho não se tratava de um evento igual a todos de um cantor ou dançarino mas de um ator transformista e em outras expressões, um garoto vestido de mulher, talvez, uma situação estranha para a cidade naquele momento. Mas este jovem astro tinha uma criatividade além, muito além daquela época. Com muita confiança, tendo consciência do valor de sua arte alugou o Balneário Cedro Clube e sem nenhum centavo no bolso, realizou um grande espetáculo que atraiu a atenção até de pessoas de outras cidades. Dia e noite, cuidava da montagem deste evento, praticamente sozinho.  A partir daí seus shows já contavam com grande público e muitos admiradores vinham de Fortaleza para aplaudi-lo de forma entusiástica. A partir dai, seu nome artístico passou a ser "Dissinha Mitchell' Já era sucesso e ficou conhecido na cidade e em todo o estado como "MADONA QUIXADAENSE". Chegou a vez de Fortaleza e O jovem talento se tornou uma das maiores atrações em muitas casas de espetáculos e até em teatros de grande porte. Num belo dia, um empresário europeu o viu em show na capital e fez o convite para trabalhar numa famosa boate na Alemanha. Lágrimas, muita emoção e um grande desejo de divulgar Quixadá para todo o mundo e ter mais condições de ajudar sua família, as pessoas mais humildes da cidade e encorajar aqueles que nasceram para a arte e na maioria das vezes são incompreendidos.  Era o ano de 2009 e toda a cidade tomou conhecimento do sucesso daquele artista nosso, filho da dona Luciene e que tanto batalhou pela cultura local na formação dos blocos de carnaval, nas quadrilhas juninas a quem  imprimiu um toque profissional.  Hoje, ele trabalha na "REVUE PALASST", uma das maiores casas de shows do continente europeu. É sem dúvida, um nome respeitado em vários países pois realizou muitas apresentações. Foi uma conquista que nos inspira a ter mais confiança na busca de nossos ideais e claro, teve que enfrentar muitos desafios, superar as decepções, preconceitos e até indiferença. Segundo a produtora artística Edna Letícia, Dissinha Mitchell é um ser humano maravilhoso que nunca respondeu a alguma ofensa e quer apenas mostrar a sua arte que segundo o próprio foi uma dádiva do criador. Ele vem aí, 9 de agosto, e fará uma apresentação única no hotel Vale das Pedras em show aberto ao público. Vamos lá aplaudir este nosso astro e certamente, ele ficará muito feliz com a presença de seus irmãos quixadaenses. LUZ NA PASSARELA! VEM AÍ DISSINHA MITCHEL.
A produtora cultural Edna Letícia produziu vários espetáculos de Dissinha


Apesar da distância, o astro não esquece sua querida Quixadá

Sempre confiou no seu talento

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quinta-feira, 11 de julho de 2019

