segunda-feira, 28 de outubro de 2019

OS "ANOS DE CHUMBO" NA TERRA DOS MONÓLITOS(Parte 2)



Prefeito José Baquit nos jovens anos

<> Naquela manhã de 26 de Abril de 1964, os quixadaenses acordaram assustados com a presença de militares do exército cercando a residência do prefeito José Okka Baquit, um cidadão de bem, bastante respeitado e em especial pelas pessoas simples, eleito democraticamente para a chefia do poder executivo da terra dos monólitos no período de 1963 a 1967. Segundo o memorialista João Eudes Costa, o regime de força implantado em 31.03.1964, passou a perseguir pessoas e grupos que eles entendiam terem idéias socialistas e, injustamente, acusou o jovem prefeito que gozava da estima da população. Na praça José de Barros, onde se localizava a casa de Jose Baquit , a família e a população temia que ele saísse algemado para um quartel militar. Chegaram a acusá-lo de pertencer a um esquema contra o regime militar e de que armas eram enviadas de Recife por Miguel Arrais. Felizmente, prevaleceu o bom senso de alguns oficiais do Exército e nada aconteceu ao jovem prefeito. Os próprios oficiais entenderam que as atitudes de José Baquit eram em prol do bem estar da população e sem nenhum objetivo político.
Memorialista João Eudes Costa

Praça José de Barros

Charge sobre o regime militar(internet)
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OS "ANOS DE CHUMBO" NA TERRA DOS MONÓLITOS(PARTE 1)- O DIA EM QUE O PROFESSOR LUIZ OSWALDO FOI SUSPENSO DA RÁDIO MONÓLITOS

Professor Oswaldo
José Pessoa de Araújo

Ribamar Lima lia as crônicas 
Dom Hélder Câmara

Imagem da Ditadura(internet)

Memorialista João Eudes Costa
<><><><>A primeira emissora de rádio instalada em Quixadá foi a "Uirapuru" que pertencia à Rede Uirapuru de Comunicação da organização José Pessoa de Araújo. O ano, 1980. Estávamos ainda na Ditadura Militar e tivemos a imposição de censura prévia à imprensa e o rádio não ficou de fora. Uma das maiores audiências da "Uirapuru" era o programa "Boa Tarde Para Você" que apresentava crônicas escritas pelo professor Luis Oswaldo e pelo escritor João Eudes Costa. As crônicas eram lidas pelo inesquecível radialista Ribamar Lima que foi um dos responsáveis pelo sucesso do programa com sua festejada voz de veludo. O diretor ,naquele momento, era o militar e também radialista Célio Aragão. Certo dia, foi apresentada uma crônica escrita pelo professor Oswaldo que destacava a figura de Dom Hélder Câmara que se opunha ao regime militar. Como se sabe, o nome deste religioso foi proibido de ser divulgado na mídia. A direção da emissora comunicou o fato ao senhor José Pessoa de Araújo que afastou o professor Oswaldo do programa. Solidário ao amigo, João Eudes Costa largou o programa e também não escreveu mais crônicas. Foi, então, que José Pessoa procurou Eudes e pediu que ele voltasse a escrever suas crônicas, pois o povo estava sentindo falta daquela atração. João Eudes falou que voltaria se Luis Oswaldo também apresentasse suas crônicas e fez um pedido para que a crônica sobre Dom Hélder fosse novamente apresentada o que acabou acontecendo. Era ainda um radialista jovem, mas lembro dos militares(não todos) chamarem Dom Hélder de demagogo, comunista, bispo vermelho, subversivo. Para mim e muita gente, ele foi uma pedra santa no caminho da Ditadura.
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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