MANUEL ONÇA- A SUA PRESENÇA NAS RUAS É A INSPIRAÇÃO PARA NOS MOSTRAR QUE TODO TRABALHO É DIGNO

Manuel Onça nos dá a certeza da dignidade presente em todas as profissões


Manuel e sua deusa Luisa 
 <>As ruas de nossa bela Quixadá não são tão desprovidas de poesia e apesar dos problemas tão presentes como, por exemplo, a violência nos dias atuais, não deixam de ter seu encantamento. Almas povoadas de bondade e de uma sempre presente vontade de trabalhar acabam se constituindo em pessoas muito queridas e não obstante a simplicidade da profissão que exercem  se tornam respeitadas e admiradas na comunidade. São Trabalhadores humildes e nunca querem mais do que o necessário para a sua sobrevivência e quando é possível até estender as mãos para aqueles mais necessitados. O valor destes cidadãos não são avaliados por bens materiais mas pela honestidade, caráter e uma imensa vontade de levar alegria as pessoas. Trabalhando sempre com roupas modestas mostram que a simplicidade é uma coisa divina e que a todos fascina. Francisco Manuel Germano, o popular "Manuel Onça" é um desses privilegiados  se destacando por realizar um trabalho honesto e em todos dias conquistando mais amizades. Há mais de cinquenta anos ele exerce a atividade de lustrador de carros e sua presença nas ruas de Quixadá e de outros trabalhadores  nos fortalece pelo exemplo que dão ao mostrar que o trabalho, a força de vontade e a correção no exercício da profissão tornam a nossa vida mais interessante. Quando os quixadaenses vão as ruas para suas rotinas é difícil não dar de cara com aquele senhor lavando carros com tanto profissionalismo e cuidando com tanto zelo como se eles fossem de sua propriedade. O seu principal local de trabalho é nas proximidades da Câmara Municipal mas atende seus clientes em qualquer outro espaço. Manuel Onça, ainda muito criança, ajudava seu pai Francisco Germano que trabalhava como carreteiro naqueles anos 60 do século passado.  Lembra de alguns colegas de profissão de seu pai como o Croinha, Miron, Henrique, Luis Carreteiro e tinha outros que já não recorda o nome. Trabalhou durante algum tempo na Prefeitura Municipal na administração do senhor José Okka Baquit(1963-1967) realizando algumas tarefas no setor que cuidava da limpeza da cidade. Durante este período foi muito bem tratado pelos secretários Dr. Sátiro, titular da  Agricultura e Dr. Otávio Belisário da secretaria de urbanismo e pelo próprio chefe da municipalidade. Manuel Onça mora hoje no bairro Campo Novo e quando adolescente testemunhou o crescimento daquele espaço que naqueles anos só apresentava casas de taipa. Afirma que José Baquit ajudou do próprio bolso na construção de casas de muitas famílias. Faz questão de lembrar de alguns de seus fiéis clientes como Dr. Eudásio Barroso, Dr. Arlindo, Gonçalo, Adamastor, Aziz Baquit, Dr. Mesquita, José Páscoa, Evandro, vereadora Dadá e muitos outros. Contou ele para o colunista que alguns poucos clientes deixavam propositadamente algum dinheiro ou objeto de valor para por à prova a sua honestidade mas não ficava com rancor. Nunca esqueceu o dia em que o seu cliente e amigo Lafaiete Albuquerque lhe falou: "Não fique triste, meu amigo Onça, não é a ocasião que faz o ladrão pois este já nasce feito e você é uma pessoa corretíssima". Merece ser destacado o fato de que naquele anos 60, 70, a água utilizada por estes profissionais era retirada do rio Sitiá que era limpo até demais mas com o passar dos anos a