ANTÔNIO BENJAMIM DE OLIVEIRA- ELE CONTINUA ENTRE NÓS

Maria Rosicler e benjamim Oliveira
Família do senhor Benjamim: A esposa Maria Rosicler e os cunhados João Eudes, Tadeu, Elvira e Dedé
Benjamim(à direita) e Aziz Baquit
<>No dia de amanhã, 24 de outubro,  ano de 2007, tornava-se cidadão do céu o senhor Antônio Benjamim Oliveira. Já se passaram 12 anos.  Ele partiu, é bem verdade, mas para a sua família e amigos ele continua aqui sempre com uma imensa vontade de trabalhar e estar sempre perto das pessoas de sua convivência. Ele continua aqui para o seu anjo da guarda, Maria Rosicler, com quem casou-se no dia 16.06.1945. Desde cedo, orientou os filhos no enfrentamento dos combates da vida. Nasceu em Solonópole e veio para a terra dos monólitos no começo da década de 40(século passado). No livro "Ruas que Contam a História de Quixadá", o memorialista João Eudes Costa destaca a disposição de Benjamim para o trabalho começando ainda muito jovem nas lides campesinas. Foi garçom, balconista e por fim, teve o reconhecimento e foi convidado para fazer parte da Fábrica de Rede Nossa Senhora de Fátima. Depois de algum tempo, comprou a parte dos sócios e deu a empresa um toque empresarial e a mesma chegou a importar redes para a Europa. Foi sócio fundador do Rotary Club de Quixadá e consta que jamais faltou a uma reunião. Foi presidente do Balneário Cedro Clube e teve participação ativa na construção de sua sede no centro da cidade. Presidiu por vários anos, a Associação Comercial de Quixadá. Uma de suas maiores alegrias foi ter recebido o título de cidadão quixadaense em 27.03.1979. O prefeito Renato Carneiro justificou desta forma esta honraria: "Como reconhecimento aos relevantes serviços prestados à nossa coletividade". Não se pode falar em Benjamim, sem lembrar que
Memorialista João Eudes Costa lembra que Benjamim foi um guerreiro
ele foi o representante do "FUNRURAL" só se afastando por não concordar com a nova orientação do mesmo que assumia caráter político.  Tornou-se cidadão do céu em 24.10.2007, depois de vários anos em inatividade. Mas Benjamim não partiu para os seus familiares e amigos. Ele está aqui como a nos lembrar que a vida é um eterno combate e por isso, é única, é bela!
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

ZÉ MARIA CARPINTEIRO- 50 ANOS DE CHÃO


Zé Maria Barbeiro-50 anos na profissão
<>Ele é uma espécie de "Pelé" no manejo do martelo, esquadro, serrote. São as ferramentas essenciais na profissão exercida por José Maria de Lima que há exatos 50 anos se dedica a uma das mais antigas profissões do mundo. Na entrada de sua residência mantém os objetos do trabalho que desenvolve com tanta dedicação que se tornou conhecido em toda a terra dos monólitos como "Zé Maria Carpinteiro". Faz questão de sempre lembrar tratar-se de uma profissão que exige muita dedicação e concentração. Quando criança, batia enxada no chão ajudando seu pai na agricultura e nos momentos de folga, ficava num canto do roçado produzindo brinquedos de madeira e chamando a atenção da família e vizinhança. A mãe, como todas as mamães, queria que o filho se dedicasse ao estudo, mas o garoto frequentou por pouco tempo os bancos escolares.
Carrinhos de madeira fabricados pelo Zé Maria
Por poucos anos, assistiu aulas na escolinha do Curtume Belém. Os tempos de infância e adolescência foram bem vividos na rua da Palha, onde toda a comunidade parecia pertencer a uma só família. Zé Maria lembra dos banhos nos canais cheios de água que vinham do açude do Cedro. Diz não esquecer aquela imagem de mulheres lavando roupa, todos os dias. Bem jovem, já trabalhava com o Senhor Daniel Capistrano fabricando e fornecendo os produtos para a venda na loja daquele comerciante. Fabricava uma média de 30 carrinhos de madeira por semana e todos eram vendidos de forma rápida. Reconhece ter aprendido bastante com Daniel e ainda com o Vicente e guilherme, colegas do trabalho. Antes de montar sua oficina na atual residência, próxima a estação ferroviária, exerceu a profissão em diversos locais da cidade, começando na mercearia do seu pai. Só na rua José Jucá permaneceu trabalhando  por 13 anos. Hoje, Zé Maria expressa muitos motivos para celebrar estes 50 anos de profissão. Tem muita gratidão com a família e os amigos que sempre o apoiaram na escolha deste oficio.  Quando perguntam se ele é feliz na profissão, responde com um largo sorriso: "Não era a profissão de Jesus que seguiu os passos do pai José?" Parabéns, grande Zé! Profissional de grande competência e um amigo especial de todos nós.

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ferramentas de trabalho

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

MEUS JOVENS ANOS: NA PRAÇA CORONEL NANAN GASTEI GRANDE PARTE DE MEUS VERDES ANOS



Liquidificador antigo
<>Todos nós temos a nossa parcela saudosista. Peço licença aos meus amigos para contar um pouco das minhas andanças do tempo de adolescente na praça Coronel Nanan.  Sou feliz por ter nascido no passado e ter vivido tantas coisas e sem a violência presente nos dias de hoje. Sou do tempo em que ainda não se utilizava o liquidificador e nem se falava em bananada . As bananas eram amassadas com colher e em seguida, colocava-se o leite. Até os primeiros anos da década de 60,  ainda não havia fornecimento de energia na terra dos monólitos durante o dia. Só a partir de 1963, passamos a dispor de energia das 6 até às 24 horas.
Quixadaenses num passado inesquecível: Veinho é o último da esquerda(em pé)

Nilo:figura querida na terra dos monólitos
Segundo o memorialista João Eudes Costa, o prefeito José Baquit encarregou o secretário de Energia, Dr. João Forte da Mota, mais o mecânico José Adolfo de viajarem até Campina Grande com o objetivo de adquirir um grupo gerador com a potência de 450 KVA. Mas, dois anos depois,chegou a luz de Paulo Afonso. O novo sistema de fornecimento de energia encheu de orgulho e felicidade os moradores da querida cidade. Já conhecia vitamina de banana , pois na viagem que fiz à Fortaleza com meu papai, ele nos levou até o abrigo Central e lá, saboreamos uma divina bananada. Assim, conhecemos um dos tipos populares mais conhecidos de Fortaleza, Pedão da Bananada, famoso torcedor do Ceará Sporting. Na verdade, com a chegada da energia, é claro, os velhos costumes foram sendo substituídos e com certeza também na forma de se alimentar. Certo é que em poucas casas tinha um liquidificador e ,então, o jeito era frequentar os locais onde se preparava a bananada, a nova coqueluche do pedaço.  Era a grande novidade,  um sucesso danado. Bendita energia de Paulo Afonso. Lembro que pedia a minha mãe para ir lá na praça Coronel Nanan, pois lá no comércio do Senhor Doca Tomé tinha liquidificador. Minha santa mãezinha, recomendava com uma moral cheia de ternura: "Não vá jogar sinuca não, tome tenência!" E num chique ferro de engomar ,à brasa, preparava minha inesquecível camisa "Volta ao Mundo" e ia, inocente e feliz, 14 anos, abençoada idade, saborear aaquela novidade alimentar. Mesmo adorando a  vitamina de banana, jamais deixei de tomar o refresco preparado pelo Zé Pinto e, em especial, o de laranja, acompanhado de um pão que parecia ter sido preparado no céu. Até os dias atuais, não se sabe qual o segredo do preparo do refresco do Seu Zé Pinto. Tinha me esquecido que antes de ir lanchar e passear na praça, comprava brilhantina "Suspiro de Granada" no Zé Metero ou Pedrosa e passava no cabelo ali mesmo. Aí, pensava que era o Elvis presley ou o Alain Delon. Ali, pertinho,  bodega da dona Santinha e Fátima. Doces figuras. ,E, mesmo com pouca idade, frequentava o bar do boa gente, Nilo Lopes, que tratava todos com muita ternura.  Que saudade, estimados amigos! Era uma grande alegria para nós adolescentes dos anos 60, sair de casa. Havia uma vigilância dobrada por parte dos pais. Passeio era uma festa para a galera daqueles anos. Saia do sítio das Lilinhas(hoje, bairro Baviera) e antes ir  no Doca Tomé, passava em vários locais e ficávamos à vontade pois todo mundo conhecia todo mundo. No local onde ,atualmente, localiza-se à biblioteca municipal, funcionava uma pensão e passava por lá, pois tinha amigos ali.  