qualidade da água foi ficando péssima. Não custa lembrar que muita gente levava seus carros para ser lavados ali próximo a ponte do Putiú e muitos profissionais deste ramo dali retiravam a quantidade necessária para nais um dia de trabalho. Com ar de uma pessoa triste fala que o Sitiá já foi  referência de um rio limpo e integrado a vida da cidade. Como se fala nas canções, ao lado de um grande homem deverá existir uma grande mulher e Manuel Onça se diz muito agradecido a Deus por ter colocado no seu caminho o que ele chama de uma verdadeira deusa, no caso, a sua esposa Luisa com quem divide as alegrias e tristezas e garante que o grande segredo para uma vida a dois é sempre caminhar lado a lado sabendo encarar os momentos complicados presentes na vida de todo casal. Conheceu seu grande amor na na residência da senhora Cristina Capistrano, mãe do saudoso Zequinha Capistrano de quem se tornou um grande amigo. Mas o namoro começou mesmo numa festa de reisado que acontecia na praça José de Barros e que se constituía numa atração na terra dos monólitos. Antes de ir para a praça, Manuel e seu amigo Mourão Sapateiro foram tomar uma cachacinha no bar do Alberto da Onça e assim criar coragem para arranjar uma namorada. Foi pouco tempo de namoro com sua Luisa mas o suficiente para o surgimento de uma grande paixão. Quando os jovens apaixonados se divertiam na roda gigante do parque do senhor Pedro aconteciam beijos roubados no momento que o brinquedo alcançava o local mais alto e os dois se sentiam bem pertinho do luar. Muita gente tem curiosidade em saber de onde surgiu o apelido de Manuel Onça e ele nos contou que quando iniciou seu trabalho como limpador de carros andava bastante no carro de um motorista conhecido como Raimundo Muriçoca que percorria vários sertões de Quixadá e o pessoal perguntava a ele se tinha visto alguma onça no caminho e ele respondeu que não precisava pois já carregava uma no carro se referindo ao nosso amigo Francisco Germano. Pronto, o apelido pegou e assim é conhecido até os dias de hoje. Manuel carrega por todos esses anos um sério problema no seu braço direito motivado por uma queda que levou quando montava um jumento bem brabo(diz, com risos). Como acontecia naquele passado já bem distante correu para o seu Quinzinho que encanou o braço, mas 15 dias depois quando se encontrava na chamada ruinha(rua Juvêncio Alves) pastorando o gado do senhor Mário Ferreira sofreu uma grande queda e resolveu não mais cuidar da fratura. Manuel se diz feliz com seu trabalho e aprendeu que a vida é uma batalha diária e com muita fé e dedicação é possível  ser feliz. Acostumado a encarar as adversidades na vida sempre com muito entusiasmo acaba por se constituir numa referência para todos nós e sempre lembra que é preciso ter muita fé em Deus e na vida. Trabalhadores como Manuel Onça e outros que desenvolvem atividades mais simples sofrem a invisibilidade social mas são pessoas da mais alta dignidade e suas presenças nas ruas é a certeza de que todo trabalho é digno e é tão gratificante vermos a alegria estampada  no rosto dessa gente executando suas atividades como se fosse uma festa. Manuel Onça com a sua leve presença nos faz entender que as dificuldades também enriquecem a nossa vida e nos faz realmente acreditar que todos temos nosso valor, nossa importância. Tiro o chapéu para Manuel  Onça e acredito que nossos leitores também façam o mesmo.
Onça exibe com orgulho seus instrumentos de trabalho