Gostava muito da família do Luís Paraíba e passava por lá para tomar um café muito gostoso e toda gente ali daquela casa, era muito atenciosos. O Viana Vieira, filho de Seu Luis, adolescente como eu, era um companheiro das primeiras paqueras. Lembro da simpatia de Luis Bombeiro, sempre muito atencioso com todos. Era uma vila de casas e jamais esqueço das gostosas conversas do velho Cambé que conhecia o passado de Quixadá como poucos. Ainda tenho na memória que pegava garrafas pela rua para vender aos Senhores Antônio e Manuel Monteiro que compravam vidros, couros e outras coisas. Pegava todo o apurado da venda e entregava nas mãos da querida Nina que vendia ingressos para os filmes no Cine Yara. Queria me encontrar com a primeira namorada que era a Jane dos filmes do Tarzan interpretada pela Brenda Joyce. Era amigo de todo aquele pessoal que trabalhava no cinema como Zé Adolfo(proprietário), Dedé Sousa, Chico Nascimento, Pedro Nunes, Luis Marinho e todos os outros. Ficava sentado no chão, assistindo o filme na geral(ingresso mais barato) para ficar bem perto da tela. Disputava a Jane com outros adolescentes como os meu primos Jonas Sousa, Raimundo Souza, Francisco Calhambrey e outros caras da cidade. Nas minhas voltas por aquela praça achava bem legal um mecânico dando verdadeiro show no concerto de todo tipo de carro. Era o senhor Furtado que deixava novinho as kombis, gordines, fuscas ou caminhão Chevrolet que aparecesse por ali. Gostava de passar no escritório da fábrica de algodão e conversar com o senhor Aziz Baquit(me chamava de meu jovem) que sempre lembrava o fato de ter sido aluno da minha tia, a professora Baviera Carvalho no Jardim da Infância do Colégio das Irmãs. Conversava muito com o Murilo e, às vezes, com o Papinha. Quando estava na companhia de mamãe, das tias, Maria, Maura, Elba e Robéria, passava na casa de alguns conhecidos e muito amigos,como por exemplo, o lindo casal Hercílio Bezerra e Laura. Ficávamos na calçada ouvindo a radiadora de Adolfo Lopes e aí a simpática filha do casal, Graça, falava "Adolfo está apaixonado!" As minhas irmãs Cecê e Corrinha na companhia da Teresa, curtiam as revistas "Ilusão", e "Capricho". Vizinho, morava o senhor- Turbay e tinha inveja daquela grande casa, pois falavam que de lá dava para assistir os filmes do Cine Yara. Naquele tempo, já gostava muito de música e recordo que o Sebastião dos caminhões colocava músicas do Nelson Gonçalves para gente ouvir, mas eu queria mesmo era escutar Cely Campello, Tony ou o Elvis Presley. Mesmo sem  nenhuma grana, gostava de passar na bodega do Senhor Apolinário. Ele, sempre legal, me entregava uma garrafa do refrigerante Crush e falava que depois papai pagava. Passava na ourivesaria do Zé Belisário e ficava admirando aqueles relógios tão bonitos. E naquela praça, muitos tipos populares como o "Veinho" que se fazia passar por Getúlio Vargas e lá do coreto, discursava, gesticulando muito. Lembro do Pedro Paraíba que dava uma de Vicente Celestino e muita gente se emocionava quando ele cantava "O Ébrio". Lembro demais que um amigo(não lembro o nome) levava para a praça uma radiola "Philips" comprada na loja da querida Zélia e ouvíamos disco e imitávamos os artistas: Eu era o Chubby Checker e me amostrava ao som de "L'ets Twist Again".  Ás vezes, muita correria na praça e o pessoal gritava "Lá vem o Pedro Doido!" Quando somos novinhos, não temos vergonha de ser feliz e eu dançava na frente da banda quando tocava um lindo dobrado e ficava admirando a perfomance do maestro Benício. Recordação é muita saudade que nunca esqueceremos. Pergunto a vocês, meus amigos: Será que o tempo bom não vem Mais? Por favor, amigos, imploro! Digam que virá, pelo amor de Deus! Por favor! Quero ser feliz como era naqueles anos. Ou será que tenho que aceitar a realidade de que o tempo bom ficou mesmo para trás.
Maestro Benício à frente da Banda de música
Lamparina não sai de minhas lembranças
O lindo casal: Hercílio e Laura

velho ferro de engomar
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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