Devemos acreditar naquilo que fazemos

Manuel Onça já é um símbolo de nossas ruas
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quinta-feira, 20 de junho de 2019

TOMÉ FOI UM EFICIENTE ZAGUEIRO E RESPEITADO PELA TORCIDA DO QUIXADÁ FUTEBOL CLUBE

Quixadá nos anos 70-Tomé é o quarto pela ordem
Futebol nos dias de hoje são doces recordações para Tomé
Depois do Quixadá passou a jogar em equipes amadoras-Tomé é o sexto(da esq para à dir)
Quixadá, anos 70: (Tomé é o sexto pela ordem)
<><><><>Numa tarde de um dia da semana naquela doce terra dos monólitos, anos 70, um craque do Quixadá Futebol Clube comparece a loja do inesquecível Zeque Roque, então presidente da equipe canarinha para receber o seu salário de atleta  e escuta da senhora Neide Roque: "Tomé, por que você não joga de Graça, rapaz?" Tomé, Não se fez de rogado e respondeu: " Não me oponho desde que a senhora permita que eu leve roupas e calçados". Naquele tempo, os atletas canarinhos recebiam um salário mínimo. Este fato tão interessante e até engraçado nos mostra que se jogava futebol por amor, por paixão. Tomé, um dos mais eficientes zagueiros que o futebol quixadaense já conheceu relembra com imensa saudade este e outros acontecimentos relacionados a sua carreira como atleta profissional. Desde a infância  tem verdadeira paixão pelo futebol e não esquece as recomendações da santa mãezinha, dona Ambrosina, que estava sempre a lembrar que o menino deveria estudar para ser doutor. Aos 12 anos de idade já integrava o "dente de leite" do Bangu comandado por João Eudes Costa e que disputou uma competição estadual chamada "Craque na Bola, Craque na Escola". Só participava do campeonato aquele garoto que obtivesse boas notas e Tomé, um apaixonado pelo futebol, estudou para valer pois queria jogar.  Adolescente e com raízes sertanejas, defendeu as cores da equipe do Jatobá que participou do torneio "Inter Distrital"  e já chamando a atenção pelas boas exibições que fazia. Foi um dos fundadores da equipe do 13 de maio juntamente com Celi, Joaquim e outros abnegados que fizeram deste time um dos ganhadores de títulos na terra dos monólitos. No ano de 1975, contando com apenas 16 anos,  foi convidado e passou a integrar o canarinho do sertão que naquele momento estava retornando a nossa cidade. Somente no ano de 1976 passou a jogar profissionalmente tendo atuado em todas as partidas do torneio início e sempre com bom desempenho. Não demorou muito e ficou titular absoluto na zaga canarinha e sendo observado por times de maior expressão como Ceará, Fortaleza e ferroviário que queriam contar com ele para reforçarem suas defesas. Não há dúvidas e o próprio Tomé admite que seu melhor ano como craque do Quixadá F. C. foi no ano de 1977 quando conquistou o carinho da torcida e o reconhecimento da crônica esportiva. Naquele ano foi incluído na seleção dos melhores e uma atuação sua contra o Ceará no estádio local e contra o América em Fortaleza quando sua bela atuação e de todo o time foi decisiva para a permanência do canarinho no certame daquele ano. Naquela partida quando o time da terra da galinha choca derrotou a equipe rubra da capital por "3 X 1" numa excelente exibição, Tomé foi eleito o craque do jogo. É bom frisar que aquela equipe era respeitada até pelos chamados grandes do futebol cearense. O time base de 1977 era o seguinte:  Zé Antônio, Carlos Antônio, Carlão, Tomé e Birungueta; Helano,   Nenen Mossoró e Doca; Manuelzinho, Massangana e Chiquinho Paraíba.   O zagueiro tem boas lembranças dos seus outros  companheiros, como por exemplo, César( Gaguinho), Tim, Luizinho peito de Aço,Helano, Zé de Barros  e todos os outros. Um detalhe é que naquele momento, o Quixadá ficava ativo durante todo o ano, pois além do campeonato cearense propriamente dito, tinha o torneio início e para esta competição o canarinho só contava com atletas da terra. Tomé foi e é sempre grato aos seus treinadores como Freitinhas, Zé Preguinho, Zé Antônio, Zé Nilo, Sóstenes e Dunga que deram suas contribuições para o engrandecimento da equipe do sertão central. Faz questão de dar um destaque especial ao Freitinhas, uma espécie de pai dos seus comandados que além de saber valorizar o atleta foi um dos precursores de um sistema tático que priorizava o setor defensivo. Freitinhas se adiantou no tempo, admite  Tomé com segurança. O seu jogo inesquecível foi contra o Ceará no campeonato de 1977 e mesmo com a derrota da equipe canarinha por "1 X 0", o zagueiro não esquece a grande atuação da equipe e o aplauso do público e reconhecimento da imprensa do excelente desempenho que teve naquela partida. Lembra com emoção de uma gravação que ouviu depois do jogo quando o premiado e inesquecível comentarista Paulino Rocha  fez ótimas referências sobre ele e recomendações para que equipes da capital o contratassem. Muitos torcedores que assistiram aquela partida lembram que Tomé marcou o temido artilheiro Ferréti, artilheiro do vozão e que tinha brilhado no Botafogo, Vasco e no Santos. Além de marcar o Ferréti, Tomé nos lembra que aquele ataque do Ceará era muito bom e diz sem nenhum medo que no gol do Ceará, sofreu um empurrão do artilheiro que inclusive fez questão de cumprimentar o craque quixadaense logo após o término da partida. O zagueiro enfrentou grandes nomes do futebol cearense como Artur, Zé Eduardo, Da Costa, Pedro Basílio, Amilton Melo, Edmar, Lucinho, Jorge Costa e outros mas diz com plena convicção que considera Artur o maior craque que o futebol cearense já conheceu. Jogou no canarinho até meados dos anos 80 mas não se afastou dos gramados passando a vestir a camisa de várias equipes amadoras de Quixadá e outras localidades. Chegou a atuar em equipes de futebol de salão mas gostava mesmo era do futebol de campo onde se realizava como atleta. Com emoção,  fala que gostaria de que fossem homenageados os ex-craques e treinadores da equipe quixadaense e ainda desportistas como  João Eudes Costa, Manoel Bananeira, Pil, Jacu, Zé Abílio e todos que contribuíram com o nosso futebol profissional e amador. Tomé foi considerado um dos melhores defensores do futebol cearense e só não se tornou um grande zagueiro do futebol nordestino porque amava(e ama) demais o canarinho do sertão. Se fosse para jogar em outro time que não  o canarinho, preferia ter abandonado o futebol.
Tomé(de óculos), Carlão, Airton Lélis, Helano, Carlos Antônio, Freitinhas e Doca-anos 70
(foto cortesia do craque Helano)                              
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domingo, 9 de junho de 2019