<>QUIXADAENSE FAZ UMA FANTÁSTICA VIAGEM ATÉ A IDADE MÉDIA

Aqueles instrumentos medievais faziam me lembrar os músicos da terra dos monólitos
<>Realizei a mais fantástica, a mais empolgante das viagens e, com certeza, inesquecível. Foi, na verdade, estimados amigos, uma viagem no tempo. Não sei dizer que ano estive ali e só sei que este período durou mais de l mil anos. Jamais puderia imaginar que um simples vivente tivesse este privilégio! Um quixadaense na Idade Média! Não sei explicar, mas aconteceu! Estive na Idade Média! Sem entender o que acontecia, pude ver e bem assustado, passar pertinho de mim, cavaleiros, senhores feudais, condes, duques, boçais senhores feudais que não olhavam para ninguém e parecia que todos ali o adulavam. Como em todo canto, vi gente simples como os camponeses, artesãos. Vi muita gente trabalhando na agricultura, muitos carros de bois. A religião não me causou estranheza pois só dava católico naquele espaço. Vi e fiquei muito impressionado com castelos, modernas pontes, lindas catedrais. Vi também coisas feias como muita gente morrendo por causa da peste negra, bubônica. Me desculpem, amigos meus, que são cultos mas não achei aquilo ali "Idade das Trevas", não,  de jeito nenhum. Vi muita arte, sobretudo na Arquitetura e Literatura. Não gostei nem pouco mas presenciei crianças de 12 anos trabalhando duro na agricultura e revoltante, quem ficava com tudo era o Senhor Feudal. Já que estava vivendo este momento único, viajando num tempo que não era meu, quis conhecer e ia pedir um autógrafo a Tomás de Aquino e Agostinho de Hipona mas, não foi possível. Eles  eram muito requisitados e respeitados e nem todos se aproximavam. Agostinho, um doutor da igreja, muita pretensão minha, não é amigos? Desde pequeno meu querido pai me contava maravilhas do rei Arthur e tinha a maior vontade do mundo de conhecer mas qual foi minha grande surpresa quando pude sentir que por ali ninguém sabia de sua existência.  Foi aí que recordei que, certa vez, o professor Hill Holanda me falou numa das salas de aula do Colégio Estadual que o rei Arthur era um personagem literário. Confesso que não me alimentava muito bem, pois só me ofereciam pão e poucas vezes, sopas. Viche Maria, que povo prá gostar de pão! Me lembre dos pães da Padaria Estrela do português Manuelzinho. Tive que entrar na onda e comer com as mãos mesmo. Tinha um alimento parecido com pastel que gostei muito mas não sabia do nome. Só sei que lembrei dos pastéis preparados por Luisa Lopes, a esposa querida do mestre Adolfo Lopes. Não havia água encanada mas  confortava o fato de lá não existir a "Cagece" para infernizar a vida daquela gente. Mas, sabia-se se a água era propícia para consumo ou não. Fiquei encabulado mas era o jeito, fazer o que?  É que os banhos, na maioria das vezes, eram coletivos, sim Senhor. Senti saudades da minha linda cidade ao presenciar a presença de muitos animais pelas ruas. Pensei que estava na praça Coronel Nanan. Uma cachorra me levou as lágrimas pois lembrei da minha amiga Linda que, com certeza, está com saudades de mim. Vou contar uma coisa prá vocês, pois vi com esses olhos. Vi e muitas vezes, gente jogando urina e fezes no meio da rua. Não sou médico mas acho que era por isso que muita gente ali nem chegava nos trinta e poucos anos. Lembrei então que no meu Brasil, meu doce amado, muitos dejetos são jogados diretamente na natureza nos dias de hoje. Os rios eram bonitos mas o visual da água muito suja me entristecia e então, lembrei desolado do nosso rio Sitiá que ficou só na saudade.  