ASSIS BARBEIRO RESISTE AO TEMPO E MANTÉM ANTIGOS E NOVOS CLIENTES EM SUA BARBEARIA

Assis-Exerce a profissão de barbeiro com maestria

Muitos quixadaenses continuam a frequentar o salão do barbeiro Assis
<><><><><><>Ninguém tem a habilidade com as lâminas e a navalha como ele. A seriedade e a perfeição com que executa a sua profissão chega a impressionar. Profissional sério e da mais alta dignidade e é como se diz na linguagem popular um "velho macho" pois  resiste com altivez na profissão que vem desaparecendo numa velocidade incrível. Francisco de Assis Pereira é o nome de batismo mas é conhecido carinhosamente como "Assis Barbeiro". A presença dos barbeiros agora nas cidades é coisa bastante rara. Bem diferente de tempos idos quando o espaço destes trabalhadores eram bastante frequentados. As novas tecnologias modificaram os hábitos das  pessoas e tal aconteceu não só na terra dos monólitos mas em todos os lugares. Os salões surgiram e quase acabando por completo com a presença dos velhos profissionais do pente e da tesoura. A maioria dos homens preferem nos dias atuais, fazer a barba na própria casa.  As barbearias existem em pouco número mas jamais perderam o seu encantamento. Prova disto é que muitas figuras quixadaenses preferem os serviços destes icônicos profissionais. Há mais de 60 anos que Assis está na profissão pois começou ainda adolescente trabalhando ao lado do seu pai e professor Raimundo Pereira da Silva que além de barbeiro, também trabalhava na agricultura e na construção, residindo naqueles anos 60 em Veríssimo, localidade do (na época), município de Choró.  A sua mãe, Ana Elisa de Sousa, queria que o menino viesse para a cidade com o objetivo de estudar e chegar até a se tornar um homem de letras. Mas o destino do jovem estava traçado e ele veio ao mundo para desempenhar o papel de mestre na arte de cortar cabelo e fazer a barba. Já pertinho do final dos anos 60, o jovem veio para Quixadá disposto a enfrentar maiores desafios pois já manejava com arte as lâminas e as tesouras. Seu primeiro local de trabalho foi num ponto em frente ao velho mercado público num salão de propriedade do senhor Miguel Aguiar e próximo a sua farmácia. Ficava próximo ao inesquecível bar do Zé Cazuza, nos lembra saudoso o querido barbeiro. Eram seus colegas de trabalho o Zé Simão, Zé Antônio e Seu Sitonho Alexandrino. Trabalhou neste local de 1963 a 1969 e como tratava com cordialidade a todos os clientes, foi se tornando conhecido e respeitado na cidade. Depois, montou um salão num prédio do senhor Zé Lucas do Banabuiú, onde funciona até nos dias de hoje, a câmara dos vereadores. No começo dos anos 70 já estava na Epitácio Pessoa, nas proximidades da fábrica de redes do senhor Benjamim e sempre conquistando novos clientes galgando o carinho e o respeito dos colegas de profissão e já considerado  uma referência na arte. Em 1974 num espaço pertencente ao senhor Geraldo Ricardo, onde hoje funciona a loja do João da sapataria, montou um espaço em melhores condições de atender aos fiéis frequentadores. Passou pouco tempo trabalhando num ponto próximo ao comércio do senhor Aloísio, o conhecido Chefe que se tornou um de seus grandes amigos. Em 10 de outubro de 1975 passou a trabalhar no "Salão Abrahão Baquit que foi fundado pelo Dão onde permanece até os dias atuais e mantendo a mesma energia e seriedade no desempenho da profissão que tanto ama e com a presença sempre certa de novos e velhos clientes. No mesmo local trabalhava o Dão, Chico Calixto, Chico Ciriaco, Valdemar e Chico Cabeleira.  