Nos poucos dias que passei na cidade de Siena, não me acostumava com aquela escuridão da noite, mas faziam fogueiras em vários espaços. De qualquer foma, era um consolo saber que a "ENEL"  não existia em parte nenhuma.  Fiquei encantado com uma linda camponesa que parecia com a atriz Catherine Deneuve naquele filme "A Bela da Tarde" mas, um senhor de idade me fez entender que nem pensasse no assunto, pois era tudo proibido e a Igreja Católica era quem comandava isso. Me lembrei, então, das censuras, proibições que acontecem no Brasil da atualidade. Nesta minha incrível viagem pelo tempo, pude matar as saudades das músicas de Chico, Roberto, Luiz Gonzaga, Amado Batista. É que tinha música no meio da rua e eu não ia as igrejas para ouvir os monges cantarem. Nesses locais, só canto religioso ao passo que em outros espaços rolava as cantigas que falavam de sofrência, decepções amorosas. Me veio a lembrança das serestas do Juninho Quixadá, do Tony Remelexo ou do Django. Nos grupos musicais não tinha a guitarra tocada pelo Mavi ou o violão do Vinicius mas tinha um cara dando verdadeiro show na Cítola que era um instrumento de 4 cordas, tocado com os dedos. O angelical som da harpa me fazia pensar estar ouvindo a beleza de melodia executada pelo talentoso Evandro dos teclados. O som da rebeca me trazia saudade dos vídeos de André Rieu que curtia no "You tube". Tinha um gordinho tocando flauta com muita categoria que me fez lembrar de Benedito Lacerda. Vez por outra, aparecia um cara com um negócio esquisito na boca dando informações sobre às ordens dos senhores feudais. Pensava ser o jornal radiofônico apresentado pelo Jonas, Wanderley ou Herley Nunes. Observava com muita atenção um cara barbudo que ficava quase todo o tempo olhando pro sol, talvez, querendo saber das horas. Confesso ter sentido muita saudades do Almeidinha que ficava repetindo as horas todo o tempo.  Vi e falo para vocês, diletos amigos, que aquela gente se divertia também. Não esqueço de um torneio que assisti em que cavaleiros armados se enfrentavam entre si e com torcida. Parecia o "clássico rei" quando jogam o time do Ceará contra o Fortaleza. Só que, algumas vezes, jogadores(cavaleiros, quero dizer) saiam feridos ou até mortos. Tinha chefes de torcida, sim. Tinha um deles, vibrador até demais e que lembrava o Guaracy Fernandes, o rei da galera, nos dias de jogos do canarinho do sertão. Mas, como nada neste mundo é eterno, essa fantástica viagem também teria seu final. Iria realizar um grande sonho que era conhecer Guido D'Arezzo, aquele que foi o responsável pela atual pauta musical e designou as notas DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI.  Ele estava num mosteiro bem próximo e meu amigo local o conhecia e iria me levar até ele. Meu coração dava pinote  dentro do peito de tanta alegria. Seria o único cara desse mundo  à conhecer um verdadeiro gênio. Mas, eis que, de repente, alguém lambe meu rosto querendo avisar que já era 5 da manhã. Era a minha doce cachorra Linda. É, FOI TUDO UM SONHO, MEUS DILETOS AMIGOS! 