Parece até mesmo que muitos quixadaenses seguiam Assis Barbeiro em qualquer lugar em que estivesse cortando cabelos, fazendo barba e sempre contando fatos do passado e do presente da bela Quixadá. Este dedicado trabalhador  tornou-se um mestre da tesoura e da navalha e sempre demonstrando um enorme amor e respeito para com todos. Não gosta da discriminação que algumas pessoas tem com a sua profissão e a defende com unhas e dentes. Certa vez, atendendo a um médico teve que lhe dar uma pronta resposta. O doutor de gravata falou que barbeiro vive a alisar homem e nosso  Assis mandou ver: "Pior são vocês que alisam certas partes do corpo masculino. Lembra com emoção de alguns de seus clientes e amigos como João Viana da padaria, Demir lopes, Zé Lito da Ibaretama, Chaguinha, Zeca Saldanha, Amadeu do mercado, Severino Marcolino, Manu Brasilino, Cícero Brasilino, Sebastião Correia, Chico Benedito, O motorista Pelé, Chupaca, Vidal, Baltasar do Choró, senhor Lafayete,  Osvaldo Segundo, Quincas Capistrano, Portela, Agenor Magalhães, Cicero Bertoldo, dentre muitos outros. O experiente profissional também cuida da aparência de muitos jovens quixadaenses que preferem frequentar a velha barbearia e não modernos salões que hoje estão presentes em grande número. Sempre estar a lembrar que sua profissão foi um dom que Deus lhe deu e apenas cuidou em evoluir com os ensinamentos de velhos mestres como seu pai a quem muito deve.  Acredita que sua profissão permite ajudar as pessoas em momentos difíceis pois ao sentarem na cadeira do barbeiro, muita gente confia suas angústias, suas decepções, e claro, tem aqueles que vem falar de alegria como o nascimento de um filho, uma nova namorada, a vitória de seu time e muito mais. No Choró, Assis namorou e algum tempo depois casou com aquela que se tornaria o seu anjo da guarda, Maria Conrado Pereira , uma jovem muito querida na comunidade e possuidora de bom caráter. O casamento aconteceu no primeiro dia de novembro de 1960 na capela do Choró em cerimônia celebrada pelo padre José Bezerra. Um detalhe é que neste mesmo dia e local se deu a união pela lei de Deus do grande amigo  Aloísio(O Chefe) e Naidinha. Assis e Maria Conrado são pais amorosos de Cristina, Ana Lúcia, Novinho, Antônio de Assis e Ana Paula. O amor e o respeito tem sido a base do equilíbrio deste laço familiar. Assis não esconde de ninguém que admirava muito o trabalho de Carioca, um grande profissional que dignificava a profissão mas faz questão de acrescentar que tivemos e temos excelentes barbeiros e que são acima de tudo, verdadeiros amigos. O salão do nosso amigo Assis funciona como um encontro de quixadaenses de todas as idade e ali os assuntos são postos em dia e não existe diferenciação de classes e onde o calor humano está sempre presente. Fica muito feliz quando velhos clientes trazem para o seu salão os filhos e até os netos. Com ar de seriedade afirma que é com o seu trabalho que sustenta a família e construiu o sem patrimônio. O trabalho executado por Assis tem uma grande beleza, uma magia própria e que  nos remete a um passado bem mais feliz e ainda mostra o poder de resistência destes trabalhadores. Assis  não é apenas um correto profissional mas uma figura carregada de poesia, possuidor de uma beleza própria e que trata a todos com muito respeito e amizade.  Acredito ser dever de todos nós valorizar esses espaços culturais que são as barbearias pois os barbeiros além de profissionais de talento são guardiões de nossa memória.

Maria Conrado e Assis-casamento duradouro e feliz

O amigo Tuca é um cliente fiel.
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quinta-feira, 23 de maio de 2019

NOSSA QUERIDA ESCRITORA RACHEL DE QUEIROZ TAMBÉM CONQUISTOU O PRÊMIO "CAMÕES"


Rachel de Queiroz-vencedora do prêmio Camões em 1993

A vitória de Rachel deu muitas alegrias ao povo nordestino
 <>Tem notícias frescas na cultura brasileira e foi ele, ele sim! Chico Buarque é o novo ganhador do Prêmio Camões de Literatura, principal troféu da Literatura em língua portuguesa. Foi instituído em 1988 com o objetivo de consagrar um autor que tenha contribuído para o engrandecimento do patrimônio cultural de nossa língua comum. Chico foi eleito pela contribuição a cultura em todos os países onde se fala a língua de Camões. O cantor e compositor foi o décimo terceiro escritor brasileiro a ganhar o importante reconhecimento. Chico irá embolsar cerca de 451 mil reais de acordo com os sites de notícias. O vencedor foi escolhido por uma equipe formada por seis jurados indicados pela Biblioteca Nacional do Brasil, pelo Ministério da Cultura de Portugal e pela comunidade africana. O último escritor brasileiro vencedor do destacado prêmio foi Raduan Nassar, autor de clássicos como "A Lavoura Arcaica" e "Um Copo de Cólera", em 2016. 
Lygia fagundes Teles ganhou o prêmio "Camões" em 2005
A intelectualidade brasileira comemora o feito do famoso cantor e compositor. Palmas que ele merece! Em 1993, a força feminina de uma mulher sertaneja de muito talento e que fazia questão de afirmar ser quixadaense, encantou o júri do destacado troféu que reconheceu o grande valor da obra literária de Rachel de Queiroz e assim ela se tornou a primeira escritora brasileira vencedora do principal troféu literário da língua portuguesa. Neste caso, houve comemoração não  apenas no espaço intelectual mas pelas pessoas simples de todo o país e ,em especial, o aplauso também brotou dos moradores dos lares nordestinos. Embora tenha sido extremamente aplaudida em todo o Brasil, é nos sertões nordestinos onde Rachel é mais amada, exatamente porque conheceu e conviveu com aquela gente sofrida mas que nunca perdeu o seu encantamento. Na verdade, a escritora nunca esteve longe do seu sertão pois ele sempre esteve presente em seus afetos. Cedinho da manhã, Jonas Sousa dava pelas ondas do rádio, a notícia do prêmio ganho por Rachel de Queiroz. A terra dos monólitos amanheceu bem feliz e a notícia era o assunto em toda a bela cidade. "Dona Rachel ganhou o prêmio de melhor escritora de língua portuguesa!" Isso acontecia nos encontros entre os amigos e se espalhou por toda a cidade. A escritora certa vez escreveu que "Neste mundo tão grande, nunca houve pedaço de terra que tenha sido mais preso ao meu coração do que aquele trecho bravio do município de Quixadá".  Na fazenda "Não me Deixes", recanto predileto da autora, os moradores gastavam felicidade e se prepararam para receber a querida mulher. As moradoras combinaram preparar uma galinha cabidela acompanhada de um pirão muito gostoso e que a escritora adorava. Dona Alzenir Ferreira que era uma das pessoas que cuidava da fazenda, fazia questão de afirmar que Rachel sempre teve um carinho todo especial com as pessoas humildes daí ser muito querida por toda aquela gente. A professora Rosita que cuidava dos interesses da autora de "O Quinze" lembrava que ela sempre pedia: "Não me chamem de escritora e sim de professora ou doceira". Não pude testemunhar mas acredito que muita gente que mora nos pés de serra do sertão, tenha contratado sanfoneiro e zabumbeiro para um forró daqueles que vão até o dia amanhecer. Ora, por que não? Já tinha acontecido quando ela foi eleita a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Claro que todo o Brasil aplaudiu mas no Nordeste foi uma explosão de contentamento.  Por tudo isso, a vitória de Rachel não foi ovacionada apenas por gente da Academia mas também pelo chamado "povão". É bom lembrar que esta gente, pobre e desassistida, sempre foi destacada na obra da escritora nordestina surgindo daí uma grande interação com estas pessoas(representada pelos personagens). Ela foi a voz daquela gente que não tinha voz e foi uma espécie de embaixadora do sertão. Além de Rachel, só outra escritora foi vencedora da premiação, a paulista Lygia Fagundes teles no ano de 2005. A premiação de Chico Buarque nos inspirou a escrever este despretensioso texto cujo objetivo maior é lembrar da conquista de uma personalidade tão próxima de nós e torço muito para que jovens quixadaenses se dediquem mais a conhecer a trajetória deste talento extraordinário que a todos fascina com seus belos livros que é a escritora Rachel de Queiroz
Camões-uma das maiores figuras da literatura lusófona

A escritora se deleitando numa rede na sua fazenda


Chico Buarque-Vencedor do prêmio Camões em 2019