Aquele som das flautas faziam me lembra da melodia de Benedito Lacerda








guido d'arezzo

<>Imagens retiradas da Internet<>

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

JURANDIR BAR(Bar do Ceará)- UM ESPAÇO DE PAIXÃO AO CEARÁ SPORTING NA TERRA DOS MONÓLITOS

Bar do Jurandir(Bar do Ceará) é um espaço do encontro de grandes amigos
<>O A paixão de um torcedor pelo seu clube do coração não tem limites. E ninguém resiste mesmo a esta grande paixão. O sentimento do torcedor quixadaense Jurandir Ferreira é incontrolável pelo seu Ceará Sporting. Este clube para ele é como uma melodia de amor e lhe transmite muita alegria e até uma paz que suaviza o cotidiano de todos os dias. Não há dúvida, é o grande clube do seu coração. É amor, é carinho exagerado e acreditem, o "Vovô" é sem dúvida, uma das grandes alegrias deste pacato e estimado cidadão. Fez do seu bar uma espécie de mini-museu onde pode-se curtir e conhecer um pouco da história deste querido time nordestino. Nas paredes do conhecido "Bar do Ceará" podemos curtir imagens do alvi negro desde os anos 50 e que chama atenção pela precisão de detalhes. Os habituais frequentadores e os curiosos visitantes realizam uma viagem no tempo e parecem que estão vendo o eterno ídolo Gildo marcando gols; lembram das defesas do incrível Aloísio Linhares, o chamado "Caravelli".  É saudade e encantamento apreciar aquele time de 1958 formado de grandes craques como Alexandre, Damasceno, William, Carneiro e todo o time. E aquela imagem do time de 1963 com jóias da bola como Carlito, Charuto, Marco Aurélio, Mauro Calixto? Num lugar especial, a imagem daquele time do tetra e acontece aí uma coisa fantástica em algum momento, parte dos torcedores gritam o nome de Tiquinho, o herói do tetra. Para Jurandir e outros apaixonados, belas imagens. Me expliquem caríssimos e pacientes leitores de minha despretensiosa coluna, até onde vai a paixão de uma pessoa por um time de futebol? Jurandir Pergentino Bezerra, ali da região de Vertente, é proprietário do "Bar Ceará" desde 1984 e este amor pelo time mais antigo do estado vem desde a adolescência quando escutava as narrações de Gomes Farias e os comentários do famoso comentarista e declarado torcedor do Vozão, o inesquecível Paulino Rocha. É aí que entro na conversa e digo que a mídia tem sim, o poder de influenciar os torcedores. Jurandir lembrou que aquelas imagens  penduradas na parede daquele espaço foram na maioria doadas pelos frequentadores e claro, loucos pelo Vozão. Mas, agora, por favor, muita atenção dos amigos que estão lendo estas mal traçadas linhas(é o novo!): O bom amigo Jurandir lembra que os torcedores do Fortaleza são muito bem recebidos mas alerta que os torcedores do Ceará assistem o jogo num telão de luxo enquanto a torcida do rival acompanha o jogo naquela antiga "tv" de 14 polegadas onde dizem as más línguas, só se ver a bola. Muito legal, não é gente? Essa aqui é demais e peço gentilmente um pouquinho de atenção por parte de vocês. É que  quando o vozão marca um gol o bar treme com a explosão de alegria de todos. Os mais apaixonados afirmam lembrar das arquibancadas do Castelão nas comemorações do gol do Tiquinho que deu o tetra ao Ceará. Não é coisa mesmo de torcedor que ama o clube até demais?Frequentadores daquele espaço como Marciano, gerente de farmácia; Jurandir, Everardo Sampaio, Wellington  e todos afirmam que o ambiente é de muita paz, alegria e uma grande amizade se diz sempre presente.Agora, prestem atenção a mais este detalhe: Só a gostosa feijoada preparada pelo Jurandir  consegue unir os torcedores de Ceará e Fortaleza. É uma feijoada prá ninguém botar defeito, afirmam alvi negros e tricolores. Aí, a rivalidade vai pro espaço e toda a turma saboreia aquele prato saboroso que vem acompanhado de torresmo, couve, arroz branco e parece ter sido temperado com alho, cebola e bacon(coisa chique, meu Jesus amado!). É um golaço do Jurandir que recebe os aplausos dos amigos.  O conhecido "Bar do Ceará" se localiza na Travessa Tiradentes e é visitado por pessoas de toda a terra dos monólitos, de outras cidades  e até de Fortaleza, em especial de torcedores do Vozão que querem conhecer mais de perto esta paixão de Jurandir pelo clube do coração. Só tem algo neste mundo que Jurandir ama mais que o Ceará Sporting, com certeza, é a sua família que considera como a sua maior riqueza e o maior amor deste mundo. Mas, garante, é uma família preta e branca. Grande Jurandir, aquele abraço de toda equipe da "Revista Central!"
Bar do Ceará-espaço de amor ao clube alvi negro

Parede da paixão-imagens de todas as épocas do Ceará Sporting

Jurandir mostra a tv onde são acompanhados os jogos do vozão


Visita do repórter ao espaço

Torcedores alvi negros e tricolores se confraternizam

Imagem do Ceará dos anos 60
Uma das imagens mais curtidas pelos torcedores
Nesta pequena tv são exibidas as partidas do time rival

Encontro de alvi negros e tricolores onde impera a grande amizade
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